NESTA EDIÇÃO. Representantes do Brasil, Venezuela, Argentina e Guiana marcam presença no segundo dia da CERAWeeek.
Estatal do Kuwait alerta para escassez de ureia devido à guerra no Oriente Médio.
Governo propõe aos estados subvenção compartilhada do diesel.
MME terá departamento dedicado à eletromobilidade.
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América Latina no foco: região quer atrair investimentos em meio à crise do petróleo
Representantes dos governos e do mercado latinoamericanos sinalizaram interesse em receber investimentos em petróleo e gás em meio à alta no preço do petróleo e à crise da produção no Oriente Médio, devido à guerra.
E os Estados Unidos estão deixando claro que querem moldar esse movimento, assegurando que o continente permanecerá sob a sua influência, em uma disputa contra o avanço da China.
- “Queremos garantir que a América Latina não se torne um ‘quintal’ para os adversários dos EUA e acreditamos que o investimento no setor energético também desempenha um papel fundamental nesse contexto”, disse o secretário do Departamento de Estado dos EUA, Caleb Orr, durante a CERAWeek, em Houston, na terça (24/3).
No mesmo painel de Orr, o diretor da ANP, Pietro Mendes, ressaltou que o Brasil permanece aberto a investimentos estrangeiros, de qualquer origem.
- Países vizinhos, como Argentina e Guiana, enviaram ministros ao evento, enquanto, do lado brasileiro, coube a Mendes e membros da diretoria da Petrobras a posição de porta-vozes – o diretor-geral da ANP, Artur Watt, e a presidente da estatal, Magda Chambriard, desistiram de participar em meio aos reflexos da crise internacional nos preços dos combustíveis.
E os investidores estão dando sinais concretos de interesse na região: o CEO global da Shell, Wael Sawan, disse que a companhia tem condições de tomar decisões finais de investimento em projetos de gás natural naVenezuela ainda este ano, se o país sul-americano continuar com a reforma de seus marcos fiscais e regulatórios.
- Essa é exatamente a promessa do atual governo venezuelano ao mercado: a ativista venezuelana Maria Corina Machado foi ovacionada pela plateia de executivos em Houston, após prometer que o país vai conquistar a confiança de longo prazo dos investidores por meio de contratos estáveis e flexíveis, além de incentivos para os mercados de petróleo e gás e minerais críticos.
- Ao todo, a estimativa é que o país precisará de US$ 150 bilhões em investimentos em dez anos para reviver a indústria petrolífera. Mas especialistas indicam que aportes maiores somente vão se concretizar após as eleições, que ainda não têm prazos concretos.
O ministro da Economia da Argentina, Daniel González, destacou que, a longo prazo, os desdobramentos da guerra são positivos para o país, e ressaltou a importância de reservas situadas longe de centros de conflito.
- A expectativa, entre os argentinos, é que o conflito possa acelerar investimentos em plantas de GNL – alçado à grande via de exportação do gás argentino.
González também elencou a exploração de minerais críticos, além da indústria de bens e serviços para o shale de Vaca Muerta e a infraestrutura de midstream como oportunidades disponíveis para investidores estrangeiros na Argentina.
Em paralelo, o ministro de Recursos Naturais da Guiana, Vickram Bharrat, sinalizou a intenção de realizar um novo leilão de áreas exploratórias em 2027, dessa vez com a disponibilização de novos dados sísmicos mais aprofundados para as petroleiras.
O outro lado da moeda. Se por um lado a guerra no Oriente Médio reforça a posição da América Latina como uma fronteira segura para investimentos em óleo e gás, a instabilidade global não é positiva a curto prazo para a economia latinoamericana, que sente os efeitos da inflação das commodities:
- “Acredito que a instabilidade, de modo geral, não é algo positivo”, afirmou a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos.
E mais. O CEO da Kuwait Petroleum Corporation, Nawaf Saud Al Sabah, afirmou que vê escassez de ureia em diversas regiões nos próximos meses, cenário que tende a afetar a produção global de alimentos.
Preço do barril. O petróleo fechou em alta de 4% na terça-feira (24), recuperando-se do tombo na véspera, em meio à continuação dos ataques entre Israel e Irã, após o país persa negar que possui negociações em andamento com os Estados Unidos.
- O Brent para junho avançou 4,49% (US$ 4,22), a US$ 100,23 o barril.
Preço dos combustíveis. No Brasil, governadores estaduais indicaram uma rejeição à proposta da União que previa o reembolso em até 50% de uma desoneração temporária do ICMS de importação de diesel. A Fazenda insiste e apresentou outra sugestão na terça (24): criar um programa de subvenção adicional para os importadores de diesel.
Alta do GLP. A Petrobras já entregou ao mercado os volumes de gasolina que seriam ofertados em leilão e foram suspensos após atingirem ágios elevados. Mas, segundo o presidente do Sindigás, Sérgio Bandeira de Mello, a estatal programou para o próximo dia 27 leilões de GLP, trazendo preocupação ao setor pelo risco de aumento de preço.
Renovação da Enel Ceará. A Aneel decidiu, por maioria, recomendar a renovação contratual por 30 anos da Enel Distribuição Ceará. Com a decisão, a única pendência no atual ciclo de renovação contratual de distribuidoras de energia elétrica é a Enel São Paulo.
Veículos elétricos. O MME quer alterar sua estrutura para criar um Departamento de Eletromobilidade, vinculado à Secretaria Nacional de Transição Energética e Planejamento. A proposta foi apresentada ao Ministério da Gestão.
IA para financiar transição. O “fator medo” presente na indústria de óleo e gás, de que a IA possa substituir a mão de obra no setor, é superestimado, disse nesta terça a diretora de Engenharia da Petrobras, Renata Baruzzi, durante participação na CERAweek 2026, em Houston.
- Ela acrescentou que a inteligência artificial “não é um risco”, em si, e que pode ajudar a indústria de óleo e gás a financiar a transição energética.
E na agenda da indústria. O projeto de lei 2338/2023, que regulamenta a inteligência artificial no Brasil, é um dos 15 itens elencados como prioritários na agenda legislativa da indústria, elaborada pela CNI e apresentada nesta terça (24/3).
- O documento reúne proposições monitoradas pelo setor industrial e também destaca preocupação com a PEC das Agências.
Combustível do Futuro. Um grupo de associações dos setores de energia, agronegócio e proteína animal divulgou na terça (24) um posicionamento conjunto pedindo a diferenciação da origem do biometano na contabilidade de descarbonização do mandato.
- O documento faz críticas à proposta do MME que foi para consulta pública no final de 2025.
UTE Brasília. O Ibama decidiu manter o indeferimento da licença prévia para a instalação da Usina Termelétrica Brasília, da Termo Norte Energia, em Samambaia (DF). A decisão, tomada após o órgão analisar pedido de reconsideração apresentado pela empresa, reafirma a conclusão anterior de inviabilidade ambiental do empreendimento.
Descarbonização marítima. Vast infraestrutura e HIF Global anunciaram na terça (24) um acordo para a construção de tancagem dedicada ao e-metanol no Porto do Açu (RJ). A assinatura definitiva do contrato, no entanto, está condicionada à decisão final de investimento da planta de e-metanol que a HIF pretende desenvolver no porto.
Mapa do caminho internacional. O diplomata brasileiro e presidente da COP30, André Corrêa do Lago, está à frente das negociações do mapa do caminho internacional, um instrumento pensado a partir da conferência climática de Belém para desenhar um plano global de descarbonização, e resistente às guinadas geopolíticas. Veja a entrevista ao estúdio eixos durante a CERAWeek, em Houston.
Enquanto isso, na Colômbia. Em uma iniciativa paralela ao mapa do caminho da presidência brasileira da COP30, a Colômbia sediará, no final de abril, a primeira conferência global dedicada à transição para o afastamento dos combustíveis fósseis — e busca resultados práticos.

