Exploração

África e Ásia vão concentrar grandes perfurações em 2026, com foco em águas profundas

América do Sul aparece na terceira colocação, com apenas seis poços de alto impacto esperados para este ano

Fusão entre Enauta e 3R Petroleum pode impulsionar consolidação das petroleiras independentes. Na imagem: Plataforma da Enauta para exploração offshore de petróleo (Foto: Divulgação)
Plataforma da Enauta para exploração offshore de petróleo (Foto: Divulgação)

A África é a região com o maior número de grandes perfurações exploratórias previstas para 2026, com 17 das 42 campanhas previstas no mundo este ano, segundo a consultoria Rystad Energy.

O protagonismo africano é impulsionado principalmente pela Margem Atlântica, com foco na Bacia de Orange, no sul da África, e no Golfo da Guiné, na África Ocidental.

O relatório considera as campanhas de perfuração de alto impacto, ou seja, aquelas em regiões com alto potencial de volumes ou que abrem perspectivas de novas fronteiras.

A perspectiva da Rystad para 2026 mostra uma forte concentração em exploração de novas fronteiras e em águas ultraprofundas.

Cerca de 60 dos poços planejados estão nessas regiões, com as major companies  liderando.

América do Sul em terceiro lugar

O ritmo de perfurações de poços de petróleo em águas profundas na América do Sul para 2026 é significativamente inferior à quantidade de poços que serão perfurados na Ásia e menos da metade do que a África, líder no ranking.

Para a Ásia são esperadas oito perfurações deste tipo este ano, sendo dois em águas rasas, dois em águas ultraprofundas e quatro em águas profundas.

Já na América do Sul estão previstos seis poços considerados de alto impacto, dos quais cinco são em águas ultraprofundas e um em águas profundas.

O relatório não detalha os operadores, no entanto, a Petrobras já anunciou no Plano de Negócios 2026-2030 que pretende perfurar 40 novos poços entre 2026 e 2030.

Do total, 15 perfurações estão previstas para a Margem Equatorial, que tem semelhanças geológicas com a costa africana.

Sucesso exploratório

Segundo a Rystad, em escala global, o setor de upstream deve repetir em 2026 o bom desempenho que teve em 2025, ano em que a taxa de sucesso desses poços subiu de 23% para 38%.

No ano passado, o volume total descoberto cresceu 53% na comparação com 2024, atingindo cerca de 2,3 bilhões de barris de óleo equivalente (boe).

“O que estamos vendo em 2026 é uma mudança clara na forma como os operadores estão dispostos a alocar capital. Os projetos em águas ultraprofundas e de fronteira continuam sendo intensivos em capital, mas também oferecem escala e um potencial de retorno significativo em um momento em que as oportunidades convencionais estão cada vez mais limitadas”, diz Aatisha Mahajan, responsável pela área de exploração e pesquisa em óleo e gás da Rystad.

Entre os projetos onshore, embora quase toda perfuração de alto impacto esteja projetada para o continente africano, há um poço recentemente anunciado na Groenlândia, na bacia de Jameson Land.

A ilha, que pertence à Dinamarca, é alvo de tensões geopolíticas entre a Europa e os Estados Unidos.

O presidente norte-americano, Donald Trump, disse publicamente que pretende adquirir o controle do território, mas recentemente descartou a intenção de usar força militar para conseguir o objetivo.

Enfraquecimento da atividade na América do Norte

O desempenho exploratório da América do Norte vem enfraquecendo desde 2022, com queda nos volumes descobertos anualmente  que não chegaram sequer ao mínimo da década anterior, de 750 milhões de boe, registrado em 2018.

De acordo com o levantamento, as descobertas no Canadá e no México praticamente estagnaram, deixando o Golfo do México como a principal fonte de novos volumes. As descobertas recentes continuam concentradas em petróleo e em bacias maduras.

Em 2025, as descobertas totais na região caíram para cerca de 238 milhões de barris.

De forma geral, a Rystad avalia que  essa dependência contínua de bacias maduras, juntamente com a queda nos volumes descobertos, aponta para um potencial limitado de crescimento da exploração convencional na América do Norte.

Sem acesso a novos players ou uma melhora significativa no sucesso exploratório, a região tende a permanecer marcada por adições incrementais.

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