NESTA EDIÇÃO.Governo recorre de suspensão do imposto de exportação de petróleo após liminar com base em trecho de MP que não existe.
Petrobras vai devolver parte dos valores do leilão de gás de cozinha.
Vale contrata navio a etanol para transporte marítimo de minério.
Argentina aprova lei que abre espaço para mineração de lítio e cobre em glaciares.
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Como esperado, imposto de exportação vira imbróglio jurídico de novo
O governo recorreu da liminar que suspendeu a cobrança do imposto de exportação de petróleo. A decisão judicial obtida na quarta (8/4) por cinco petroleiras foi baseada em trechos inexistentes na Medida Provisória 1340, que instituiu a taxa, conforme mostrou a agência eixos.
- O erro na decisão, com o uso de parágrafos que não existem, é parte do recurso da União. No mercado, a desconfiança é que, em algum momento do processo, foram usadas ferramentas de IA generativas.
A ação foi movida por TotalEnergies, Repsol Sinopec Brasil, Petrogal, Shell e Equinor do Brasil. Procuradas, as companhias não se manifestaram.
A tese acolhida pelo Juiz Federal Humberto de Vasconcelos Sampaio é que o imposto de exportação instituído pela MP 1340 teria caráter arrecadatório e, portanto, não poderia ter entrado imediatamente em vigor.
- De fato, é um consenso no setor que esta forma de aumentar imposto com objetivos arrecadatórios e efeitos imediatos tem ilegalidades. No entanto, o erro na decisão contribui para o recurso do governo.
O imposto de 12% sobre a exportação de petróleo, junto com um subsídio e a isenção de impostos no diesel, foi uma das medidas iniciais estabelecidas pelo governo para lidar com os impactos da guerra no Oriente Médio e o efeito em cascata nos preços dos combustíveis.
- A cobrança da taxa foi alvo de fortes críticas do mercado. Assista: Shell aponta “grande chance” de judicializar imposto de exportação de petróleo.
O novo imposto foi criado três anos depois de uma medida similar adotada no início do governo Lula — e que também desembocou num imbróglio jurídico, ainda sem solução.
- No caso anterior, a taxa foi de 9,2% sobre os embarques de petróleo durante quatro meses, para bancar a manutenção da desoneração do diesel, estabelecida no governo de Jair Bolsonaro (PL), que encerrou em 2022.
- Na época, a medida provisória caducou, como pretendia o governo, sem uma decisão final do Congresso Nacional.
- Petroleiras contestaram na Justiça e conseguiram uma decisão favorável no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, com a determinação da restituição. O Ministério da Fazenda recorreu. Foram apresentadas contrarrazões, e os recursos aguardam juízo de admissibilidade.
Relembre: Nova taxa de 12% sobre exportação de petróleo revive disputa jurídica de 2023.
Petróleo em alta. Ainda impulsionado por prêmios de risco diante das tensões elevadas no Oriente Médio, o Brent para junho avançou 1,23% (US$ 1,17), a US$ 95,92 o barril, na quinta-feira (9).
Reembolso do leilão de GLP. A Petrobras vai devolver parte dos valores pagos por distribuidores de gás de cozinha nas compras realizadas por meio do leilão de 31 de março, quando o combustível foi vendido, em algumas regiões, por mais que o dobro do preço.
- A decisão foi tomada após o presidente Lula determinar publicamente o cancelamento do leilão. Veja a cronologia da crise.
Operação Vem de Diesel. A Polícia Federal deflagrou a segunda etapa da operação que fiscaliza distribuidores e revendedores de gás de botijão (GLP). As ações de fiscalização abrangeram 24 cidades em 15 estados e no Distrito Federal.
Processo de caducidade da Enel SP. A transferência de controle da concessão da Enel SP pode ser uma solução para o destino do contrato após os problemas enfrentados nos últimos anos, admitiu o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa.
- Segundo Feitosa, a Enel tem 30 dias para apresentar sua defesa sobre a recomendação de caducidade. Entenda o rito do processo.
Opinião: Novas leis podem destravar potencial de quase 10 GW de pequenas hidrelétricas, com vantagens ambientais e alívio para a transmissão, escreve o vice-presidente da Electra Hydra, Daniel Faller.
Aumento da mistura do biodiesel. Produtores estão pressionando o governo para a realização, em até cinco meses, dos testes de validação do uso do combustível renovável em proporções superiores aos 15% adotados atualmente no país.
- Na quarta (8), em Brasília, Aprobio (biodiesel) e Abiove (óleos vegetais) lançaram oficialmente a AliançaBiodiesel, uma fusão entre as demandas das duas associações. Saiba mais na diálogos da transição.
Etanol a bordo. A Vale fechou um acordo com a Shandong Shipping Corporation para afretamento de dois navios movidos a etanol. As embarcações serão entregues a partir de 2029.
- O acordo marca a introdução do biocombustível no frete transoceânico de minério de ferro.
Nova estatal? O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB/DF) apresentou na quinta (9) um projeto de lei que autoriza o governo federal a criar a Terras Raras Brasileiras S.A. (Terrabras), uma empresa pública voltada à exploração, beneficiamento, industrialização e comercialização de terras raras e outros minerais críticos.
- A proposta busca fortalecer a soberania sobre insumos considerados estratégicos para a transição energética e a indústria de defesa, a exemplo dos elementos de terras raras.
Mineração na Argentina. O Congresso da Argentina aprovou, na quarta (8), uma controversa reforma da Lei de Glaciares que flexibiliza a proteção dessas áreas e abre espaço para a expansão da mineração, especialmente de lítio e cobre — dois dos minerais críticos da transição energética global.
- O ponto central da reforma é a transferência de poder técnico para as províncias — o equivalente aos estados no Brasil —, que passam a definir quais formações de gelo têm “relevância hídrica” e, portanto, merecem proteção.
Zonas Livres de Combustíveis Fósseis. Povos indígenas de todo o Brasil apresentaram contribuições ao mapa do caminho da COP30 para o afastamento dos combustíveis fósseis, propondo o fim da expansão de petróleo e gás e criação de zonas livres de exploração.
Restauração florestal. A Shell Brasil e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) formalizaram o lançamento do Centro de Inovação Biotecnológica para Recuperação de Áreas Degradadas (Cibrad) na Amazônia. O objetivo é executar pesquisas em parceria com startups e empresas para acelerar o desenvolvimento de tecnologias para soluções baseadas na natureza.
Opinião: O mês de março de 2026 revelou que o aumento de infraestrutura pode servir como garantia de conexão para fósseis em detrimento das renováveis e que certas agendas positivas servem apenas para ganhar tempo, escreve o presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Darlan Santos.

