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Crise climática aumenta pobreza na América Latina

Crise climática pode levar à pobreza pelo menos 5,9 milhões de crianças e jovens na América Latina e no Caribe até 2030

Crise climática aumenta pobreza na América Latina (Foto: Nações Unidas/Rodolpho Valente)
Crianças brincam nas margens do Rio Negro, no Norte do Brasil (Foto: Nações Unidas/Rodolpho Valente)

NESTA EDIÇÃO. Mudanças climáticas podem levar pelo menos 5,9 milhões de crianças e jovens na América Latina e no Caribe à pobreza até 2030, aponta Cepal.

No Brasil, ANA projeta que todos os estados devem enfrentar cenários de escassez de água por volta de 2040.

Enquanto no mundo o desmatamento é responsável por mais de 28 mil mortes anuais por calor.


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As mudanças climáticas podem levar à pobreza pelo menos 5,9 milhões de crianças e jovens na América Latina e no Caribe até 2030, a menos que os governos ajam agora, mostra um relatório publicado nesta quinta (28/8) pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (Cepal).
 
Esse número pode ser três vezes maior, e alcançar 17,9 milhões se os países não cumprirem seus compromissos de reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE).
 
O documento elaborado em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) também alerta que é preciso garantir que o financiamento climático priorize serviços de resiliência para crianças.
 
Ele chega a menos de três meses da COP30, a cúpula climática sediada pelo Brasil em Belém (PA), uma cidade amazônica exposta aos efeitos de eventos extremos como secas e ondas de calor.
 
Encontro onde quase 200 países precisam apresentar metas até 2035, para reduzir emissões de GEE de modo a limitar o aquecimento do planeta a 1,5ºC até 2100.
 
Segundo os cientistas, crianças e adolescentes são os que mais sofrem com as mudanças climáticas porque estão mais vulneráveis a fenômenos como enchentes e calor extremo,  que, ao mesmo tempo, prejudicam o sustento de suas famílias e sua educação.
 
financiamento climático — assunto de destaque na COP29, no ano passado, e que deve continuar em alta no evento marcado para novembro — é um ponto chave para reduzir essa vulnerabilidade.
 
Em Baku, no final de 2024, países ricos se comprometeram a mobilizar US$ 300 bilhões por ano até 2030 para nações de renda baixa e média adaptarem suas economias. Valor que ficou abaixo das expectativas de US$ 1,3 trilhão.
 
Até então a promessa era de US$ 100 bilhões e há muita discussão sobre o valor ter sido cumprido ou não. Ainda assim, muita coisa ficou de fora.
 
O relatório observa que, hoje, o financiamento climático não prioriza os serviços resilientes de saúde, nutrição, educação, água e saneamento de que crianças e jovens precisam. 
 
Na América Latina e no Caribe, apenas 3,4% desses recursos multilaterais são dedicados às crianças, aponta o Cepal.



No Brasil, onde o equilíbrio fiscal é uma dificuldade crônica, agentes públicos afirmam que faltam recursos para lidar com a crise climática e oferecer serviços de qualidade à população.
 
Foi tema de uma audiência pública na Comissão Mista de Orçamento na quarta (27).
 
Entre as situações críticas, está a hídrica. O diretor interino da Agência Nacional de Águas (ANA), Marcelo Medeiros, disse que há risco de desligamento de parte das estações que monitoram os recursos do país.
 
“A nossa projeção é que, se isso continuar, até o final do ano que vem vamos desligar cerca de 40% da rede de monitoramento, que é a maior da América Latina. Na maior parte do Brasil, quem cobre as bacias é apenas a ANA. Os estados também não têm recursos, são poucos os que operam redes de monitoramento.”
 
Segundo ele, as mudanças climáticas devem levar todos os estados a enfrentar cenários de escassez de água por volta de 2040. O aumento da temperatura faz a água evaporar mais rapidamente e provoca chuvas intensas, que não são totalmente absorvidas pelo solo. (Agência Câmara)

Um dos causadores do aumento de emissões, o desmatamento foi relacionado por cientistas a 28.330 mortes não acidentais por ano, graças ao calor.
 
O trabalho publicado na revista científica Nature Climate Change, por pesquisadores da Universidade de Leeds (Reino Unido), Fiocruz e Universidade Kwame Nkrumah de Ciência e Tecnologia (Gana) analisou todas as regiões tropicais do mundo (Américas, África e Ásia).
 
A conclusão é que, em quase 20 anos (entre 2001 e 2020), 345 milhões de pessoas foram expostas ao aquecimento local resultante do desmatamento nessas regiões. 
 
O aumento médio de temperatura experimentado por essas populações foi de 0,27 °C durante o dia, o que tem efeitos diretos sobre a mortalidade, segundo os pesquisadores. (Agência Brasil)


Carbono Oculto. A ação da Polícia Federal, com apoio da Receita Federal e do Ministério Público Estadual, cumpriu, nesta quinta (28), 200 mandados de busca e apreensão contra 350 alvos em dez estados, entre empresas, corretoras e fundos de investimento — 42 deles concentrados em cinco endereços na Faria Lima, em São Paulo.

  • Enquanto isso, o Congresso Nacional mantém parado um pacote para endurecer a fiscalização e coibir fraudes no mercado de combustíveis como as que foram alvo da operação Carbono Oculto
  • O nome da operação faz referência ao elemento químico presente nos combustíveis e ao ocultamento de recursos ilícitos em fintechs e fundos. 

Bioenergia na visita ao México. O primeiro dia da missão oficial liderada pelo vice-presidente e ministro, Geraldo Alckmin, ao México rendeu um acordo de cooperação para ampliar a produção de etanol, desenvolver combustíveis sustentáveis para aviação (SAF) e transporte marítimo, além de estimular captura e armazenamento de carbono..
 
Gás para data centers. O gás natural poderá garantir a confiabilidade no fornecimento de energia diante da demanda de novos data centers no Brasil, defende a vice-presidente da Equinor no país, Claudia Brun. A executiva aponta que expansão acelerada de fontes intermitentes aumenta relevância de térmicas na segurança do sistema.
 
Novo vale-gás. O presidente Lula (PT) lançará o Gás do Povo, que substitui o vale-gás, na próxima quinta-feira (4/9), no Aglomerado da Serra, maior conglomerado de favelas de Belo Horizonte (MG). A escolha da cidade atende a um pedido do ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira (PSD).
 
Transição justa. A Câmara dos Deputados aprovou, na quarta (27/8), projeto de lei que facilita crédito para agricultor familiar investir em energia solar. A proposta reserva R$ 400 milhões em garantias para geração compartilhada no campo e institui iniciativas nacionais de florestas produtivas e agroecologia.
 
100% renovável. O Grupo CPFL Energia anunciou nesta quinta-feira (28/8), em evento no MME, que sua matriz de geração de energia passou a ser 100% renovável, antecipando meta de 2030. Resultado foi alcançado com o encerramento das operações da usina Epasa, na Paraíba, que representava 4% da geração da empresa.
 
Foz do Amazonas. O Ibama informou em nota, na quarta-feira (27/8), o próximo passo no licenciamento do bloco FZA-M-59 na Margem Equatorial. Após a Avaliação Pré-Operacional (APO), haverá a desmobilização da equipe do Instituto, que iniciará os trabalhos de análise dos resultados dos diversos postos de observação.
 
Renováveis no RN. O governo do Rio Grande do Norte e o Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) lançaram uma plataforma de acesso gratuito com dados medidos e estudos técnicos sobre o setor energético do estado. A expectativa é subsidiar decisões de investimento e planejamentos na área.

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