NESTA EDIÇÃO. Perfuração na Foz do Amazonas está paralisada após incidente com fluido de sonda, diz Petrobras.
Presidente dos EUA diz que governo fará reuniões com petroleiras sobre situação na Venezuela. Minoritários da Petrobras pedem revisão em plano de negócios em meio à crise internacional.
De olho nos clientes industriais, Eneva começa a importar gás da Argentina.
Tarifa residencial de energia deve subir 5,4% em média em 2026, projeta TR Soluções.
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O que se sabe até o momento sobre o incidente que interrompeu a perfuração na Foz do Amazonas?
A Petrobras interrompeu a perfuração do poço exploratório em águas profundas no bloco FZA–M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, depois de um incidente com a sonda no domingo (4/1).
Segundo a companhia, ocorreu uma “perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda ao poço”. O vazamento, portanto, não é de petróleo, mas sim de um produto usado na própria perfuração.
- A estatal afirma que a perda do fluido de perfuração foi imediatamente contida e isolada e que não há problemas com a sonda ou com o poço. Diz, ainda, que a ocorrência não oferece riscos à segurança da perfuração.
- Também informou que o fluido vazado está dentro dos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, portanto não há dano ao meio ambiente ou às pessoas.
- A região é ambientalmente sensível, pois está próxima à Floresta Amazônica. A Petrobras ressalta que a perfuração estava ocorrendo a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá.
Questionada sobre a previsão de continuação da perfuração, a Petrobras afirmou por meio da assessoria de imprensa que ainda não tem essa informação.
- No momento, as linhas envolvidas no incidente estão sendo trazidas à superfície para avaliação e reparo.
- A companhia adotou medidas de controle e notificou os órgãos competentes.
Depois de um controverso processo de licenciamento ambiental, a perfuração começou no final de outubro e a expectativa era de conclusão em cinco meses.
- A liberação do Ibama para a atividade ocorreu depois de anos de discussão. O primeiro pedido de licenciamento, inclusive, foi negado, e a petroleira precisou atender a uma série de exigências adicionais para obter a licença.
- Ao longo da discussão, a Petrobras reiterou diversas vezes que não tinha histórico de vazamentos de petróleo durante a perfuração de poços exploratórios.
- No entanto, tentativas anteriores de perfuração na região no início dos anos 2000 registraram problemas com equipamentos e resultaram em abandono dos poços. (ClimaInfo)
A área ambiental do governo é contra a abertura de uma nova fronteira exploratória na região da Margem Equatorial.
- O presidente Lula (PT), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), e políticos do Norte do país defendem a atividade sob a lógica do desenvolvimento regional.
- A questão, inclusive, segue na Justiça, já que organizações de ambientalistas, indígenas, quilombolas e pescadores artesanais entraram com uma ação civil pública pedindo a anulação do licenciamento. Relembre: Nova fronteira da Foz do Amazonas será nos tribunais.
Esta é a primeira perfuração da campanha em águas profundas na região que é considerada a grande promessa para a reposição de reservas de petróleo no país, em meio ao declínio das reservas no pré-sal.
- A Petrobras já tinha solicitado ao Ibama para perfurar outros três poços no mesmo bloco, dando prosseguimento aos trabalhos exploratórios.
Petróleo da Venezuela. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, na terça-feira (6/1), que há muito petróleo para ser explorado no país e que isso trará os preços da commodity para baixo.
- O líder norte-americano confirmou que sua equipe terá encontros com empresas petrolíferas.
Preço do barril. O petróleo caiu na terça-feira (6), após os contratos operarem em elevada volatilidade ao longo de todo o pregão. O movimento refletiu a combinação entre a percepção de oferta global abundante e a incerteza quanto aos desdobramentos envolvendo a Venezuela, além de sinais recentes de política de preços de grandes produtores.
- O Brent para março caiu 1,72% (US$ 1,06), a US$ 60,70 o barril.
Impactos na Petrobras. A situação na Venezuela deve entrar na pauta da próxima reunião do conselho de administração da estatal. Segundo o UOL, representantes dos acionistas minoritários vão pedir uma revisão no plano de investimento da companhia. (UOL)
Gás na Venezuela. O país tem um enorme potencial de produção de gás natural, mas nunca priorizou sua exploração, disse o professor e pesquisador do Instituto de Energia da PUC Rio, Edmar de Almeida.
Mais uma importação da Argentina. As primeiras operações de importação de gás natural da Argentina pela Eneva ocorreram em dezembro, confirmou a companhia.
- A empresa quer aumentar a oferta para clientes industriais e fortalecer a atuação da mesa de gás, que atende diferentes regiões do país conectadas à malha de transporte.
Preço do etanol. O etanol foi mais competitivo em relação à gasolina somente em um estado, no Mato Grosso do Sul, na semana encerrada em 3 de janeiro.
- As cotações médias do etanol hidratado subiram em 15 estados, caíram em outros quatro e no Distrito Federal e ficaram estáveis em seis na semana encerrada em 3 de janeiro. Os dados são da ANP, compilados pelo AE-Taxas.
Revogação de licenças. A Aneel revogou 509 outorgas de usinas solares e eólicas em 2025, somando aproximadamente 22 gigawatts de potência elétrica.
- As revogações foram solicitadas pelas próprias empresas. Os pedidos ocorrem quando o empreendedor entende que o projeto não é viável.
Aumento da conta de luz. As tarifas residenciais de energia devem registrar alta média de 5,4% em 2026, projetou a TR Soluções com base nos procedimentos de regulação tarifária para cada distribuidora no Brasil.
- Os consumidores da região Sul terão o maior aumento médio (9,81%), seguidos pelos do Sudeste (7,69%), Norte (3,65%), Centro-Oeste (1,41%) e Nordeste (0,3%).
Certificação de crédito de carbono. O BNDES abriu o edital de seleção pública de propostas para a execução do estudo técnico de Certificação de Crédito de Carbono no Brasil, com apoio de até R$ 10 milhões.
- O estudo visa identificar necessidades de aprimoramentos das atuais metodologias, assim como oportunidades de redução de custos e prazos para maior inclusão e participação.
Disputa no Cade. O presidente do Cade, Gustavo Augusto, determinou que o recurso apresentado pela Phoenix Água e Energia contra a aquisição do controle da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) pela Sabesp seja sorteado entre os membros do tribunal.
- A operação custou R$ 1,131 bilhão e foi aprovada sem restrições no mês passado pela Superintendência-Geral do órgão.
Opinião: A coexistência sem integração operacional do RenovaBio e do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) gera risco de cumulatividade e de interpretações que levem à bitributação quando fatos geradores e bases de cálculo se aproximam, escreve Tatiane Lopes, especialista jurídica da Diretoria Executiva de Downstream do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).

