NESTA EDIÇÃO. EUA capturam navio petroleiro que transportava petróleo venezuelano.
Âmbar compra UTE Norte Fluminense da EDF.
Alerj aprova regulação própria para eólicas offshore na costa fluminense.
Enel vive nova crise em São Paulo com milhões de clientes sem luz após passagem de ciclone extratropical.
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Petróleo no centro da crise entre EUA e Venezuela
A captura de um navio petroleiro pelos Estados Unidos na costa da Venezuela abriu um novo capítulo na crise entre Washington e Caracas.
- O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou que a embarcação foi apreendida na quarta-feira (10/12).
- Segundo agências internacionais, o navio Skipper transportava petróleo bruto para a estatal venezuelana PDVSA.
- A Venezuela denuncia a ação como um “ato de pirataria internacional”.
O navio atuava em países sancionados pelos EUA, como Irã e Rússia — também grandes produtores de petróleo —, e vinha divulgando localizações falsas para escapar dos rastreios, segundo a imprensa internacional. (O Globo/Agências internacionais).
- Os EUA já estão se preparando para novas apreensões nos mares venezuelanos (Reuters).
- Questionada sobre as próximas operações, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, não confirmou novas apreensões, mas indicou que o país vai seguir com a política.
- “Não vamos ficar de braços cruzados enquanto navios sancionados navegam pelos mares com petróleo do mercado negro, cuja receita vai financiar o narcoterrorismo de regimes autoritários e ilegítimos em todo o mundo”, disse.
As ações de Trump contra o regime de Maduro vêm se intensificando, com o envio de navios de guerra e tropas para a costa do país caribenho.
- Nos últimos meses, forças estadunidenses atacaram embarcações na região, sob o pretexto de combate ao narcotráfico.
- A família de um pescador colombiano que morreu em um dos ataques no Caribe denunciou os Estados Unidos na Comissão Interamericana de Direitos Humanos e negou que ele transportasse drogas. (G1/France Press)
- Para relembrar: EUA impõem tarifas para compradores de petróleo da Venezuela
Na mais recente reunião da Opep+, no final de novembro, a Venezuela pediu ajuda ao cartel para conter as ações dos EUA.
- O petróleo é frequentemente citado por autoridades venezuelanas como a razão do interesse dos EUA no país. Segundo o governo do país caribenho, existe um “plano deliberado de despojo das nossas riquezas energéticas”.
A Venezuela hoje produz cerca de 1 milhão de barris/dia de petróleo, negociados sobretudo com China e Índia.
- O país caribenho está entre as maiores reservas de petróleo do mundo. Segundo a Rystad Energy, o volume chega a 4 bilhões de barris em reservas provadas.
- A produção chegou a ultrapassar a marca de 3 milhões de barris/dia na década de 1990, mas caiu com os baixos investimentos e o isolamento internacional, chegando a 600 mil barris/dia em 2020.
Preço do barril. A cotação do petróleo caiu na quinta (11/12), em meio às tensões geopolíticas entre EUA e Venezuela. O Brent para fevereiro recuou 1,49% (US$ 0,93), a US$ 61,28 o barril.
- Os preços também refletiram a expectativa de elevação nas projeções de demanda da Opep e da Agência Internacional de Energia (IEA).
- A IEA elevou sua projeção para a alta na demanda global por petróleo em 2025, para 830 mil barris/dia, e em 2026 para 860 mil barris/dia.
Fracking no STJ. O governo, a Petrobras e a ANP defenderam, em audiência pública no Superior Tribunal de Justiça (STJ) na quinta-feira (11), a técnica do fraturamento hidráulico (fracking) para a produção de petróleo e gás natural, sob o argumento da segurança energética.
- A discussão ocorre três dias após o governo dar 60 dias para os ministérios de Minas e Energia, Fazenda e Meio Ambiente, além da Casa Civil, proporem diretrizes para elaboração do mapa do caminho para transição, com redução gradativa da dependência de combustíveis fósseis.
- Apenas o MMA se manifestou contra o fracking na audiência.
Petróleo no Ártico. Equinor e parceiros investirão US$ 395,8 milhões para desenvolver a descoberta de petróleo de Isflak, dentro da licença Johan Castberg, no Mar de Barents. A descoberta é estimada em cerca de 46 milhões de barris de petróleo e a primeira produção de está prevista para o quarto trimestre de 2028 (Valor Econômico/Reuters)
Priorização do TRSP. A Edge defende que a conexão do Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP) à malha de gasodutos de transporte seja priorizada no planejamento do setor e pediu à Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para que o projeto seja incluído no Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás Natural e Biometano (PNIIGB).
- Durante a consulta pública do planejamento da EPE, a Edge questionou a necessidade e a urgência do projeto Corredor Pré-Sal Sul, da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), vista pela comercializadora como concorrente do TRSP.
J&F na UTE Norte Fluminense. A Âmbar Energia, do grupo J&F, fechou um acordo com a EDF para compra da UTE Norte Fluminense (827 MW), térmica a gás natural localizada em Macaé (RJ), segundo duas fontes.
- Com a transação, a Âmbar se prepara para ultrapassar 7 GW de capacidade instalada.
Escassez de turbinas. A GE Vernova, uma das maiores fabricantes de turbinas para geração termelétrica a gás do mundo, já esgotou a capacidade de entrega de novos equipamentos até 2028 e tem menos de 10% da sua capacidade para 2029 disponível ao mercado. (MegaWhat)
Regulação para eólica offshore no RJ. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou o PL 4255/2024, que cria uma regulação própria para o estado do Rio de Janeiro explorar energia eólica offshore, a Política Estadual de Apoio à Transição Energética Offshore e ao Ordenamento Territorial Marinho.
- O texto segue para sanção do governador, Cláudio Castro (PL).
1,3 milhão sem energia. A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) confirmou que às 17h de quinta-feira (11/12) mais de 1,3 milhão de clientes estavam com o fornecimento de energia interrompido em todo o estado, sendo 1,2 milhão apenas na concessão da Enel SP.
- A distribuidora já restabeleceu o fornecimento de outros 1,3 milhão, após a passagem do ciclone extratropical que afetou a rede.
- O diretor da Aneel Fernando Mosna cobrou explicações sobre a atuação da empresa. Em ofício enviado ao presidente da distribuidora, Mosna questiona a resposta da companhia ao evento e acentua a pressão regulatória sobre a companhia, que tem a concessão em disputa e sob risco de caducidade.
No meio do caminho tem o agro. A recente decisão do STF de validar a lei do Mato Grosso que restringe incentivos fiscais a empresas que aderem à Moratória da Soja gera uma incerteza no momento em que o Brasil tenta projetar globalmente seus biocombustíveis, sobretudo o biodiesel para navegação e o SAF.
- Para o ex-coordenador de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia e um dos responsáveis pela elaboração do RenovaBio, Paulo Costa, o país corre o risco de minar justamente o ativo ambiental que sustenta essa estratégia internacional. Leia na entrevista àeixos.
Descarbonização da navegação. O governo publicou a portaria que torna oficial a criação de dois programas para descarbonizar portos e a navegação brasileira. O objetivo é criar um conjunto de diretrizes voltadas à redução de emissões de gases de efeito estufa e “transição justa e equitativa”. Veja os detalhes na newsletter diálogos da transição.
Opinião: O alinhamento adequado permite que a indústria forneça serviços de flexibilidade, como resposta à demanda e regulação de tensão e frequência, escreve Anthony Allard, head da América do Norte, head global de Marketing e Vendas e membro do Comitê Executivo da Hitachi Energy.

