NESTA EDIÇÃO. Presidência da COP30 abriu consulta sobre a transição dos combustíveis fósseis na sexta (27).
Escalada de conflitos no Oriente Médio dispara preços do petróleo e levanta a questão: crise vai impulsionar renováveis ou reforçar busca por segurança?
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A presidência da COP30 está colhendo contribuições para os mapas do caminho para a transição para longe dos combustíveis fósseis e para o fim do desmatamento. As consultas vão até 31 de março e chegam em um momento turbulento para os mercados de energia, agravado pela escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Na última sexta (27), o presidente da cúpula de Belém (PA), André Corrêa do Lago, enviou uma carta (.pdf) aos países membros da UNFCCC pedindo que enviem suas sugestões.
Na consulta, os países devem responder algumas questões:
- Quais são as barreiras mais críticas à transição dos combustíveis fósseis?
- Que alavancas existem para acelerar a implementação do compromisso assumido na COP28?
- Que experiências podem ser compartilhadas?
- Como uma transição justa pode melhor refletir as diversas realidades dos países?
A carta também traz algumas pistas do que o documento de Corrêa do Lago pretende entregar, como análises de riscos climáticos, econômicos e de financiamento, além de perspectivas tanto da oferta quanto da demanda para a transição energética.
Chega em um momento turbulento. Há duas semanas, o desfecho da reunião ministerial da Agência Internacional de Energia (IEA) demonstrou como a diplomacia internacional tem “pisado em ovos” em relação à agenda de transição.
A expressão do momento é segurança energética e isso ficou claro na declaração final da tensa reunião em Paris.
Após pressão dos Estados Unidos, o resumo divulgado pela presidência da IEA veio sem menções ao combate às mudanças climáticas na lista de prioridades da agência, que escolheu focar em segurança energética, resiliência, minerais críticos e sistemas de eletricidade. (Politico)
Em outra frente, a Colômbia convidou quase 100 países para a conferência sobre a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, marcada para 24 a 29 de abril em Santa Marta.
Enquanto o Brasil se concentra na política, a Colômbia quer um enfoque técnico: o encontro irá discutir mecanismos financeiros e comerciais, desafios macroeconômicos e eliminação de subsídios fósseis, entre outros pontos.
No meio do caminho, uma nova guerra
Um dia depois do lançamento da consulta, uma nova guerra estourou no Oriente Médio com impactos no mercado de petróleo e potencial de influenciar as discussões sobre transição energética.
O mercado de petróleo iniciou esta segunda-feira (2/3) sob a expectativa de uma alta nos preços do barril, após os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, seguidos por bombardeios iranianos a outros países do Oriente Médio, incluindo Emirados Árabes Unidos e Qatar. (Leia na newsletter comece seu dia)
Foram confirmadas as mortes do líder-supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, além de soldados estadunidenses e de civis israelenses e iranianos.
O conflito levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Segundo a Bloomberg, este também pode ser o maior impacto nos mercados de gás desde 2022, com os preços do gás na União Europeia disparando 28% até o momento.
Não se sabe quando a guerra terminará, mas analistas enxergam que o alcance sobre políticas energéticas podem ir de um extremo ao outro.
De um lado, os altos preços do petróleo e do gás são, em princípio, uma boa notícia para as tecnologias alternativas, pois as tornam mais competitivas.
Do outro, países como China e Índia, que estão entre os mais afetados pelo fechamento do canal, tendem a recorrer ao carvão para amenizar os efeitos nos preços do gás no curto prazo. (Bloomberg)
Cobrimos por aqui
Curtas
Conflito no Oriente Médio. O mercado global de gás natural mergulhou num clima de nervosismo nesta segunda-feira (2/3), diante dos novos contornos da escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio. A guerra alimenta um novo choque de preços no mercado global de gás – a exemplo daquele vivido em 2022, no contexto da eclosão da guerra na Ucrânia. Confira a análise de André Ramalho
- A Arábia Saudita fechou temporariamente a refinaria de Ras Tanura, próxima a Dammam, após o complexo ser alvo de drones iranianos nesta segunda (2/3). A unidade é operada pela estatal Saudi Aramco e tem capacidade superior a 500 mil barris de petróleo por dia.
- Após ataques militares às suas instalações nas cidades de Ras Laffan e Mesaieed, a QatarEnergy anunciou a suspensão da produção de GNL, retirando assim uma de suas principais fornecedoras globais do mercado.
- No Brasil, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, disse que a alta do petróleo não deve gerar pressão inflacionária relevante, desde que o barril da commodity continue oscilando entre US$ 75 e US$ 85.
- A Opep+ concordou em ampliar a produção em 206 mil barris/dia de petróleo a partir de abril, após reunião entre oito dos principais produtores do grupo no domingo (1º/3).
Petróleo em alta. O petróleo fechou em alta robusta nesta segunda-feira (2/3), embora tenha perdido parte do ímpeto da manhã, quando saltou quase 10% frente a temores de uma guerra prolongada entre Estados Unidos e Irã. O Brent para maio subiu 6,68% (US$ 4,80), a US$ 77,74 o barril.
Fila de conexão. O Ministério de Minas e Energia (MME) abriu uma audiência pública sobre as diretrizes para as Temporadas de Acesso ao sistema de transmissão e sua Análise de Impacto Regulatório. As diretrizes fazem parte da implementação da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (Pnast).
AliançaBiodiesel. Empresas associadas à Aprobio (biodiesel) e à Abiove (óleos vegetais) irão se unir em uma aliança para unificar estratégias de promoção do biocombustível no Brasil e no mercado internacional. A AliançaBiodiesel será lançada oficialmente em 25 de março, em Brasília (DF).
- Qualidade do produto e regulamentação da lei do Combustível do Futuro são prioridades neste momento. O grupo também está de olho no mercado externo.
Portos sustentáveis. O Ministério de Portos e Aeroportos abriu consulta pública para atualizar a Política de Sustentabilidade e o Pacto pela Sustentabilidade. A iniciativa busca contribuições sobre critérios técnicos, prazos e procedimentos associados à obtenção do selo de sustentabilidade por parte dos operadores. As sugestões podem ser enviadas até o dia 18 de março na Plataforma Brasil Participativo.
Economia azul. O Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) instalou o primeiro equipamento do seu centro de referência para pesquisas ligadas à futura geração de energia offshore, entre outras atividades da chamada “Economia Azul”. O LiDAR de Varredura que possibilita ganhos como medições de velocidade e direção de ventos a até 2km de altura está localizado no Porto-Ilha de Areia Branca.
Biocombustível marítimo. Be8 e Navegação Aliança alcançaram redução de 99,41% nas emissões de gases de efeito estufa durante testes com um biocombustível capaz de substituir 100% do diesel marítimo na navegação interior.
- Realizados em dezembro de 2025, os testes contabilizaram mais de 50 horas de navegação contínua no trecho entre as cidades de Porto Alegre, Rio Grande, Pelotas e Guaíba (RS), acompanhados pela equipe técnica da Volvo Penta. O relatório de emissões foi elaborado pela Waycarbon.
Diversidade. A Rio+Saneamento está com 46 vagas de emprego exclusivas para PcDs abertas em diferentes municípios. As oportunidades são destinadas a profissionais com níveis de escolaridade fundamental, médio e técnico e incluem cargos como agente comercial, assistente técnico em engenharia, assistente administrativo, eletricista e ajudante geral.

