NESTA EDIÇÃO. Biodiesel pede 2% de aumento de mistura, mas leva 2 centavos de desconto.
Governo anuncia conjunto de medidas para conter alta dos combustíveis, incluindo subvenções ao diesel e GLP importados, e crédito para companhias aéreas.
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O governo federal anunciou nesta segunda (6/4) um conjunto de medidas para enfrentar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o setor de combustíveis no Brasil, entre eles a eliminação dos impostos federais sobre o biodiesel.
O anúncio atende a uma das demandas do agro, que defende o aumento da mistura obrigatória do biocombustível (hoje em 15%), como estratégia para mitigar a dependência de diesel importado e — em tese — reduzir o preço do combustível mais consumido no país.
O aumento do teor de biodiesel foi descartado pelo governo no início de março, e a subvenção concedida ao diesel de petróleo na mesma ocasião incomodou o setor.
Na época, a Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio) alertou que o beneficio ao combustível fóssil contrariava um artigo da Constituição que garante competitividade ao renovável.
A isenção anunciada hoje resolve este ponto específico — já que não há previsão de aumentar a mistura.
Via decreto, o governo isentará PIS e Cofins do biocombustível derivado de óleos vegetais e gorduras e produzido nacionalmente.
Na prática, deve significar uma economia de R$ 0,02 por litro de biodiesel, segundo a estimativa oficial.
A medida integra um pacote maior, com uma medida provisória, um projeto de lei e dois decretos, tratando de questões como subvenção de R$ 1,20 para a importação de diesel rodoviário, em cooperação com os estados; mais R$ 0,80 de subvenção federal para o diesel, além dos R$ 0,32 em vigor, subvenção para o gás de cozinha (GLP) nos próximos meses e linhas de crédito de até R$ 9 bilhões para o setor aéreo.
Energia local
Nesta segunda, o petróleo operava em alta, em meio a incertezas sobre os rumos do conflito desencadeado pelos Estados Unidos. Por volta das 15h20 (no horário de Brasília), o Brent para entrega em junho subia 0,65% a US$ 110,83 por barril. Já o petróleo WTI para maio avançava 0,78% a US$ 98,80.
Ao redor do mundo, a guerra dos EUA/Israel contra o Irã, além de suas consequências trágicas para quem está na linha de frente dos bombardeios, tem reforçado algo que já não é uma novidade: energia é segurança.
Três semanas após o ataque inicial dos EUA e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro de 2026, os preços do petróleo haviam subido 55%, segundo agências internacionais.
Em resposta à crise, países mais dependentes de importações começaram a racionar combustível, reduzir a jornada de trabalho e fechar fábricas. (Bloomberg e Reuters)
Os biocombustíveis e a produção de energia local também ganham relevância. Um dos exemplos vem dos Estados Unidos, protagonista do conflito que está gerando a escalada de preços.
Apesar dos ataques do presidente Donald Trump às energias renováveis, a administração do republicano precisou abraçar o etanol para amenizar a crise em que se colocou.
Em um esforço para reduzir o impacto sobre os combustíveis para os consumidores devido à guerra no Oriente Médio, o país decidiu flexibilizar as restrições à venda de gasolina com maior teor de etanol.
A Agência de Proteção Ambiental (EPA) anunciou a medida há duas semanas, alegando que a intenção é “dar aos consumidores mais opções de combustíveis”.
Sob o argumento da “independência energética” e de emergência com a alta dos preços, o governo de Donald Trump permitiu um waiver a partir de 1º de maio nas limitações regulatórias à venda da gasolina com 15% de etanol (E15) durante o verão, período anual de pico da demanda.
Cobrimos por aqui
Curtas
Eólica offshore em xeque? A diretriz aprovada pelo CNPE, que prevê uma distância mínima de 12 milhas náuticas da costa para instalação de parques eólicos offshore pode inviabilizar quase metade dos projetos mais promissores no Nordeste, segundo avaliações preliminares de agentes de mercado consultados pela eixos. O colegiado deu, na última semana, um passo considerado decisivo para destravar a regulamentação.
Caducidade da Enel SP. O diretor da Aneel Fernando Mosna recebeu, nesta segunda-feira (6/4), representantes da Enel São Paulo para discutir o processo de caducidade da concessão da distribuidora. O processo analisa se houve falhas na prestação de serviço e está na pauta da reunião da diretoria colegiada da agência de terça-feira (7/4).
Gás mais caro em maio. O pico dos preços internacionais já tem um impacto programado – e dimensionado – sobre o mercado de gás natural: os preços da Petrobras, nos contratos com as distribuidoras estaduais, devem ter um reajuste de 13%, na média, no dia 1º de maio, projeta a consultoria Wood Mackenzie. Leia na gas week
Pacto nacional. Nesta segunda (6/4), o Fórum do Gás soltou uma nota pública defendendo a urgência de um pacto nacional pelo aumento da oferta e competitividade do gás natural no mercado brasileiro, para fortalecer a soberania energética nacional e reduzir a dependência da economia brasileira de choques externos.
Leilão de petróleo. A ANP publicou a nova versão do edital do 4º ciclo da oferta permanente de partilha, com 23 blocos exploratórios. Desse total, oito já estavam previstos, e a inclusão dos outros 15 foi aprovada pela agência em 27 de março.
2,5 milhões para pesquisas em clima. O Hub de Economia e Clima do iCS recebe até 8 de abril inscrições para o edital “Clima na Economia: integrando a questão climática à agenda econômica”. As propostas deverão se enquadrar em uma das quatro linhas temáticas: adaptação às mudanças climáticas; macroeconomia e meio ambiente; microeconomia e clima; e finanças públicas e mudanças climáticas.
Qualificação para PCD na Light. A Escola Light está com 180 vagas abertas na “Jornada Ser e Fazer 360°”. O curso de capacitação é voltado a pessoas com deficiência (PCD), em formato 100% online, com carga horária de 22 horas. Os participantes terão acesso a conteúdos como gestão da produtividade, desenvolvimento de pessoas, visão de negócios, mundo digital e inteligência artificial.

