NESTA EDIÇÃO. Restauração prometida por Trump na Venezuela indica que intervenção deve ser longa.
China pode ficar mais reticente em fazer negócios na América Latina, indicam especialistas.
Produção brasileira de petróleo chega a 4,9 milhões de boe/dia em novembro.
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Petróleo indica intervenção de longo prazo dos EUA na Venezuela
A indicação do interesse nas reservas de petróleo da Venezuela pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para justificar a invasão e a captura do ex-presidente Nicolás Maduro é um sinal de que a intervenção no território venezuelano pode durar décadas.
- Na segunda-feira (5/1), Maduro se declarou inocente contra as acusações de narcoterrorismo e posse de armas e afirmou ser um prisioneiro de guerra (G1)
- Horas antes, a vice Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina da Venezuela.
Especialistas concordam que a infraestrutura da indústria petrolífera no país está deteriorada, depois de anos de baixos investimentos. Portanto, vai levar tempo até que ocorra um aumento significativo na produção e a recuperação prometida por Trump.
- Além disso, vai demandar muito capital: serão necessários, no mínimo,US$ 120 bilhões em investimentos ao longo de dez anos para começar a restauração, estimou o diretor da MA2 Energy, Marcelo de Assis, durante live da agência eixos. Assista na íntegra.
- “Restaurar a infraestrutura de petróleo da Venezuela a algo próximo da antiga capacidade de cerca de 3 milhões de barris/dia consumiria anos e possivelmente centenas de bilhões de dólares, mesmo no melhor ambiente de investimentos”, diz Gustavo Vasquez, analista de precificação de petróleo nas Américas da Argus.
Para atrair esses investimentos, o país vai precisar também de um ambiente regulatório estável e instituições sólidas, além de um fortalecimento da estatal PDVSA.
- Na visão do ex-diretor-geral da ANP, David Zylbersztajn, essas condições ainda não existem no país hoje.
E, claro, existem as incertezas a respeito do potencial remanescente: enquanto o governo venezuelano fala em 300 bilhões de barris em reservas, análises independentes mostram que o volume efetivamente comprovado é muito menor.
Ainda assim, é inegável que o país historicamente tem sido capaz de atrair o interesse de investidores internacionais, inclusive brasileiros.
- A Petrobras chegou a enviar uma comitiva à Venezuela para avaliar eventuais oportunidades, durante a gestão de Jean Paul Prates. Segundo ele, no entanto, a conclusão à época foi de que havia risco em investir no país vizinho.
- A Fluxus, subsidiária de óleo e gás do grupo J&F, também chegou a mapear oportunidades na região. Relembre: Petroleira dos irmãos Batista, Fluxus aposta em estabilização da Venezuela e avalia investir no país
- As análises ocorreram antes das eleições de 2024 que reelegeram Maduro, cujo resultado o Brasil não reconheceu. (G1)
- A Novonor (ex-Odebrecht), inclusive, ainda detém uma participação de 40% na empresa venezuelana PetroUrdaneta, mas está negociando a venda para a Maha Capital (Valor Econômico)
Por enquanto, o mercado ainda digere os primeiros desdobramentos da invasão dos EUA no país sulamericano. Na primeira sessão após os ataques, o petróleo fechou em alta.
- O Brent para março encerrou a segunda (5/1) em alta de 1,66% (US$ 1,01), a US$ 61,76 o barril, enquanto o petróleo WTI avançou 1,74% (US$ 1,00), a US$ 58,32 o barril.
- As ações de petroleiras dos EUA também tiveram alta e impulsionaram as bolsas no país. (Valor Investe)
- Mas as petroleiras brasileiras, incluindo a Petrobras, sofreram o movimento contrário e encerraram o dia em queda (Folha de São Paulo)
Posição da China. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, afirmou na segunda (5) disposição de aprofundar a cooperação com a Venezuela, inclusive no setor de petróleo. Segundo ele, a relação “não mudará independentemente de como a situação no país evolua”.
- O país asiático é o destino de 430 mil barris de petróleo que o país sulamericano exportava diariamente, segundo a Argus.
- A invasão dos EUA, no entanto, pode deixar os chineses mais reticentes em fazer negócios na América Latina, na visão do sócio-fundador da Dharma Political Risk and Strategy, Creomar de Souza.
Navios escapam de bloqueio. Pelo menos 16 petroleiros conseguiram romper o bloqueio marítimo americano e deixar as águas venezuelanas, segundo o jornal The New York Times.
- Os navios eram vistos por imagens de satélite atracados em portos da Venezuela. No sábado (3/1), após a captura de Maduro, todos desapareceram.
Alta na produção brasileira. O Brasil produziu 4,921 milhões de barris de óleo equivalente por dia em novembro de 2025, uma alta de 14,4% na comparação anual, informou a ANP.
- Considerando apenas o petróleo, foram produzidos 3,773 milhões de barris/dia, alta de 13,9% comparado a novembro de 2024.
Contratos. Petrobras e Vale fecharam um acordo para o fornecimento de diesel S10 para as operações da mineradora em Minas Gerais.
- As conversas incluem também oportunidades de desenvolvimento de negócios em baixo carbono, como possível fornecimento de Diesel R (diesel com conteúdo renovável) e diesel verde (HVO).

