NESTA EDIÇÃO. As reações ao avanço dos trâmites para os leilões de reserva de capacidade.
Governo do Rio vai relicitar as concessões de gás da CEG e CEG Rio.
P-79 chega ao campo de Búzios.
Congresso interrompe análise do acordo Mercosul-União Europeia.
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Mercado ajusta expectativas após frustração com preços dos leilões de potência
O mercado reagiu com frustração após a aprovação pela Aneel de um preço-teto abaixo do esperado para as usinas que serão contratadas nos leilões de reserva de capacidade (LRCAPs), previstos para março.
Agentes do setor já começam a alertar para a dificuldade de viabilizar a contratação de potência necessária para o sistema elétrico e falam sobre a necessidade de buscar alternativas.
- Para a recontratação de termelétricas existentes o valor máximo será de R$ 1,12 milhão por MW/ano. Os novos projetos a gás têm um teto de R$ 1,6 milhão por MW/ano e a repotenciação de hidrelétricas de R$ 1,4 milhão por MW/ano.
- Já para as usinas a óleo e biodiesel, foram definidos os valores máximos de R$ 920 mil por MW/ano para entrada em operação até 2027 e R$ 990 mil por MW/ano para entrada em 2030.
Analistas afirmam que os preços vieram abaixo do esperado e impactam diretamente na economicidade dos projetos, sobretudo dos novos empreendimentos. A principal impactada é a Eneva.
- Segundo fontes, há uma desconexão com a atual realidade do mercado.
- Mais detalhes na análise do editor André Ramalho:
Concluída na terça (10/2), a aprovação do edital e dos preços pela Aneel é uma das últimas etapas para a realização do certame, que visa contratar potência para garantir geração despachável para o sistema.
- Entretanto, não está descartada uma nova judicialização dos certames, que já foram adiados no ano passado após o questionamento na Justiça das regras propostas originalmente.
- Uma série de ajustes ocorreu desde o adiamento do leilão original em 2025, inclusive a flexibilização das obrigações relacionadas à contratação de gás natural, que agradou o mercado. Relembre: Mudança no leilão de reserva de capacidade agrada empresas com térmicas existentes.
Enquanto isso, parte do setor aponta para a necessidade de diversificar as soluções de potência para o sistema — com a inclusão, por exemplo, das baterias (BESS).
- A Abrace, que representa os grandes consumidores, lembrou que há espaço para realização de outros leilões ainda ao longo desse ano, caso o resultado seja insuficiente.
- Além disso, a entidade afirma que as opções para a segurança do sistema precisam levar em consideração todos os efeitos na rede, como o aumento dos cortes de geração. Cita, por exemplo, alternativas como armazenamento em baterias e hidrelétricas reversíveis.
- A consultoria Clean Energy Latin America (Cela), especializada em renováveis, afirma que os preços-teto divulgados já viabilizam a participação de baterias no leilão, dados os custos atuais de investimento e operação desses sistemas.
- “Neste sentido, o BESS ganha atratividade e passa a disputar espaço não apenas com novas térmicas, mas também com projetos hidrelétricos e, em alguns casos, até com a recontratação de usinas existentes”, aponta a CEO da Cela, Camila Ramos.
O governo já indicou que pretende realizar um LRCAP exclusivo para baterias em abril.
Concessão de gás no Rio. O governo do estado do Rio vai abrir uma licitação para as concessões de gás canalizado da CEG e CEG Rio, atualmente operadas pela Naturgy e cujos contratos vencem em julho de 2027.
- A Naturgy havia solicitado em 2024 a prorrogação dos contratos por mais 30 anos. A análise dos trâmites para a prorrogação, contudo, foi suspensa nas últimas semanas, após questionamentos do Tribunal de Contas do Estado.
P-79 em Búzios. A plataforma chegou ao campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, no fim de semana passado, conforme o cronograma previsto, confirmou a Petrobras.
- As próximas etapas antes do início da produção são a ancoragem e a interligação com os poços produtores. A unidade vai ter capacidade de produção de 180 mil barris/dia de óleo.
Exportações. As vendas de petróleo para o exterior da Petrobras registraram um recorde trimestral de 1 milhão de barris/dia no quarto trimestre de 2025. Na média do ano passado, as exportações também bateram o recorde anual, com 765 milhões de barris/dia, divulgou a estatal no Relatório de Produção e Vendas.
Combustíveis puxam inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro ficou em 0,33%, exatamente a mesma variação registrada em dezembro de 2025. O grupo Transportes, com 0,6% de variação, teve o maior impacto.
Preço do barril. O petróleo caiu na terça-feira (10/2) e devolveu parte dos ganhos da véspera, em sessão marcada por volatilidade, enquanto as tratativas entre Estados Unidos e Irã continuam.
- O Brent para abril recuou 0,35% (US$ 0,24), a US$ 68,80 o barril.
- O Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE, em inglês) elevou a projeção para o preço médio do petróleo Brent em 2026 de US$ 56 para US$ 58 por barril, mas cortou a estimativa do valor médio no próximo ano a US$ 53.
Opinião: Uma agenda positiva para o setor de combustíveis passa pela racionalidade normativa, pela previsibilidade e pela coordenação institucional, escrevem José Mauro Coelho e Guilherme Mercês, os sócios da consultoria Aurum Tank.
Acordo Mercosul-UE. A análise pelo Congresso Nacional do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia foi interrompida, na terça-feira (10), após pedido de vista do deputado Renildo Calheiros (PCdoB/PE).
- A reunião da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul deverá ser retomada no dia 24 de fevereiro, a partir das 10h.
Problemas estruturais. Mesmo com trilhões investidos globalmente em transição, a América Latina ainda enfrenta desafios para garantir suprimento de energia. O que o show do Bad Bunny nos diz sobre a transição latino-americana? Veja na newsletter diálogos da transição.
Opinião: Em um cenário global marcado por eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes e custos econômicos elevados, políticas que induzem eficiência deixam de ser apenas ambientais e passam a ser instrumentos de gestão de risco e de desenvolvimento, escreve André Lavor, o CEO e cofundador da Binatural.

