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Alívio de sanções amplia oferta de diesel russo e tende a impactar importações brasileiras

Combustível russo pode chegar mais caro ao Brasil

Lula durante reunião com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, no Grande Palácio do Kremlin, em Moscou, em 9 de maio de 2025 (Foto Ricardo Stuckert/PR)
Lula durante reunião com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, no Grande Palácio do Kremlin, em Moscou, em 9 de maio de 2025 (Foto Ricardo Stuckert/PR)

NESTA EDIÇÃO. Retirada temporária de sanções dos EUA deve deixar diesel russo mais caro e impactar mercado brasileiro. 

Petrobras minimiza imposto sobre exportação de petróleo: ‘é cenário de guerra’, diz Magda.

ANP aprova diretrizes para testes de aumentos das misturas de biodiesel e etanol

Brasil corre para lançar leilão de hidrogênio em 2026.


EDIÇÃO APRESENTADA POR:

A retirada temporária das sanções dos Estados Unidos ao petróleo e derivados da Rússia vai ampliar a oferta de diesel russo no mercado internacional — produto que já vinha sendo comprado pelo Brasil, mas que agora tende a chegar ao país sob preços mais altos. 

  • Em meio à crise global com a alta do petróleo devido à guerra no Oriente Médio, os EUA confirmaram o aval para transações com petróleo e derivados russos até 11 de abril (CNN). 
  • É uma tentativa de contornar o choque de oferta pelas dificuldades de tráfego no Estreito de Ormuz. 

O Brasil ampliou a importação de diesel russo desde 2022, quando teve início a guerra na Ucrânia. Por mais que não tenha aderido às sanções e tenha até ampliado a compra do produto russo, as empresas brasileiras negociam sob o teto de preços imposto pelos EUA e Europa. 

Mas a competição pelo produto russo tende a ficar mais acirrada.

  • Nos últimos anos, o Brasil disputou nos últimos anos o diesel russo com a Ásia, sobretudo a China.  
  • Apesar de os EUA não importarem diesel russo, a retirada das restrições pode estimular outros países a ampliar a demanda pelo produto. 
  • Vale lembrar que a concorrência também está mais feroz devido à crise no Estreito de Ormuz. Segundo o Goldman Sachs, as paradas de refinarias no Oriente Médio retiraram 2 milhões de barris/dia de capacidade do mercado

Hoje, cerca de 30% da demanda brasileira por diesel é atendida por importações, principalmente da Rússia e dos Estados Unidos. 

  • O aumento dos preços internacionais dificulta o fechamento de novas cargas pelos importadores brasileiros, que têm indicado dificuldade de competir com a Petrobras. 
  • No sábado (14/3), a estatal reajustou o preço do diesel em R$ 0,38. Mesmo assim, o valor ainda é considerado abaixo da paridade com as cotações internacionais. 

Antes mesmo do reajuste, o consumidor já sente o impacto da guerra no bolso: segundo a ANP, o litro do diesel encerrou a semana de 14 de março a R$ 6,80, alta de 11,9% em relação à semana anterior. Já a gasolina subiu para R$ 6,46 no mesmo período. 

  • Ainda resta saber qual será o real impacto do subsídio anunciado pelo governo na quinta (12), de R$ 0,32 por litro no diesel. A subvenção vale tanto para para o produto importado quanto para o entregue pelas refinarias brasileiras.

No ano passado, o mercado internacional chegou a ensaiar um potencial retorno do petróleo e derivados da Rússia, em meio aos sinais de que as negociações com a Ucrânia avançavam, por mais que nunca tenham se concretizado. 

  • O cenário contribuiu para a percepção de sobreoferta e para a queda de preços observada no segundo semestre de 2025 — situação que se inverteu completamente desde que eclodiu o conflito no Oriente Médio. 


Segurança de fornecimento. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou no sábado (14) que a prioridade do governo é garantir o abastecimento de combustível no país diante da alta do preço do barril de petróleo por causa da guerra no Oriente Médio.
 
Petrobras minimiza imposto. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou na sexta (13) que as exportações permanecem vantajosas, mesmo com a criação de um imposto temporário de 12% sobre as vendas do petróleo bruto no mercado internacional.

  • Segundo ela, a alta recente dos preços do barril, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, mais do que compensa a nova taxação.
  • A estatal, inclusive, fez um novo leilão de diesel na sexta (13), após uma disparada da demanda pelo combustível. A estatal confirmou à agência eixos que, dessa vez, a oferta foi de 240 milhões de litros, para entrega durante o mês de abril em diversos polos onde atua.

Disputa jurídica. O imposto de 12% sobre as exportações de petróleo bruto para bancar as medidas de contenção à alta dos combustíveis pegou o mercado brasileiro de surpresa, novamente, dado que ainda não há desfecho para a judicialização da cobrança adotada em 2023

  • No caso anterior, foram 9,2% sobre os embarques de petróleo para bancar a manutenção da desoneração do diesel, estabelecida no governo de Jair Bolsonaro (PL), que encerrou em 2022.  

Preço do barril. O petróleo fechou em alta na sexta-feira (13), encerrando uma semana marcada pela volatilidade, em que o Brent subiu 11% e superou o nível simbólico de US$ 100 o barril.

  • Investidores monitoraram a continuidade da guerra no Irã e preocupações com o escoamento pelo Estreito de Ormuz, com destaque para o alívio de sanções à Rússia pelos EUA e possibilidade de passagem de alguns navios pelo estreito.
  • O Brent para maio subiu 2,67% (US$ 2,68), a US$ 103,14 o barril.

Opinião: Conflitos em regiões estratégicas de produção energética reforçam dependência da economia global em relação a um recurso concentrado em áreas sensíveis, escreveo executivo do segmento ESG, André Senador.

Aumento da mistura. A diretoria colegiada da ANP aprovou na sexta (13) a minuta de portaria com critérios para a participação nos testes de viabilidade técnica para o aumento das misturas de biocombustíveis na gasolina e no diesel. 

  • As análises vão verificar a compatibilidade de teores de até 35% de etanol (E35) e 25% de biodiesel (B25), conforme previsto na Lei do Combustível do Futuro. 

Nuclear ganha força. A indústria nuclear prepara-se para se beneficiar da guerra de Donald Trump contra o Irã, à medida que governos ao redor do mundo buscam fontes de energia mais estáveis e de menor custo e reconsideram resistências anteriores à energia atômica. (Financial Times/Valor Econômico)

No Brasil, pequenos reatores. O governo nomeou os membros do grupo de trabalho que vai estudar a infraestrutura nacional para reatores nucleares de potência, a fim de recepcionar pequenos  e microrreatores modulares (SMRs). 

  • Os trabalhos vão durar 180 dias, podendo ser prorrogados, e resultarão em um documento sobre os desafios e oportunidades. 

Mercado livre de gás. A abertura do mercado de gás natural deu um salto em 2025 e atingiu a marca dos 100 usuários livres. Para 2026, a expectativa é de continuidade na curva de crescimento, mas agentes ainda avaliam os impactos da guerra. Leia na gas week

Chamada para biometano. A Comgás recebe até 30 de março as propostas comerciais para interconexão de plantas de biometano à rede de distribuição. 

  • A chamada foi aberta na esteira da criação, em São Paulo, da tarifa de distribuição específica para produtores — a Tusd-Verde.

Hidrogênio. O Ministério da Fazenda está trabalhando com um cronograma para realizar o primeiro leilão para acesso a incentivos para produção e consumo de hidrogênio de baixo carbono ainda este ano, indicou esta semana o diretor de Programa da Secretaria de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Carlos Colombo.
 
Soluções baseadas na natureza. A Petrobras selecionou quatro propostas no edital Soluções Baseadas na Natureza para Adaptação e Resiliência Climática nas Cidades que receberão, juntos, R$ 21 milhões em novos investimentos nos próximos três anos no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Conheça os projetos
 
Regimento do Fonte. O MME publicou no Diário Oficial da União da sexta-feira (13) o regimento interno do Fórum Nacional de Transição Energética (Fonte). Entre os objetivos estabelecidos na portaria estão ampliar o debate entre governo, setor produtivo e sociedade civil.

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