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Tentativa de reabrir Estreito de Ormuz com cessar-fogo falha e preço do barril deve seguir pressionado

Anúncio de cessar-fogo não garantiu retomada do tráfego de petroleiros na costa do Irã

Irã sob ataque dos EUA e de Israel, com fortes explosões em Teerã em 2 de março de 2026 (Foto RS/Fotos Públicas)
Irã sob ataque dos EUA e de Israel, com fortes explosões em Teerã em 2 de março de 2026 (Foto RS/Fotos Públicas)

NESTA EDIÇÃO.Bloqueio ao Estreito de Ormuz persiste e indica capacidade limitada do cessar-fogo sobre preço do petróleo
 
Petroleiras obtém liminar contra imposto de exportação de petróleo, mas decisão saiu com base em trecho de MP que não existe.
 
Silveira promete testes em 60 dias para elevar mistura de etanol na gasolina para 32%. 
 
Coalizão Eólica Marinha cobra definição de regras de acesso a áreas para estudar viabilidade de projetos. 


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O anúncio de um acordo de cessar-fogo de duas semanas na Guerra do Oriente Médio na noite de terça-feira (7/4) não foi suficiente para garantir a retomada do trânsito de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz, o que indica que a volatilidade nos preços do barril vai persistir. 

  • O Irã manteve a rota completamente fechada e forçou os navios petroleiros que estavam no estreito a retornarem para os portos, segundo informou a mídia estatal iraniana Press TV. (Valor Econômico)
  • Mais cedo, agências internacionais noticiaram que duas embarcações chegaram a transitar pelo estreito na manhã de quarta, mas o fluxo foi interrompido novamente após bombardeios de Israel ao Líbano (O Globo)
  • Segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o Líbano não fazia parte do acordo de cessar-fogo (G1). 

A expectativa de uma retomada no tráfego na região fez os preços do petróleo despencarem na manhã de quarta (8). O contrato do Brent com vencimento em junho de 2026 operava com queda de 14,7%, cotado a US$ 93 às 8h30

  • Os preços encerraram o dia na maior queda em seis anos. No fechamento, o Brent para junho encerrou em baixa de 13,3% (US$ 14,52), a US$ 94,75 o barril. 

No entanto, a expectativa de redução nas cotações é limitada: analistas alertam que o acordo para interromper o conflito é frágil e que a volatilidade deve seguir até o fim de 2026.

  • O pesquisador da FGV Energia, João Victor Marques, afirma que as incertezas geopolíticas permanecem e que o uso do bloqueio ao Estreito de Ormuz como ferramenta de guerra continuará impactando o mercado. 
  • Mesmo em uma eventual reabertura, as companhias de navegação devem testar a rota com cautela, com percursos limitados ou experimentais, mantendo os prêmios de risco elevados, segundo a analista de petróleo da Argus, Sarah Raffoul.
  • Leia também: Ex-chefe da Defesa de Trump não vê saída a curto prazo para guerra no Oriente Médio.

O próprio mercado reconhece que a turbulência vai seguir. O diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), Willie Walsh, afirmou que o cessar-fogo não deve trazer alívio imediato para o setor aéreo.

  • Walsh disse que, mesmo com a eventual reabertura do Estreito de Ormuz, levará “meses” para que a oferta de querosene de aviação (QAV) volte ao normal, em razão dos danos à capacidade de refino no Oriente Médio.

Grandes petroleiras, como ExxonMobil e Shell, tiveram impacto físicos na capacidade de produção de petróleo e gás devido à guerra, o que vai seguir restringindo a oferta mesmo após o eventual fim do conflito. 



Pacote para combustíveis. O governo publicou no Diário Oficial da União de quarta-feira (8) os quatro atos com subsídios para conter a alta do preço dos combustíveis causada pelo conflito no Oriente Médio. Veja a íntegra dos atos
 
Gasolina puxa inflação. A alta de 3,85% no preço da gasolina puxou a inflação no varejo medida pelo Índice Geral de Preços — Disponibilidade Interna (IGP-DI) em março, informou a FGV.

  • “No varejo, o principal impacto ocorreu por meio da gasolina, que registrou alta média de 3,85%, com comportamento heterogêneo entre as capitais e variações superiores a 10% em algumas localidades”, justificou o economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), Matheus Dias, em nota. 

Liminar fundamentada em lei inexistente. A decisão liminar concedida por pela 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro, determinando a derrubada do imposto de exportação de 12% sobre o petróleo transcreve trechos e foi fundamentada por uma lei que não existe.

  • A decisão foi tomada na quarta (8), em mandado de segurança a pedido de petroleiras internacionais. O imposto foi criado na esteira das medidas para lidar com os impactos da guerra no mercado brasileiro.  

Reposição de reservas. A Petrobras tem “processos bem avançados” para ampliar a sua presença na exploração de óleo e gás na costa africana, via leilão ou compra de participação em ativos, disse a diretora ​de Exploração e Produção, Sylvia ⁠Anjos.

  • Entre os países que despertam o interesse da companhia, Anjos citou São Tomé e Príncipe, Namíbia, Gana, Costa do Marfim e África do Sul. 

Os estoques de petróleo nos Estados Unidos subiram 3,081 milhões de barris, a 464,717 milhões de barris na semana encerrada em 3 de abril, informou na quarta-feira (8), o Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês).

E32 vem aí? O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que será possível concluir nos próximos 60 dias os testes necessários para elevar a mistura obrigatória de etanol anidro da gasolina para 32%. 

B50 na Indonésia. O Ministério de Energia da Indonésia decretou que, até 2028, todos os usuários de biodiesel passarão a adotar o diesel com 50% de combustível à base de óleo de palma

  • O país também planeja adicionar 5% de etanol à gasolina na ilha de Java, entre 2026 e 2027. E introduzir 1% de SAF nos maiores aeroportos no ano que vem. 

Acesso a notas fiscais. A aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto de lei que permite à ANP acessar notas fiscais dá mais ferramentas para o enfrentamento a práticas ilícitas no setor, disse o Sindicom

  • A matéria ainda precisa ser aprovada pelo Senado. 

PL das Penalidades. Os deputados que integram a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) seguiram trabalhando, na quarta (8) pela aprovação do projeto de lei 399/2025, que reforma a Lei de Penalidades da ANP. 

Aproveitamento de resíduos. Um estudo já em andamento quer identificar todo o resíduo que hoje é descartado no país, mas que pode voltar para a economia na forma de matéria-prima

  • O diagnóstico contratado pela Marquise Ambiental está coletando amostras em diferentes cidades para uma primeira análise sobre quais matérias estão presentes nos resíduos urbanos.  

Lançamento da Coalizão Eólica Marinha. Uma coalizão de empresas do setor eólico offshore lançada na terça (7), em Brasília, assumiu como missão destravar a regulação para as cessões de área para estudos de viabilidade no Brasil, com uma visão de longo prazo para projetos que devem começar a gerar energia só daqui uma década. Saiba mais na diálogos da transição.

Minerais críticos na agenda eleitoral. O presidente Lula reforçou as críticas contra possíveis adversários na disputa presidencial de 2026 ao acusar o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), de atuarem como “entreguistas” das riquezas minerais brasileiras

  • Em entrevista ao Instituto Conhecimento Liberta (ICL), Lula afirmou que ambos defendem a exportação de minerais críticos para os Estados Unidos sem agregar valor no país

BYD na lista suja. A montadora chinesa foi incluída pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) na chamada “lista suja” do trabalho análogo à escravidão, divulgada na terça (7), devido a irregularidades nas obras da fábrica em Camaçari (BA) entre 2024 e 2025.

  • Em janeiro deste ano, a BYD firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho no valor de R$ 40 milhões, para indenizar os trabalhadores resgatados. Apesar disso, a legislação prevê que o nome da empresa deve permanecer na lista por pelo menos dois anos.

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