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Petrobras reduz preço da gasolina, mas segura diesel em momento de incerteza sobre oferta

Onda de frio nos EUA afeta produção de petróleo bruto e combustíveis

Visor digital em bomba de abastecimento de gasolina e etanol, na cor azul, durante abastecimento de veículo em posto de combustíveis (Foto José Cruz/Agência Brasil)
Aumentos nos postos refletem a volta na cobrança do ICMS sobre os combustíveis, explica a Endered Brasil (Foto José Cruz/Agência Brasil)

NESTA EDIÇÃO. Petrobras reajusta gasolina, mas diesel segue inalterado. 
 
ANP aprova plano de desenvolvimento para Sergipe Águas Profundas e estende concessão. 
 
Riograndense recebe primeira autorização para produzir bioGLP no país. 
 
BNDES seleciona sete fundos para alavancar R$ 16,2 bi em mitigação climática.


EDIÇÃO APRESENTADA POR:

A Petrobras confirmou a expectativa do mercado de uma redução nos preços da gasolina com o corte de 5,2% no litro do combustível a partir de terça-feira (27/1). Entretanto, optou por manter a cotação do diesel, em meio às incertezas sobre os preços internacionais com a onda de frio nos EUA. 

  • A gasolina passará a ser vendida nas refinarias da estatal às distribuidoras a R$ 2,57 por litro, uma redução de R$ 0,14. 

O reajuste já era esperado desde o final do ano passado, com a queda no preço do barril de petróleo no mercado internacional. 

A alteração nos preços chega em um momento em que os consumidores já começam a sentir os impactos da elevação do ICMS sobre os combustíveis, que passou a valer em 1º de janeiro

  • Analistas apontam que a queda pode ajudar a aliviar a inflação no curto prazo.  

A decisão também ajuda a manter a competitividade da gasolina frente ao etanol, antes do início da safra de cana-de-açúcar, em abril. 

  • “A expectativa é de que esse ciclo seja mais alcooleiro, o que tende a deixar os preços do etanol mais competitivos no mercado doméstico. O reajuste no preço da gasolina contribuiu para a manutenção da competitividade do produto”, explica a responsável por precificação de combustíveis da Argus, Gabrielle Moreira. 
  • Desde 2023, a Petrobras também considera fatores como competitividade e participação de mercado na definição dos preços internos.  

Restam incertezas agora sobre quando a estatal fará um reajuste também no diesel, que permanece sem alterações desde maio de 2025

O cenário para esse combustível, no entanto, é mais complexo: o Brasil tem maior dependência de importação para o diesel do que para a gasolina. 

Além disso, nos últimos dias os preços internacionais para o combustível sofreram maior variação. Há incertezas sobre o suprimento de diesel no mercado internacional, sobretudo em meio à nevasca nos Estados Unidos no começo deste ano. 

  • Diversas refinarias da costa do Golfo do México tiveram as operações afetadas nos últimos dias, assim como campos de produção de petróleo bruto. 
  • Pelo menos 2 milhões de barris/dia deixaram de ser produzidos no país apenas no último final de semana, segundo a Reuters.
  • As previsões climáticas indicam a continuação das temperaturas frias, o que deve ajudar a sustentar as margens do refino em patamares elevados, segundo o analista da StoneX, Bruno Cordeiro. 
  • “A possibilidade de uma redução do refino por conta da forte frente fria que atravessa os EUA acaba por ampliar os prêmios do refino de diesel, em meio à expectativa de uma possível restrição de oferta em um cenário de forte avanço do consumo”, diz Cordeiro. 


Preço do barril. O petróleo fechou em queda na segunda-feira (26), refletindo os temores de uma oferta excessiva da commodity frente ao aumento de embarques da Venezuela e sob expectativas para a próxima reunião da Opep+. Investidores monitoram ainda o impacto da forte tempestade nos Estados Unidos.

  • O Brent para abril caiu 0,46%, a US$ 64,77 o barril. 

Leilão de partilha. A ANP aprovou a inclusão de 17 blocos exploratórios na nova versão do edital do leilão da oferta permanente de partilha. 

  • Agora, 25 blocos exploratórios estão aprovados para compor o edital do próximo leilão de partilha. Entretanto, somente nove têm aval ambiental.
  • Os outros 16 aguardam a emissão de manifestação conjunta do Ministério de Minas e Energia (MME) e do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Sergipe Águas Profundas. A diretoria da ANP também aprovou o plano de desenvolvimento dos campos em águas profundas em Sergipe, após revisão pela Petrobras. Excepcionalmente, a agência também prorrogou o contrato de concessão das áreas antes do início da produção.

  • Com isso, a companhia garantir o aval para produzir por três décadas na região.  

Mais gás em Sergipe. A agência reguladora aceitou o pedido da Mandacaru Energia para a prorrogação por 60 dias do início da produção do campo de Dó-Ré-Mi, na porção terrestre da Bacia de Sergipe. 

Campo de Raia. Já o recurso da Equinor sobre a unificação do campo da Raia foi rejeitado pela agência. A ANP manteve a delimitação de Raia Manta e Raia Pintada como um único campo.

  • A decisão poderá ter efeitos fiscais, a depender das regras de cobrança de participações especiais.  

bioGLP. A Refinaria Riograndense recebeu aval para comercializar o bioGLP produzido em suas instalações. É a primeira autorização do tipo no país, como parte dos investimentos na conversão da matriz da planta em Rio Grande (RS).

Gás do Povo. O deputado federal Hugo Leal (PSD/RJ), relator da Medida Provisória 1313/2025 que instituiu o novo benefício social para o gás de botijão, busca acelerar a tramitação, ao mesmo tempo em que trava um embate com a ANP em meio às discussões regulatórias sobre fracionamento de botijões e definição de gasodutos.

  • A retomada dos trabalhos do Congresso Nacional, no início de fevereiro, será decisiva para o futuro do programa. A MP precisa ser aprovada até 11 de fevereiro para não caducar.  

Banimento de gás russo. A União Europeia confirmou o acordo político provisório fechado no fim de 2025 para proibir integralmente as importações de gás natural russo, tanto por gasodutos quanto na forma de gás natural liquefeito (GNL).

  • O regulamento fixa o fim do GNL em 1º de janeiro de 2027 e estabelece 30 de setembro de 2027 como data-limite para o gás transportado por gasodutos.  

Ambiente livre de contratação. O mercado livre de energia vai passar por uma grande transformação com a abertura aos consumidores de baixa tensão que deve tornar a contratação nesse segmento ainda mais digital do que é hoje, na visão do diretor de Clientes, Inovação e Serviços do grupo Equatorial, Maurício Veloso. 

  • Com a chegada dos 14 milhões de consumidores de baixa tensão que vão ter a possibilidade de migrar para o segmento, o processo vai precisar ser mais digital, na opinião do executivo.  

Comercialização. A Aneel autorizou a Pontal Energy e o frigorífico Prima Foods a comercializarem energia no mercado livre. A Pontal Energy atua na geração de energia eólica e solar. Em parceria com a RZK, a companhia controla a Thopen, que já atua no mercado livre de energia.

Financiamento climático. O BNDES anunciou a seleção de sete fundos de investimento na Chamada Pública de Mitigação Climática. A iniciativa é voltada ao financiamento de projetos de transição ecológica, restauração ambiental e descarbonização da economia. 

  • Os fundos terão aporte de até R$ 4,3 bilhões por meio do BNDESPar, e devem mobilizar cerca de R$ 16,2 bilhões adicionais em recursos privados.

Opinião: As leis aprovadas em 2025 avançam em tarifas, mercado livre, subsídios e armazenamento, mas o debate agora está em 2026, já que a regulamentação será decisiva para custos e segurança do sistema, escreve o diretor de Regulação e Inovação da Serena, Bernardo Bezerra.

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