NESTA EDIÇÃO. China deixa espaço para aumento de emissões em novo plano econômico.
País também revisa intenção de reduzir consumo de carvão. Meta é estabilizar.
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Mesmo liderando a expansão de energias renováveis no mundo, a China decidiu, no plano econômico para os próximos cinco anos, flexibilizar ligeiramente sua meta climática, permitindo que suas emissões aumentem até 2030.
Divulgado nesta quinta (5/3), o 15º Plano Quinquenal chinês traz o compromisso de reduzir as emissões de carbono por unidade do PIB em 17% entre 2026 e 2030. A ambição é ligeiramente inferior aos 18% estabelecidos para o período de 2021 a 2025 e que não foram alcançados. (Reuters)
Como o compromisso é focado na intensidade de carbono, as emissões ainda podem aumentar a depender da taxa de crescimento econômico.
Já a meta de crescimento do PIB para 2026 foi reduzida para “4,5% a 5%”, ante os “cerca de 5%”, do período anterior.
Responsável por pouco mais de 29% das emissões globais, o país é historicamente conservador em suas metas climáticas, o que aumenta o desafio global de limitar o aquecimento do planeta a 1,5ºC até o fim do século.
A dependência do carvão segue um problema. Maior consumidora do combustível fóssil mais intensivo em carbono, a China omitiu do plano a menção anterior à redução gradual do seu uso.
Agora, a intenção é estabilizar o consumo de carvão, com meta de chegar a 25% de energia não fóssil até 2030.
O plano econômico chega em meio a uma nova guerra no Oriente Médio, após o ataque dos Estados Unidos ao Irã no fim de semana, com impactos diretos sobre o mercado de petróleo e gás na Ásia.
O cenário de instabilidade no abastecimento e preços levanta temores de que a China precise recorrer ao carvão para geração térmica, em substituição ao gás natural importado.
No documento que foi apresentado na reunião parlamentar conhecida como Congresso Nacional do Povo, o governo chinês também indica estabilidade na produção doméstica de petróleo, em 200 milhões de toneladas anuais, mas planeja aumentos na produção de gás natural.
Boom solar e emissões estáveis
As emissões de CO2 da China caíram 1% no último trimestre de 2025, indicando que o maior emissor global pode ter alcançado uma redução de 0,3% no ano passado, calcula o Carbon Brief.
Significa que o país caminha em direção a dois anos de emissões estáveis ou em queda, período que começou em março de 2024.
Uma das protagonistas dessa jornada é a indústria fotovoltaica. A expansão das instalações de capacidade solar ajudou a suprir uma parcela crescente da demanda por eletricidade.
Ainda de acordo com o Carbon Brief, o setor de energia viu sua demanda por eletricidade crescer 520 terawatts-hora (TWh) em 2025.
Ao mesmo tempo, a geração solar e eólica forneceram 360 TWh e 130 TWh de eletricidade limpa adicional, respectivamente, enquanto a nuclear garantiu 40 TWh, suprindo todo o crescimento da demanda.
A geração de energia hidrelétrica também aumentou 3% e a de bioenergia 3%, contribuindo para reduzir a geração de energia a partir de combustíveis fósseis em 1%.
Ainda assim, a China encontra dificuldades em substituir os fósseis na indústria química. O setor foi um dos poucos com crescimento de emissões no ano passado (12%), impulsionadas por aumentos de 15% e 10% no uso de carvão e petróleo, respectivamente.
Cobrimos por aqui
Curtas
90% na Europa. Os países membros da União Europeia aprovaram nesta quinta (5/3) a nova meta climática de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 90% até 2040. Após acordo, a proposta do Conselho Europeu foi flexibilizada para permitir que 5% da ambição possa ser cumprida por meio de compensações com créditos de carbono.
Mais um mapa do caminho. A Frente Parlamentar Ambientalista e o Observatório do Clima lançaram na quarta (4/3), a Agenda Legislativa 2026 para o meio ambiente com transição energética nas prioridades. Entre as propostas consideradas urgentes para análise está o PL 6615/25, que cria um “mapa do caminho” para o Brasil substituir combustíveis fósseis.
Carvão judicializado. O Instituto Arayara apresentou uma ação na Justiça Federal contra a participação de térmicas a carvão no leilão de reserva de capacidade (LRCAP) de 18 de março. A ação afirma que a inclusão das usinas a carvão no certame apresenta vício de motivação, desvio de finalidade e viola compromissos climáticos assumidos pelo Brasil.
Guerra e LRCAP. O fechamento do Estreito de Ormuz e os desdobramentos no mercado internacional alteram como os supridores de gás natural estão posicionados para o leilão de reserva de capacidade, disse o sócio-diretor da A&M Infra, Rivaldo Moreira Neto, durante participação em debate promovido pelo estúdio eixos.
Salvaguardas bilaterais. O presidente Lula (PT) assinou na quarta (4/3) o decreto que regulamenta, pela primeira vez, os procedimentos para a investigação e aplicação de salvaguardas bilaterais. A medida chega em meio ao processo de ratificação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

