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Choque no petróleo gera problemas na comercialização de diesel no Brasil 

ANP confirma que não falta produto, mas produtores rurais reclamam de dificuldades de acesso a combustível

Abastecimento de veículo a diesel (Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Abastecimento de veículo a diesel (Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil)

NESTA EDIÇÃO. Em meio à alta nos preços, consumidores no Rio Grande do Sul têm dificuldades no fornecimento de diesel, mas ANP e Petrobras asseguram que não há falta de produto. 
 
Os destaques da primeira coletiva de imprensa da Petrobras após o início da guerra no Oriente Médio. 
 
CNJ afasta desembargador que beneficiou Refit; MPTCU quer investigar se houve omissão na fiscalização da refinaria. 


EDIÇÃO APRESENTADA POR:

O Brasil começou a registrar problemas na cadeia de comercialização de diesel devido ao choque de preços no mercado de petróleo causado pela guerra no Oriente Médio
 
Produtores rurais no Rio Grande do Sul reclamam que não recebem combustível desde quinta-feira (5/3), mas a ANP confirma que não há falta de produto
 
Em nota, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) afirma que os Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs) não entregaram diesel nos últimos dias. 

  • “Conforme as empresas responsáveis pela distribuição de diesel nas propriedades rurais, o problema se inicia nas refinarias que, sem aviso prévio ou justificativa, suspenderam a distribuição desses combustíveis”, diz a nota. 
  • O estado está em meio a colheita da safra de verão, com foco em arroz e soja.

Na prática, não há falta de produto, mas sim problemas na cadeia de comercialização.

  • Em geral, os TRRs operam sob negociações de curto prazo (spot), sem contratos de suprimento firmes com as distribuidoras — ou seja, estão sujeitos a picos nos preços.

O Rio Grande do Sul é abastecido sobretudo pela Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), da Petrobras

  • A estatal afirma que as entregas de diesel na unidade estão sendo realizadas dentro do volume programado, sem qualquer alteração. 
  • Vale lembrar que a Petrobras ainda não reajustou os preços desde o início da guerra. 

A ANP também confirmou que a produção e a entrega do combustível seguem em ritmo regular pela refinaria. Além disso, a região tem estoques para assegurar o abastecimento.

  • Os importadores também afirmam que não há registro de falta de diesel e que o principal ponto de importação na região, o Porto do Paranaguá (PR), está com os tanques cheios.
  •  “Não há falta de produto”, disse o presidente da Abicom, Sergio Araujo. 

 A ANP trabalha para identificar em qual elo da cadeia estão ocorrendo os problemas. 

  • A agência notificou as distribuidoras a prestarem esclarecimentos sobre os volumes em estoque, os pedidos recebidos e os pedidos efetivamente aceitos. 
  • Afirmou ainda que vai “adotar todas as medidas cabíveis” para assegurar a oferta e que também vai investigar aumentos de preços injustificados no estado, em conjunto com órgãos de defesa do consumidor.

O setor de petróleo e derivados está sob forte stress, depois de um aumento de quase US$ 20 no preço do barril em uma semana

  • Não é a primeira vez que o Brasil registra problemas nas negociações de diesel durante períodos de fortes altas nos preços globais. Situações semelhantes ocorreram entre o fim da pandemia e a invasão da Ucrânia pela Rússia. 


Barril acima dos US$90. A cotação do barril de petróleo encerrou a sexta (6/3) em alta. O Brent para maio avançou 8,52% (US$ 7,28), a US$ 92,69 o barril

  • Ao longo da semana passada, o Brent teve alta de 27%
  • Nesta segunda (9), os preços devem reagir à escolha do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei. Anunciado no domingo (8), ele é filho do aiatolá Ali Khamenei, morto no início da guerra. (NY Times)

Petrobras responde à crise. Os diretores da estatal afirmaram que a companhia está mais bem posicionada do que outras empresas para lidar com o aumento das taxas de frete devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. 

  • A CEO da Petrobras, Magda Chambriard, disse também que a recente alta no preço do petróleo ainda não é suficiente para dar segurança para uma ampliação de investimentos em transição energética. 
  • A companhia segue trabalhando com cenários conservadores para definir a estratégia de investimentos, mesmo diante da volatilidade recente no mercado. Em 2025, a estatal atingiu recorde na reposição de reservas de petróleo e gás. 
  • Entretanto, a discussão sobre o investimento em biorefino na Refinaria Riograndense (RPR), em Rio Grande (RS), está travado devido às incertezas relacionadas aos novos acionistas da Braskem.
  • Já em relação à Raízen, a estatal confirmou que não poderá negociar a aquisição de ativos da companhia, mesmo diante do interesse no portfólio de produção de etanol, por causa do acordo de não concorrência com a antiga BR Distribuidora, hoje Vibra Energia.

Mais pressão pelo B17. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério de Minas e Energia, o aumento urgente da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel no país, dos atuais 15% para 17% (B17), diante da escalada recente dos conflitos no Oriente Médio e seus impactos sobre o mercado de petróleo.

Enquanto isso, no gás. A escalada da guerra no Oriente Médio também sacudiu os ânimos do mercado global de gás natural liquefeito (GNL) e reacendeu o temor sobre um novo pico de preços, mas o Brasil está hoje menos vulnerável que na crise de 2021-22. Leia na gas week: Como a guerra no Oriente Médio afeta a sua conta de gás?

IPO da Compass. A Cosan entrou com pedido de oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de sua controlada Compass Gás e Energia no Brasil, que reúne os ativos de distribuição de gás canalizado e a Edge, a comercializadora de gás do grupo. (G1)

Refit. A Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) determinou, na sexta-feira (6), o afastamento cautelar imediato do desembargador Guaraci Vianna, do Tribunal de Justiça do estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), por proferir decisões manifestamente teratológicas no caso envolvendo a Refinaria de Manguinhos, a Refit.

  • O MPTCU quer avaliar a atuação da Receita Federal, da PGFN e da ANP na fiscalização da refinaria. A representação se baseia nas informações divulgadas pela revista Piauí, que detalham a complexa rede internacional de proteção patrimonial operada por Ricardo Magro, que mora nos Estados Unidos.

Foco na eficiência. A indústria brasileira defende que o mapa do caminho deve ser agnóstico em relação à tecnologia e focar na eficiência. Em entrevista à agência eixos, o presidente da SB COP, Ricardo Mussa, critica a ideia de um teto para produção de óleo e gás e avalia que o cenário de guerra pode mudar um pouco as prioridades.
 
Nova lei do licenciamento. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e outras 24 federações estaduais solicitaram o ingresso como amici curiae (partes interessadas) nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) que questionam no Supremo Tribunal Federal (STF) a Lei Geral do Licenciamento Ambiental.
 
Mapas do caminho. Desde a COP30, uma série de iniciativas tenta construir roteiros para a transição dos combustíveis fósseis no Brasil e no mundo. Listamos os principais movimentos para construir — e influenciar — rotas que pretendem levar o mundo a emissões líquidas zero até 2050. Leia na diálogos da transição: Com quantos mapas do caminho se faz uma transição?

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