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Preço do petróleo ultrapassa os US$ 85 e defasagem dos combustíveis bate maior nível em anos

Cobrança por ajuste nos preços da Petrobras se intensifica e impacta ações

Irã sob ataque dos EUA e de Israel, com fortes explosões em Teerã na manhã de 28 de fevereiro de 2026 (Foto RS/aFotos Públicas)
Irã sob ataque dos EUA e de Israel, com fortes explosões em Teerã na manhã de 28 de fevereiro de 2026 (Foto RS/aFotos Públicas)

NESTA EDIÇÃO. Barril e frete voltam a disparar e cresce a pressão do setor sobre a Petrobras para reajustar os preços dos combustíveis à nova realidade internacional. Ações da petroleira descolam da alta do barril. 
 
Instituto Arayara judicializa térmicas a carvão no leilão de reserva de capacidade.
 
União Europeia aprova nova meta climática incluindo créditos de carbono
 
Braskem substitui parte do gás natural por biometano no Rio Grande do Sul.


EDIÇÃO APRESENTADA POR:

O conflito no Oriente Médio levou o barril de petróleo tipo Brent a ultrapassar novamente a barreira dos US$ 85 na quinta-feira (05/3).

O aumento reflete não apenas a escalada militar, mas também a alta nos custos do frete marítimo e os desafios que o mercado enxerga para o suprimento global à frente.

  • A interrupção da navegação no Estreito de Ormuz levou as taxas médias de afretamento para superpetroleiros (VLCCs) às máximas históricas, estima a Moody’s.

Apesar de não haver indicação direta de dificuldades de chegada ou saída de petróleo e derivados do Brasil, cresce a pressão do setor sobre a Petrobras para reajustar os preços dos combustíveis no país de acordo com a nova realidade internacional. 

  • Na véspera, os preços bateram a maior defasagem em anos, com uma diferença de R$ 1,51 (47%) no litro do diesel e de R$ 0,47 (19%) na gasolina, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). 
  • “O acompanhamento dos preços dos combustíveis no mercado nacional aos preços do mercado internacional é recomendável para mitigar riscos de desabastecimento e desalinhamento dos fluxos logísticos existentes na cadeia de suprimentos”, afirmou a associação em nota.
  • A Abicom ressalta que os consumidores acabam expostos a diferentes níveis de preços do óleo diesel e da gasolina no país. As regiões Norte, Nordeste, Centro Oeste e Sul (via Paranaguá) são mais dependentes das refinarias privadas e de produtos importados.

Pelo lado dos grandes distribuidores, ainda não há sinal de alerta. A Ipiranga acredita que a atual situação pode reduzir o suprimento especulativo e favorecer as empresas que são fornecedoras estruturais do mercado brasileiro. (Valor Econômico)

  • No entanto, os postos de combustíveis já estão sentindo uma elevação de preços por parte das distribuidoras, segundo a Fecombustíveis. 
  • “As distribuidoras vêm elevando os preços de fornecimento aos postos de combustíveis, possivelmente em razão do aumento dos custos de aquisição nas etapas de refino (especialmente junto às refinarias privadas) e de importação”, afirma a federação. 

Vale ressaltar que em períodos anteriores de congelamentos de preços pela Petrobras o Brasil não registrou desabastecimento. No entanto, a demora em repassar os preços externos tem um impacto direto no balanço financeiro da estatal. 

  • Como consequência, há também reflexos no pagamento de dividendos à União e aos acionistas minoritários. 
  • As ações já começaram a sentir esses possíveis desdobramentos. Ao contrário dos papeis de outras petroleiras brasileiras, que acompanham a alta do barril, as ações da estatal operaram em queda na quinta (5/3). (Exame)
  • A diretoria da Petrobras comenta nesta sexta (6) com analistas e a imprensa os resultados financeiros de 2025 e tende a ser questionada sobre o posicionamento atual. 

A União, inclusive, confirmou que pretende seguir com a atual estratégia na condução da petroleira, com a indicação dos nomes para a eleição do conselho de administração em abril. Leia no site:

Por enquanto, parte do governo brasileiro tem adotado o discurso de que o cenário pode favorecer a balança comercial do país, já que o petróleo foi o principal item da pauta de exportação nos últimos dois anos. (Agência Brasil)

  • Segundo o BTG Pactual, o atual patamar do barril também ajuda a diminuir o déficit primário (CNN Brasil)


Impacto também nos EUA. O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Richmond, Tom Barkin, afirmou que ainda não tem clareza sobre os impactos econômicos da guerra envolvendo o Irã, mas destacou que choques nos preços de energia podem afetar a inflação e o comportamento do consumidor nos Estados Unidos.

  • “Os preços da gasolina ainda importam para o sentimento e podem deslocar outros tipos de consumo”, afirmou. 

Exportadores bem posicionados. Os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a oferta de gás natural liquefeito (GNL) podem beneficiar exportadores dos EUA, líder do comércio global da commodity. A capacidade dos EUA de compensar a interrupção das exportações de gás do Catar e dos Emirados Árabes Unidos (EAU), no entanto, tem seus limites.

  • Essa foi uma das conclusões da live especial da gas week para discutir os impactos da Guerra no Oriente Médio sobre o mercado de gás, realizada pelo estúdio eixos na quarta-feira (4/3). 

Shell na Venezuela. A major Shell assinou contratos com o governo venezuelano que envolvem oportunidades para petróleo e gás natural onshore e gás offshore. Também assinou acordos com a empresa venezuelana de engenharia Vepica, com a KBR e com a Baker Hughes. (Reuters

Carvão judicializado. O Instituto Arayara apresentou uma ação na Justiça Federal contra a participação de térmicas a carvão no leilão de reserva de capacidade (LRCAP) de 18 de março. 

  • A ação afirma que a inclusão das usinas a carvão no certame apresenta vício de motivação, desvio de finalidade e viola compromissos climáticos assumidos pelo Brasil. 

Nova meta climática na Europa. Os países membros da União Europeia aprovaram a nova meta climática de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 90% até 2040. 

Na China também. Mesmo liderando a expansão de energias renováveis no mundo, a China também decidiu, no plano econômico para os próximos cinco anos, flexibilizar ligeiramente sua meta climática, permitindo que suas emissões aumentem até 2030.

  • Divulgado na quinta (5/3), o 15º Plano Quinquenal chinês traz o compromisso de reduzir as emissões de carbono por unidade do PIB em 17% entre 2026 e 2030. A ambição é ligeiramente inferior aos 18% estabelecidos para o período de 2021 a 2025 e que não foram alcançados. Leia na newsletter diálogos da transição.

Biometano na indústria. A Braskem começou a utilizar o biometano como substituto parcial do gás natural na planta Q2, no Polo Petroquímico de Triunfo (RS). 

  • O biometano utilizado na planta é fornecido pela Ultragaz, a partir do aterro de Minas do Leão (RS). 

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