
NESTA EDIÇÃO. Em evento na fábrica de fertilizantes da Petrobras, Lula defende retorno à distribuição e critica privatização da BR Distribuidora.
Petrobras negocia ingresso na Ubrabio, em aproximação com produtores de biocombustíveis.
Presidente da FPBio promete projeto de lei para obrigar aumento da mistura de biodiesel ao diesel.
Enel SP apresenta argumentos em processo que analisa fim do contrato de concessão.
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Lula reforça aposta em distribuição estatal de combustíveis
Em um dia marcado pelo debate sobre os rumos das eleições presidenciais de outubro no Brasil, o presidente Lula (PT) voltou a defender o retorno da Petrobras ao mercado de distribuição de combustíveis e a criticar a privatização da BR Distribuidora, atual Vibra Energia.
- “Se vocês tiverem vontade política, a gente vai ter uma distribuidora outra vez”, disse em evento na Bahia para celebrar a retomada das atividades da fábrica de fertilizantes da Petrobras na quinta-feira (14/5)
- “A Petrobras é nossa e a BR deveria ser nossa, mas não é. Mas o nome é nosso, o nome não foi vendido”, afirmou em referência ao contrato que cede o uso do nome da Petrobras para os postos da Vibra.
- A privatização da distribuidora começou no governo de Michel Temer (MDB) e foi concluída em julho de 2021, sob a gestão de Jair Bolsonaro (PL).
A bancada do PT na Câmara dos Deputados chegou a apresentar em abril um projeto de lei que autoriza a União a criar uma nova empresa para atuar na distribuição de combustíveis, biocombustíveis e gás liquefeito de petróleo (GLP).
- Entretanto, a Petrobras ainda está sujeita a uma cláusula de não competição com a Vibra Energia, válida até 2029.
Durante o evento na Bahia, o presidente defendeu que o país “precisa ser dono do seu nariz”, citando a necessidade de ampliar a produção nacional de fertilizantes.
- Também disse que vai cobrar explicações à Vale pela encomenda de navios no exterior.
Lula criticou, ainda, a privatização da Eletrobras, também concluída no governo Bolsonaro.
- “A Eletrobras era uma empresa símbolo desse país. Eles venderam a preço de banana”, disse.
As falas indicaram um reforço do presidente candidato à reeleição na atuação estatal no setor de energia, política adotada em seus primeiros governos.
- Com a aproximação do período eleitoral, de fato, reforça a aposta no que a sua base considera glórias do passado — igualmente marcado por investigações de corrupção em estaleiros e no downstream.
- Lula termina a semana, contudo, colhendo os frutos da crise na oposição: o segundo candidato nas pesquisas eleitorais, o senador Flávio Bolsonaro (PL), ocupou os holofotes nos noticiários na quinta (14/5), após o site Intercept Brasil divulgar áudios com pedidos de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso no escândalo do Banco Master (G1).
Preço do barril. O petróleo fechou em leve alta na quinta (14/5), após sessão volátil, após a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o presidente da China, Xi Jinping, concordou que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto.
- O Brent para julho subiu 0,09% (US$ 0,09), a US$ 105,72 o barril.
Preço dos combustíveis. Aproveitando o alívio do petróleo em abril, a Acelen reduziu em 6,9% o preço do diesel S500 para distribuidoras na Refinaria de Mataripe (BA) e do diesel S10 em 2,2% a partir da quinta-feira (14). Já a cotação da gasolina caiu em 4,5%.
Venezuela, Guiana e Suriname na mira. A Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo (Abespetro) está debatendo com o Ministério de Relações Exteriores maneiras de viabilizar maiores exportações dos fornecedores da indústria de petróleo e gás brasileira.
- No caso da Venezuela, uma das dificuldades é a incerteza política que o país atravessa após a invasão pelos Estados Unidos e a captura do ex-presidente, Nicolás Maduro, em janeiro.
- Juntos, Guiana e Suriname tiveram mais poços perfurados que o Brasil entre 2018 e 2024.
Petrobras na Ubrabio. A Petrobras está pleiteando o ingresso da subsidiária PBio à União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), disse na quinta (14/5) o gerente executivo da área de Transição Energética da petroleira, William Nozaki.
- Ele aludiu à aproximação como “um abraço do agro com o petro [petróleo]” e negou articulação para modificar a Lei do Combustível do Futuro, durante o III Fórum Biodiesel e Bioquerosene.
Biobunker e exportação de biodiesel. A Petrobras Biocombustível (PBIO) quer ampliar sua integração com a Petrobras e ganhar musculatura em novos mercados, como o de biobunker e o de exportação de biodiesel para a Europa.
Aumento da mistura de biodiesel. O presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio), deputado Alceu Moreira (MDB/RS), pretende apresentar ainda este semestre um projeto de lei para obrigar o aumento da mistura de biodiesel ao diesel, independentemente de decisão do Executivo.
- Segundo o deputado, a proposta seria uma forma de colocar “uma camisa de força” no governo.
Cronograma para o SBCE. O governo quer concluir até dezembro as primeiras etapas regulatórias do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), disse o secretário-adjunto José Pedro Bastos Neves.
- O cronograma prevê consultas públicas em julho, agosto e setembro.
Caducidade da Enel SP. A distribuidora apresentou a defesa formal à Aneel alegando “vícios” processuais, uso de critérios sem previsão regulatória e eventual “desconsideração” de elementos técnicos e fáticos relevantes. Também foi solicitada perícia técnica para embasar a decisão da reguladora.
- Terminou na quarta-feira (13/5), o prazo para a apresentação dos argumentos contrários à extinção do contrato.
Opinião: Lei do Gás e LRCAP ampliam competitividade do setor no Brasil, essencial para segurança energética, atração de data centers e reindustrialização, escrevem o senador Laércio Oliveira e Marcelo Menezes, o secretário executivo de Desenvolvimento Econômico de Sergipe.






