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Brasil precisa se preparar para transição intensiva em minerais

Transição energética requer salto na oferta de minerais críticos e terras raras e Brasil precisa se preparar para desenvolver cadeia de valor

Mina Catumbi na divisa dos municípios de Muzambinho e Cabo Verde, em Minas Gerais onde foi descoberto depósito de terras raras (Foto Divulgação Cabo Verde Mineração)
Mina Catumbi na divisa dos municípios de Muzambinho e Cabo Verde, em Minas Gerais onde foi descoberto depósito de terras raras (Foto Divulgação Cabo Verde Mineração)

NESTA EDIÇÃO. Com demanda por minerais prevista para saltar até 25 vezes, país precisa se preparar para aproveitar seus recursos.

Brasil detém cerca de 20% das reservas globais de terras raras, mas o caminho até conquistar essa fatia de mercado é longo, aponta XP.


EDIÇÃO APRESENTADA POR:

Com a demanda por energia prevista para dobrar no Brasil até 2055, a necessidade de minerais críticos e terras raras ficará cada vez mais intensa e o país tem pela frente o desafio de transformar seu potencial mineral em vantagem competitiva.
 
Em consulta desde o início de fevereiro, o Plano Nacional de Energia 2055 (PNE 2055) estima que a demanda por minerais estratégicos na geração de energia elétrica pode saltar 3,5 vezes até 2055 em um cenário conservador ou ser até sete vezes maior no cenário de emissões líquidas zero.
 
Para produção de baterias, as projeções indicam demandas que variam de 11 até 25 vezes a atual.
 
Isso porque a mobilidade elétrica depende fortemente de baterias, intensivas em lítio, grafite e outros minerais estratégicos. Além disso, a eficiência dos motores depende do uso de ímãs permanentes à base de terras raras. 
 
“Esse movimento reforça a centralidade das cadeias minerais para a viabilização da transição energética, incluindo as etapas de transformação mineral e produção de componentes industriais”, destaca o documento elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
 
E alerta para a vulnerabilidade de suprimentos, já que a cadeia de valor desses insumos está concentrada fora do país, atualmente, o que amplia riscos à disponibilidade, aos custos, ao ritmo de difusão das tecnologias e à resiliência do sistema energético nacional.
 
“O Brasil apresenta oportunidades estratégicas na transição energética em função de sua elevada diversidade geológica e da presença de reservas relevantes de minerais estratégicos (…). O avanço da transformação mineral no território nacional é condição central para capturar maior valor associado a motores elétricos, baterias e equipamentos de geração renovável, contribuindo para uma transição mais justa e inclusiva”, diz o PNE.
 
Grandes economias já entraram nessa corrida. Nos EUA, o republicano Donald Trump tem avançado sobre países com reservas para fechar acordos e garantir suprimentos. A União Europeia também tem se movimentado, de olho, inclusive, no potencial da América Latina.
 
O Brasil sabe disso e os discursos do governo federal indicam que há intenção de capturar investimentos dessas potências. Mas falta avançar com um marco legal que garanta que o país não será apenas um fornecedor de commodities.



Relatório da XP analisa que o Brasil detém cerca de 20% das reservas globais de terras raras, mas ainda é um produtor marginal, com Serra Verde como a única mina em operação.
 
Um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a alta tecnologia, as terras raras são insumos para fabricação de ímãs superpotentes, motores de carros elétricos e turbinas eólicas, além de eletrônicos, equipamentos médicos e de defesa.
 
Mas a produção está super concentrada: aproximadamente 70% da cadeia de valor é dominada pela China, que produz cerca de 70% do minério global e tem mais de 90% da capacidade de refino.
 
Com Estados Unidos e União Europeia acelerando esforços de diversificação, a XP enxerga o Brasil como um parceiro natural, por ser um dos poucos capazes de fornecer esses insumos em escala.
 
“Há um esforço grande em termos de diversificação dessa oferta e é nisso que o Brasil desponta como um eventual fornecedor estratégico. Mas o fato de que o Brasil tem 20% das reservas está longe de significar que ele tem 20% de participação nesse mercado”, observa Marcella Ungaretti, head de Research ESG da XP.
 
Ela pontua que existem desafios nessa trajetória de expansão, desde a definição de uma regulação até questões ambientais relacionadas a todo o ciclo de vida da produção mineral.
 
Ao mesmo tempo, enxerga que iniciativas em andamento começam a convergir para impulsionar projetos no país, como o estudo iniciado pelo MME para construção da Estratégia Nacional de Terras Raras e a discussão de um marco legal para os minerais criticos no Congresso Nacional.
 
“Temos visto várias tentativas do Brasil de, de fato, se posicionar no meio desse jogo em relação à corrida por minerais críticos e terras raras também”, diz em entrevista à eixos.
 
“Mas existe essa lacuna ainda bastante grande entre o fato de ter reserva e, de fato, poder fazer a produção e, eventualmente, ter atuação direta nesse mercado”, completa.


R$ 4 tri. O MME divulgou, nesta quinta-feira (26/2), um estudo com a perspectiva de investimento de R$ 4 trilhões até 2035 nos setores de energia e mineração. O período abrange projetos já em execução e potenciais entradas, com destaque, majoritariamente, para os segmentos de petróleo e gás natural
 
Na fila do ONS. Dos 94 projetos industriais que entraram na fila de conexão do Operador Nacional do Sistema (ONS), 51 desistiram de prosseguir no momento. Grande parte dos empreendedores deixaram de solicitar o parecer de acesso ou não apresentaram a garantia financeira válida.
 
De olho nos reservatórios. Fevereiro e março devem ter um padrão mais chuvoso que janeiro, mas ainda insuficiente para a recomposição dos mananciais de hidrelétricas antes da chegada do período seco, prevê o Climatempo. Com isso, os reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste seguem em situação de atenção.
 
Clima extremo 1. Com mais quatro mortes confirmadas em Juiz de Fora, sobe para 53 o número de mortos na Zona da Mata Mineira desde segunda-feira (23) em decorrência de deslizamentos e enchentes. Juiz de Fora tem 47 óbitos e Ubá, seis. Os desaparecidos somam 13 em Juiz de Fora e dois em Ubá. (Agência Brasil)
 
Clima extremo 2. A Defesa Civil do Estado de São Paulo informou, nesta quinta-feira (26), que as regiões do Vale do Paraíba e do Litoral Paulista estão em alerta vermelho de perigo em decorrência das chuvas. O órgão prevê que o dia será marcado por grande volume de água. (Agência Brasil)
 
R$ 96 milhões para eficiência energética. A Enel Brasil está com editais abertos para projetos de eficiência energética em São PauloRio de Janeiro e Ceará. Ao todo, serão destinados R$ 96 milhões a iniciativas nas áreas de concessão da companhia. Objetivo é financiar projetos de modernização de instalações, substituição de equipamentos e adoção de novas tecnologias.
 
Desafio de NBS. O seu primeiro Petronas Brasil Desafio de Inovação está chegando à fase final de inscrições. A competição que incentiva abordagens inovadoras para Soluções Baseadas na Natureza (NBS) com benefícios ambientais e sociais concretos. O edital é aberto a universidades, empresas brasileiras e startups. 
 
Estágio na Brava Energia. A companhia independente de óleo e gás está com inscrições abertas para o Programa de Estágio BRAVA Acelera 2026 no Rio de Janeiro (RJ) e em Mossoró (RN). As inscrições vão até o dia 13 de março.

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