NESTA EDIÇÃO.A expectativa de alta no preço do petróleo após os ataques entre EUA, Israel e Irã e o bloqueio de uma das principais rotas logísticas do mundo.
OceanPact e CBO anunciam combinação de negócios.
ANP conclui regulamentação do biometano.
Acordo União Europeia-Mercosul: europeus vão iniciar a aplicação provisória; Brasil terá decreto para salvaguardas.
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Oriente Médio em uma nova guerra: o que acontece agora com o mercado de petróleo?
O mercado de petróleo inicia a segunda-feira (02/3) sob a expectativa de uma alta nos preços do barril de petróleo, após os fortes impactos humanitários e logísticos do final de semana com os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, seguidos por bombardeios iranianos a outros países do Oriente Médio, incluindo Emirados Árabes Unidos e Qatar.
- Foram confirmadas as mortes do líder-supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, além de soldados estadunidenses e de civis israelenses e iranianos (Al Jazeera)
Nestes dois dias decisivos para a escalada do conflito, o principal risco para a oferta global de petróleo se concretizou: o Irã bloqueou a passagem de navios pelo Canal de Ormuz, principal rota de escoamento da produção do Oriente Médio.
- Por ali passa cerca de 30% do comércio marítimo global de petróleo bruto, além de um volume significativo de gás natural liquefeito (GNL), com destino principalmente à Ásia.
- Analistas apontam que a capacidade de desviar os fluxos por outras rotas é limitada, mas ressaltam que os impactos na oferta global vão depender da duração do bloqueio e dos impactos logísticos.
- Leia mais em: Quais são as rotas alternativas para o petróleo com o bloqueio do Canal de Ormuz?
Após o início da crise, a Opep+ confirmou no domingo (1º) a decisão de aumentar a produção de petróleo a partir de abril, relaxando os cortes estabelecidos em 2023.
- A oferta extra virá sobretudo da Arábia Saudita e da Rússia.
- Apesar de ser maior do que o esperado, a ampliação será de 206 mil barris/dia, volume considerado pequeno frente à demanda global, de mais de 100 milhões de barris/dia.
- “Isso evidencia o delicado equilíbrio que o grupo enfrenta entre responder aos riscos geopolíticos de curto prazo e evitar o excesso de oferta ainda este ano”, disse o chefe de análise geopolítica da Rystad Energy, Jorge Leon.
Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), até o momento o mercado global segue “bem abastecido”.
- O diretor-geral, Faith Birol, afirmou em redes sociais que está “monitorando ativamente os eventos e as potenciais implicações para os mercados e fluxos comerciais”.
Mas se até a semana passada havia a expectativa de um acordo entre EUA e Irã, com uma tendência de baixa para o barril, os sinais de preço se inverteram completamente ao longo do final de semana.
- A expectativa agora é de inflação: especialistas apontam para uma alta de até US$ 20 no barril nesta segunda-feira. Consideram improvável, no entanto, que as cotações ultrapassem os US$ 100.
- Antes dos ataques, o Brent encerrou a sexta-feira (28/2) a US$ 72,87 o barril, nas negociações para maio.
- “O efeito sobre o preço deverá ser mais limitado porque hoje há sobreoferta de petróleo no mundo, com crescimento da demanda menor que o da oferta, além do aumento dos estoques comerciais em 2025”, diz o sócio da Leggio Consultoria, Marcus D’Elia.
Do lado da demanda, há outra grande incerteza: a atual crise causou a maior interrupção no transporte aéreo desde a pandemia (AFP/O Globo)
- Ataques iranianos atingiram o Aeroporto Internacional de Dubai, um dos principais hubs da aviação no mundo.
- Outros países na região também fecharam o espaço aéreo, incluindo Qatar e Kwuait.
Fusões e aquisições. Duas das principais prestadoras de serviço para exploração e produção no Brasil, CBO e OceanPact vão combinar seus negócios. Juntas, as empresas vão passar a reunir uma frota de 73 embarcações, receita anual superior a R$ 4 bilhões e backlog de R$ 14 bilhões.
- “Estamos unindo frotas, equipes e competências complementares, ganhando flexibilidade para atender contratos, melhorar a alocação de embarcações, capturar eficiências e ampliar nossa capacidade de competir em projetos maiores e mais exigentes tecnicamente”, disse o fundador e CEO da OceanPact, Flavio Andrade, que vai comandar a direção executiva da companhia combinada.
Revisão tarifária do gás. A ANP decidiu cortar em R$ 3,3 bilhões a Base Regulatória de Ativos (BRA) pleiteada pelas três principais transportadoras de gás natural para o ciclo 2026-2030.
- A proposta de valoração da BRA elaborada pela equipe técnica da agência ainda será submetida à consulta pública, pelo prazo de 15 dias.
- Para se aprofundar, leia na newsletter gas week: Guia Revisão Tarifária: destrinchando o corte na base de remuneração das transportadoras de gás.
Biometano regulamentado. A diretoria da ANP aprovou dois itens da agenda de regulamentação do biometano: a individualização das metas anuais para produtores e importadores de gás natural e o Certificado de Garantia de Origem de Biometano (CGOB).
- A minuta aprovada estende o rol de partes obrigadas para toda “pessoa jurídica, proprietária do gás natural que venha a ser efetivamente produzido, quer associado ou não ao petróleo”.
Redata para carvão. Enquanto aguarda uma decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP) para entrar na pauta de votações, o projeto que cria o Regime Especial de Tributação para Data Centers ganhou uma emenda voltada às regiões carboníferas do Sul.
- A proposta busca equiparar esses territórios às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste no acesso a benefícios do regime, que tem entre suas condições a contratação de energia “limpa ou renovável”.
Nova chance para Candiota. O Ministério de Minas e Energia colocou em consulta pública a minuta de Contrato de Energia de Reserva da Usina Termelétrica Candiota III, da Âmbar Energia — empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
- É mais um capítulo envolvendo a recontratação de térmicas a carvão nacional. A Lei 15269/2025 (MP 1304), sancionada em novembro, garantiu a assinatura de um novo contrato de reserva de capacidade para a usina.
Enquanto isso, clima extremo. O ano de 2025 foi o terceiro mais quente já registrado no planeta e, no Brasil, esse aquecimento se refletiu em uma sucessão de eventos climáticos extremos que impactaram diretamente 336.656 pessoas e geraram prejuízos econômicos da ordem de R$ 3,9 bilhões, mostra relatório do Cemaden.
Apagão em SP. A Enel São Paulo pediu à Aneel o arquivamento do processo aberto após o evento climático de dezembro de 2025, quando houve desligamentos do fornecimento de energia elétrica em diversas unidades consumidoras na área de concessão. A empresa sustenta que o seu desempenho foi “compatível com a magnitude do evento verificado”.
Luz para Todos. O MME aprovou o orçamento de R$ 2,57 bilhões da CDE, em 2026, para o programa que leva energia elétrica a áreas rurais e regiões remotas. Ao todo, serão destinados R$ 6 bilhões ao programa, somando R$ 3,4 bilhões já empenhados.
Bandeira tarifária. A Aneel definiu que a bandeira tarifária para março será a verde, sem cobrança adicional.
- Segundo a agência, houve um aumento no volume de chuvas em fevereiro e a consequente elevação do nível dos reservatórios das usinas.
Acordo Mercosul-UE. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou, na sexta-feira (27), que a União Europeia iniciará a aplicação provisória do acordo comercial com o Mercosul, após a ratificação por Uruguai e Argentina.
- “Quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos”, afirmou.
Salvaguardas. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin (PSB)enviou minuta de decreto sobre as salvaguardas ao acordo comercial Mercosul-UE e espera publicá-lo antes da ratificação no Senado.
Nova Indústria Brasil. O BNDES disponibilizará R$ 70 bilhões em linha de crédito até o fim deste ano para financiar a reindustrialização brasileira.
- Os recursos se somam aos R$ 300 bilhões aportados na Nova Indústria Brasil (NIB) entre 2023 e 2025.

