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Petróleo cai para menos de US$ 100, mas analistas veem fôlego curto para negociações EUA-Irã

EUA reforçam estímulos à produção de petróleo e gás

Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, duarante a CERAweek 2026, evento da S&P Global em Houston
Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, duarante a CERAweek 2026, evento da S&P Global em Houston

NESTA EDIÇÃO. Sinal de negociações entre EUA e Irã faz preço do barril cair, mas analistas são céticos sobre avanços

TotalEnergies redireciona US$ 1 bi de eólica offshore para gás nos EUA.

Equinor compra parque eólico no Rio Grande do Norte.

Governo tenta nova manobra para viabilizar Redata


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Em mais um dia marcado pela volatilidade, os preços do barril de petróleo voltaram ao patamar abaixo dos US$ 100 na segunda-feira (23/3), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar das ameaças ao Irã e sinalizar conversas com o país persa.

Analistas, porém, são céticos quanto aos avanços concretos das negociações.

  • O Brent para junho recuou 9,86% (US$ 10,49), a US$ 95,92 o barril.

Em participação na CERAWeek, em Houston, Jim Mattis, ex-secretário de Defesa durante o primeiro mandato de Trump, afirmou a uma plateia de executivos do setor de petróleo e energia que não há perspectivas de uma solução imediata para a guerra.

  • Mattis acrescentou que o conflito permanece sem um vencedor claro e que nenhuma das partes demonstra disposição em buscar uma saída, seja por acordos econômicos ou diplomáticos.

Trump enviou secretários do alto escalão à conferência para reforçar a mensagem de estímulo à produção de petróleo e gás.

  • “Os preços subiram para enviar um sinal a todos de que podem produzir mais”, disse o secretário de Energia, Chris Wright;
  • A agenda foi marcada pelo anúncio de um acordo do governo estadunidense com a TotalEnergies para realocar cerca de US$ 1 bilhão previstos inicialmente em eólica offshore para o setor de gás e energia.

O acordo se dá num contexto de mudança nos fluxos de GNL. Cerca de 19% do suprimento global desse energético foi afetado pelo conflito. 

  • Na visão de analistas da S&P Global, no atual cenário o GNL perdeu a sua reputação de “combustível acessível” e a oferta no mercado global entrou num terreno ainda desconhecido. A indústria global deve sentir os impactos da guerra no Oriente Médio até a década de 2030

Principais exportadores da commodity, os Estados Unidos são candidatos naturais a compensar (ainda que parcialmente) a queda da oferta do Catar.

  • E não só os EUA podem se beneficiar: executivos da Shell e da Chevron afirmam que a destruição parcial da infraestrutura de GNL do Catar pode abrir espaço para atração de investimentos em liquefação em países da América do Sul e da África.

Rota do gás. Para o secretário geral do Fórum de Gás do Mediterrâneo Oriental, Osama Mobarez, o cenário reforça a necessidade de diversificação não só de fontes de gás, mas também de rotas de suprimento.

Na prática, enquanto isso, o Estreito de Ormuz segue fechado. É o principal gargalo para o retorno da produção do Oriente Médio ao mercado.

  • O fechamento da rota não é apenas um ataque a um país, mas sim um ato de “terrorismo econômico”, disse o CEO da Adnoc, sultão Ahmed Al Jaber, do Emirados Árabes Unidos.


Por falar em gás… A Abegás quer que o governo federal estenda sobre o GNV utilizado por caminhões a desoneração anunciada para o diesel, prevista no decreto 12.875/2026. A associação, que representa as distribuidoras de gás canalizado, alega que, ao limitar o benefício exclusivamente ao diesel, o governo criou uma distorção competitiva.

Novas adesões ao Gás do Povo. O programa de recarga gratuita de botijões de gás passou a atender quase 15 milhões de famílias em todos os municípios do Brasil. A nova etapa começou na segunda (23/3), com investimento de R$ 957,2 milhões. Nesta fase, cerca de 9,4 milhões novas famílias passam a ter direito a retirada gratuita do botijão de 13 kg em revendas credenciadas.

Equinor compra parque eólico no RN. A Rio Energy, subsidiária da petroleira norueguesa para geração renovável no Brasil, anunciou a compra do parque eólico Esquina do Vento, da Vestas. O complexo tem capacidade instalada de 230 MW e o início da geração de energia está previsto para 2028.

Nova tentativa para o Redata. O líder do governo na Câmara, o deputado federal José Guimarães (PT/CE), apresentou na segunda (23) um novo projeto de lei complementar (PLP 74/2026) em mais uma tentativa de destravar o Redata, projeto de renúncia fiscal para data centers.

  • O texto garante que projetos com renúncia já prevista no orçamento de 2026 sejam excluídos das restrições orçamentárias. Isso porque o Redata foi contemplado na previsão de gastos da União, mas a medida provisória que cria o programa em si caducou.

Minerais críticos. A política nacional para minerais críticos em discussão no Congresso via PL 2780/2024 precisa prever contrapartidas socioambientais e incentivar o desenvolvimento de cadeias industriais no país, avalia o presidente do Instituto Brasileiro de Transição Energética (INTÉ), Diogo Pignataro. 

  • O relator do PL, deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania/SP), afirmou, na segunda (23), que a proposta deverá incluir referências ao urânio e que apresentará seu parecer até 10 de abril.

Preço do etanol. Os preços médios do hidratado subiram em 23 estados, caíram apenas no Acre e no Mato Grosso do Sul e ficaram estáveis no Distrito Federal na semana passada, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), compilados pelo AE-Taxas.

  • Nos postos pesquisados pela ANP em todo o país, o preço médio do etanol subiu na comparação com a semana anterior, de R$ 4,64 para R$ 4,70 o litro (+1,29%).

Década mais quente. Relatório Estado do Clima Global mostra que o período de 2015 a 2025 foi o mais quente já registrado na série histórica, desde que começaram as medições, em 1850. O ano de 2025 está entre os mais quentes já registrados, com cerca de 1,43°C acima dos níveis pré-industriais.

Opinião: Em tempos de relativa escassez de capital natural e abundância de capital humano, modelos de negócios circulares serão os novos unicórnios do mundo, escreve o presidente do Instituto Nacional de Economia Circular (Inec), Marcelo Souza.

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