NESTA EDIÇÃO. A escalada da guerra e a expectativa de efeitos prolongados na inflação do petróleo e combustíveis.
Mineração e data centers puxarão demanda por eletricidade na América Latina em 2026.
Associações lançam AliançaBiodiesel.
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Conflito no Oriente Médio dá sinais de inflação prolongada no petróleo e combustíveis
O primeiro dia das negociações no mercado de petróleo após os ataques entre Estados Unidos, Irã e Israel confirmou a tendência de alta no preço do barril, que teve um salto de quase 10% ao longo da segunda-feira (02/3).
- O Brent para maio encerrou o dia a US$ 77,74 o barril, alta de 6,68% (US$ 4,80).
- Durante o pregão, o Brent chegou a superar os US$ 82 por barril, maior nível desde janeiro de 2025.
A alta refletiu não apenas o bloqueio no estreito de Ormuz, uma das principais rotas de exportação para a produção do Oriente Médio, como também o envolvimento de novos atores, assim como os sinais do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o conflito pode se prolongar.
- Trump não descartou incursões militares terrestres no Irã e afirmou que a atual operação pode levar “de quatro a cinco semanas”.
- Além do Irã, também foram registrados ataques a infraestruturas de energia em outros países da região, como a refinaria de Ras Tanura na Arábia Saudita e a uma usina elétrica no Catar — este último, um dos maiores produtores do mundo de gás natural liquefeito (GNL).
Mas a escalada da guerra e o aumento das incertezas nas negociações globais indicam que os impactos sobre os preços não será breve e terá reflexos nos preços dos combustíveis.
- O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, prometeu anunciar na terça (3) um programa para mitigar os impactos do aumento dos preços da energia no país.
No caso do Brasil, uma das incertezas é sobre a postura da Petrobras em relação aos combustíveis: a estatal evita internalizar volatilidades externas, mas tem um limite para suportar as defasagens, que estão elevadas sobretudo para o diesel — sem reajustes desde maio de 2025.
- Na abertura das negociações na segunda (2), a Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) indicava que a cotação do diesel da estatal estava 23% abaixo dos preços no exterior, com espaço para um reajuste de R$ 0,73 por litro.
- Na gasolina, a defasagem era de 17%, com diferença de R$ 0,42 para as cotações externas.
- Em relação às operações, a companhia indicou que não há risco de interrupção das importações e exportações no momento e que tem rotas alternativas à região do conflito.
O cenário é de inflação, tema sensível para o Brasil sobretudo em um ano eleitoral.
- Para o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, não haverá pressão inflacionária relevante, desde que a commodity continue oscilando entre US$ 75 e US$ 85.
- Analistas, no entanto, afirmam que as cotações podem subir acima desse patamar a depender dos impactos na infraestrutura e logística de óleo e gás nas próximas semanas.
- A indústria brasileira já calcula impactos sobre energia, logística e negócios internacionais.
Para a energia elétrica, o principal receio é de baixa prolongada nos reservatórios das hidrelétricas, caso em que será necessário acionar as termelétricas e, eventualmente, importar GNL.
- O mercado de gás global também sente os primeiros impactos da guerra. Leia a análise do editor André Ramalho: Como a nova guerra no Oriente Médio impacta o mercado global de gás natural.
Há ainda potenciais reflexos sobre os preços dos alimentos — não apenas pelo custo do frete, mas também dos fertilizantes.
- Entretanto, a retomada da produção nacional com a retomada das fábricas da Petrobras minimiza esse risco (Reuters)
- Relembre: Fábricas de fertilizantes do Nordeste voltam a operar em meio a riscos no suprimento internacional.
Transição energética à sombra de guerra. A escalada de conflitos no Oriente Médio dispara preços do petróleo e levanta a questão: a crise vai impulsionar renováveis ou reforçar busca por segurança? Conflito teve início justamente no momento em que a presidência da COP30 abriu uma consulta sobre a transição dos combustíveis fósseis. Leia na diálogos da transição.
Consumo de energia. A demanda por eletricidade deverá crescer em torno de 2,8% até o início de 2027 na América Latina, estima a Moody’s.
- O crescimento será puxado pela expansão das operações de mineração no Chile e Peru, assim como pela materialização de novos investimentos em data centers no Chile, Brasil, México e Argentina.
Em alta no Brasil. O consumo de energia elétrica totalizou 49.104 gigawatts-hora (GWh) em janeiro, aumento de 4,1% na comparação anual É o terceiro mês de alta consecutiva no consumo nacional, informou a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Fila de conexão. O Ministério de Minas e Energia abriu uma audiência pública sobre as diretrizes para as Temporadas de Acesso à rede de transmissão e sua Análise de Impacto Regulatório. As diretrizes fazem parte da implementação da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (Pnast).
AliançaBiodiesel. Empresas associadas à Aprobio (biodiesel) e à Abiove (óleos vegetais) irão se unir em uma aliança para unificar estratégias de promoção do biocombustível no Brasil e no mercado internacional. A AliançaBiodiesel será lançada oficialmente em 25 de março, em Brasília (DF).
- Qualidade do produto e regulamentação da lei do Combustível do Futuro são prioridades neste momento. O grupo também está de olho no mercado externo.
Opinião: O Brasil vive um paradoxo que passa despercebido fora dos debates mais especializados: nunca exportamos tanto petróleo bruto, mas o dinheiro que entra com essas vendas tem diminuído, escreve a advogada do Murayama, Affonso Ferreira e Mota Advogados, Alessandra Montet.

