diálogos da transição

Guerra amplia incertezas sobre investimentos em energia

“Incerteza externa excepcionalmente alta”, com guerras e tensões comerciais, é um dos fatores que assombram negócios

Irã sob ataque dos EUA e de Israel, com fortes explosões em Teerã na manhã de 28 de fevereiro de 2026 (Foto RS/aFotos Públicas)
Irã sob ataque dos EUA e de Israel, com fortes explosões em Teerã na manhã de 28 de fevereiro de 2026 (Foto RS/aFotos Públicas)

NESTA EDIÇÃO.  Risco político segue como principal barreira ao crescimento de empresas do setor de energia, mostra pesquisa.

Há, no entanto, uma sensação de otimismo em relação ao próximo ano, alimentada por perspectivas de demanda com a eletrificação.


EDIÇÃO APRESENTADA POR:

O risco político é, de longe, a maior barreira ao crescimento para empresas do setor de energia, uma percepção que persiste entre executivos da indústria desde 2024, mostra pesquisa DNV divulgada esta semana.
 
A escalada dos conflitos no Oriente Médio após os ataques, de EUA e Israel ao Irã no final de fevereiro, desencadeou o maior choque nos mercados globais de energia em anos e reforçou as incertezas em relação ao curto prazo.
 
O levantamento realizado entre janeiro e março de 2026, com 1.095 profissionais do setor de 96 países, mostra que apenas metade espera atingir as metas de lucro.
 
Entre os principais fatores que assombram os negócios estão a “incerteza externa excepcionalmente alta”, com guerras e tensões comerciais, e políticas instáveisespecialmente em relação à descarbonização.
 
Embora enxerguem que alguns fundamentos permanecem favoráveis, como eletrificação, contratos de longo prazo e aumento da demanda por eletricidade, eles apontam que a execução, o investimento e a lucratividade no curto prazo são limitados. 
 
O risco político é calculado a partir de conflitos militares, mudanças na política nacional, barreiras comerciais e tarifárias, além de intervenções estatais em exportações, contratos ou recursos naturais. 
 
Crescimento do PIB, inflação, desafios trabalhistas e as regulamentações também entram na conta.
 
“A transição energética já varia significativamente de região para região, e os choques geopolíticos muitas vezes reforçam essas diferenças”, afirma Al-Karim Govindji, chefe de Assuntos Públicos de Sistemas de Energia da DNV.
 
“Os países têm diferentes recursos energéticos, diferentes níveis de dependência de importações e diferentes prioridades políticas. Isso significa que os impactos econômicos e energéticos do conflito são muito diferentes em cada região”, completa.



A guerra no Irã interrompeu as cadeias de suprimento de petróleo e gás, elevou preços e está forçando governos e empresas a repensarem suas abordagens em relação à segurança energética.
 
O relatório da DNV (.pdf) aponta que o cenário é um lembrete da fragilidade das cadeias globais de suprimento de energia.
 
O que, para a maioria dos entrevistados, tem seu lado positivo.
 
No geral, a análise é de que a década de 2020 será lembrada como um período de crescimento interrompido. 
 
“Mesmo antes da guerra no Irã, previa-se que esta década registraria o nível mais fraco de crescimento global desde a década de 1960”, diz o relatório.
 
Há, no entanto, novas oportunidades surgindo conforme a segurança energética ganha espaço nas estratégias nacionais e avança a eletrificação de edifícios, transportes e indústria.
 
A pesquisa divide os que estão otimistas em relação ao próximo ano (63%) em dois grupos: aqueles que se beneficiam da transição (especialmente energias renováveis, armazenamento e expansão da rede elétrica) e aqueles que se beneficiam da resiliência dos hidrocarbonetos
 
Estes últimos, citam a importância do petróleo e do gás, bem como as oportunidades do GNL e os novos ciclos de exploração e produção em algumas regiões.
 
Os mais pessimistas são minoria (18%) e observam queda na atividade, projetos atrasados ​​ou cancelados, margens de lucro menores, mudanças nas políticas e declínio do apoio político à transição energética.
 
Os demais são neutros (nem otimistas nem pessimistas). Com sinais mistos, eles enxergam as empresas em compasso de espera, “agindo de forma conservadora até que um cenário mais claro se desenvolva”, resume o relatório.


R$ 3 bi em transmissão. O primeiro leilão de transmissão de energia de 2026, realizado nesta sexta (27/3), terminou com todos os cinco lotes arrematados e um deságio médio de 50,68% sobre a Receita Anual Permitida (RAP) máxima estabelecida pela Aneel — o maior percentual registrado para desde 2020.
 
Capital verde. O BNDES anunciou R$ 10 bilhões em linhas de crédito para financiar a difusão de máquinas e equipamentos da indústria 4.0 e para bens de capital voltados a projetos da economia verde. Os recursos serão disponibilizados em duas linhas de crédito do programa BNDES Mais Inovação.
 
Hub de biometano na Sulgás. A distribuidora de gás canalizado do Rio Grande do Sul lançou, nesta sexta (27/3), o projeto do primeiro hub de biometano do estado, o Sulgás BioHub. A expectativa é de que as operações iniciem em 2027.   
 
Biodiesel para reduzir emissões da soja. A COFCO International lançou um projeto piloto que busca reduzir cerca de 94% das emissões do transporte de soja pelo estado do Mato Grosso, usando biodiesel puro no abastecimento dos caminhões. Desenvolvida com a Transpanorama e JF Andrade, a iniciativa conta com investimento de R$ 4,5 milhões.
 
Salvaguardas. O MDIC abriu uma tomada de subsídios para definir as regras das salvaguardas bilaterais no Brasil em acordos comerciais. O instrumento é utilizado para proteger a indústria nacional em caso de surto de importações que cause ou ameace causar dano.
 
Sesc renovável. O Sesc BA fechou contrato com a EDP para fornecimento de energia renovável por meio do mercado livre, na modalidade varejista. A parceria prevê o suprimento de 0,61 MW médios, que totalizam 26.718 MWh, para 14 unidades da entidade até 2030.
 
Estágio na Siemens Energy. A empresa de tecnologia de energia está com inscrições abertas, até 13 de abril, para o Programa de Desenvolvimento de Talentos 2026. São 80 vagas para graduandos com formação prevista entre junho de 2027 e julho de 2028. Os postos estão distribuídos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia, em modalidades híbrida e presencial.

O elo crítico da expansão energética no Brasil O Brasil acertou ao colocar a transmissão de volta no centro da agenda. Agora, precisa aprofundar esse movimento com uma agenda de Estado, escreve Marcela Souza
 
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