diálogos da transição

Petroleiras avançam com CCS na Noruega em meio a cortes em transição

Transporte de CO2 do projeto Northern Lights | Foto: Ruben Soltvedt/Northern Lights
Transporte de CO2 do projeto Northern Lights | Foto: Ruben Soltvedt/Northern Lights

NESTA EDIÇÃO. Shell, Equinor e TotalEnergies chegam a Decisão Final de Investimento da segunda fase do Northern Lights, no Mar do Norte.

Petroleiras fecharam acordo comercial de 15 anos com empresa sueca de energia para transportar e armazenar 900 mil toneladas de CO2 por ano, a partir de 2028.


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Shell, Equinor e TotalEnergies anunciaram, na última semana, a Decisão Final de Investimento (FID) da segunda fase do desenvolvimento de seu principal projeto de captura e armazenamento de carbono (CCS) na Europa, o projeto Northern Lights, no oeste da Noruega.
 
Com investimentos de cerca de US$ 713 milhões, o consórcio irá expandir a capacidade de transporte e armazenamento de 1,5 milhão para mais de 5 milhões de toneladas de CO2 por ano a partir de 2028.
 
A decisão de avançar com o empreendimento no Mar do Norte foi motivada pela chegada de um novo cliente e ocorre em meio a uma onda de recuos em investimentos em transição energética e tecnologias de baixo carbono.
 
As petroleiras europeias fecharam um acordo comercial de 15 anos com a empresa de energia de Estocolmo (Suécia), a Stockholm Exergi, para transportar e armazenar 900 mil toneladas de CO2 por ano, começando em 2028.
 
A Stockholm Exergi é a quinta empresa a se comprometer com a Northern Lights para o serviço de transporte e armazenamento de CO2. Heidelberg Materials e Celsio na Noruega, Yara na Holanda e Ørsted na Dinamarca também já firmaram acordos com a joint-venture formada por Shell, Equinor e TotalEnergies.
 
Ainda de acordo com o grupo, há discussões avançadas com “vários grandes clientes industriais europeus” para comercializar a capacidade de armazenamento restante.
 
“A decisão de expandir nossos serviços de transporte e armazenamento de CO2 representa o próximo passo na construção de um mercado de CCS comercialmente viável na Europa”, comenta Tim Heijn, diretor administrativo da Northern Lights JV.
 
Segundo o executivo, a intenção é estabelecer uma cadeia de CCS para ajudar na descarbonização de indústrias intensivas e permitir que a Europa atinja suas metas climáticas.
 
Inaugurado em setembro de 2024, o Northern Lights é fruto de uma parceria entre as três petroleiras com o governo da Noruega, e visa oferecer o serviço CCS em larga escala, uma tecnologia essencial para descarbonizar setores industriais da Europa de difícil adaptação, como o óleo e gás.



Até 2034, o mundo deve demandar cerca de 640 milhões de toneladas ano (Mtpa) de capacidade de armazenamento de carbono e precisa acelerar investimento para fazer isso acontecer, mostra um levantamento da Wood Mackenzie.
 
Hoje, a capacidade está em torno de 50 Mtpa e os cenários econômicos e geopolíticos indicam que ela deve ficar abaixo da demanda, em 440 Mtpa até meados da próxima década.
 
Apesar de fazer parte de estratégias ao redor do mundo para lidar com as emissões de indústrias onde a transição energética será mais lenta e cara – cimento, químicos, aço, petróleo e gás –, os investimentos nesta tecnologia não estão ocorrendo na velocidade necessária.
 
Só em 2024, os aportes para desenvolver projetos de CCS ao redor do mundo caíram pela metade, ficando em US$ 6,1 bilhões, de acordo com a BloombergNEF
 
A consultoria observa uma diferença marcante entre o investimento em setores maduros e emergentes e lista fatores como acessibilidade, maturidade tecnológica e escalabilidade comercial desencorajando o capital privado.

Menos de cinco anos após iniciarem um rebranding para conversão de petroleiras em empresas de energia, majors europeias passam a recuar de suas metas de investimentos em renováveis para focar na sua atividade principal: petróleo.
 
E o CCS é um caminho para dar longevidade a esses ativos.
 
No início de fevereiro, a Equinor anunciou redução nas metas para investimentos em geração de energia renovável até 2030, enquanto reforça sua atuação no setor O&G, em busca de maiores retornos para os acionistas
 
A petroleira também desistiu do compromisso de destinar pelo menos metade dos investimentos a projetos de baixo carbono na atual década.  
 
Um mês antes, a Shell já havia suspendido globalmente novos projetos de eólica offshore e restringido investimentos em hidrogênio verde. 
 
Ambas as empresas justificaram a decisão com o argumento de que os desafios na cadeia de suprimentos e a inflação estão levando a um desenvolvimento mais lento do que o esperado desses novos mercados.


Leilão de carbono. Petrobras e BNDES lançaram nesta segunda (31/3) o programa ProFloresta+ para fomentar a restauração florestal de 50 mil hectares da Amazônia e estruturar o mercado de carbono no Brasil, com a comercialização de 15 milhões de créditos. Segundo o diretor de Transição da Petrobras, Mauricio Tolmasquim, o projeto foi inspirado no modelo de leilões do setor elétrico.
 
Lula no Vietnã. No Fórum Econômico Brasil-Vietnã, o presidente brasileiro disse que a descarbonização não é uma escolha, mas uma necessidade e uma grande oportunidade. “Temos décadas de experiência em biocombustíveis, que são alternativas de baixo custo para os setores automotivo e de aviação, e mesmo para a geração de energia elétrica. Há potencial de cooperação em energia eólica e solar, bem como em hidrogênio verde”, discursou. 
 
Alinhamento climático. A Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) deve estar alinhada com outros instrumentos de política climática nacionais, defendem o gerente técnico de Clima do Cebds, Lucas Grilo, e o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo. Consulta pública sobre a metodologia encerra nesta segunda (31/3).
 
Em votação. Na primeira semana de abril, o Plenário da Câmara dos Deputados pode votar propostas sobre meio ambiente, como o PL 6969/13, que cria a Lei do Mar, e o PL 3339/24, que aumenta as penas para crimes ambientais e proíbe aquele que fizer incêndio em floresta de contratar com o poder público ou receber subsídios.
 
Devendo CBIOs. A ANP individualizou as metas dos créditos de descarbonização da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio). Além das metas de 2025, de 40,4 milhões de CBIOs, há mais de 10,3 milhões de créditos devidos de 2024. Ao todo, 59 das 160 distribuidoras têm débitos
 
Contratação de térmicas. O Ministério de Minas e Energia prorrogou até 30 de setembro o modelo criado em 2024 para contratação de potência de usinas termelétricas existentes, destinada ao atendimento à ponta de carga. O fim da operação diferenciada estava previsto para 31 de março, o que coincide com o fim do período úmido em boa parte do Brasil. As chuvas vieram abaixo da média nos meses de fevereiro e março.
 
Mineração no fundo do mar. A 30 Sessão da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA, em inglês) terminou na última sexta (29/3) com a leitura do texto consolidado do projeto de regulamento para exploração mineral no fundo do mar, mas ainda sem uma definição sobre o documento que ditará as regras para liberar a atividade. “Nada está acordado até que tudo esteja acordado”, disse o embaixador da Uganda Duncan Laki, eleito para presidir o Conselho da 30ª reunião.
 
Movidos a gás. A Gasmig e a Iveco firmaram uma parceria para ampliar o uso do gás natural veicular (GNV) e do biometano no transporte de cargas e passageiros em Minas Gerais. A montadora fabrica, sob demanda, veículos de cargas movidos a gás em Sete Lagoas (MG) e tem planos de aumentar a sua presença nesse mercado, liderado no Brasil pela Scania.
 
Transição na frota de BH. Entrou em operação assistida nesta segunda-feira (31/3), em Belo Horizonte (MG), o primeiro micro-ônibus movido a GNV e biometano do estado. Uma parceria entre Prefeitura, Gasmig, Volare, Agrale e Associação dos Motoristas do Transporte Suplementar de BH, o ônibus irá circular entre abril e maio, em quatro rotas diferentes do transporte regular de passageiros. 
 
Eren no mercado de biometano. O grupo europeu Eren e a IVRI anunciaram a criação de uma joint venture, a Eren Biogás Brasil (EBB), para desenvolvimento e investimento em projetos de biogás e biometano – além de biofertilizantes, CO2 biogênico e atributos ambientais. A companhia pretende atuar na produção do gás renovável tanto a partir de resíduos sólidos urbanos quanto de provenientes dos setores agroindustriais.
 
Autoprodução atrai datacenters… A contratação de energia no modelo de autoprodução tem sido uma das saídas encontradas por data centers para economizar nas tarifas de energia elétrica no Brasil. A atividade que demanda uma carga de energia elevada está em expansão em todo o mundo e representa uma oportunidade para o Brasil.
 
…e clientes de menor porte. Os contratos de autoprodução de energia elétrica estão começando a atrair consumidores com cargas menores e mais pulverizadas, depois de um crescimento acelerado entre clientes eletrointensivos, segundo a Thymos Energia. Ao todo, a consultoria estima que a autoprodução vai movimentar cerca de 1 gigawatt-médio de energia em 2025.
 
Financiamento climático. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) lançou no sábado (29) o Preparados e Resilientes nas Américas, um programa regional projetado para aumentar a resiliência frente aos desastres climáticos na região. O BID destinará US$ 10 milhões em financiamento não reembolsável para o programa entre 2025 e 2030, adicional ao financiamento e à cooperação técnica que oferece aos países.

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