comece seu dia

Acordo Mercosul-UE abre oportunidades de colaboração em petróleo, minerais críticos e bioeconomia

Bens produzidos com energia limpa e critérios de sustentabilidade terão acesso mais fácil ao bloco europeu

Lula (PT), à esquerda, e Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia, à direita, durante sessão de abertura do fórum empresarial União Europeia-América Latina, em Bruxelas, na Bélgica (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Lula (PT) e Ursula von der Leyen na abertura do fórum empresarial UE-América Latina, em Bruxelas, na Bélgica (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

NESTA EDIÇÃO. Parceria Mercosul-UE cria expectativa de colaboração no mercado de energia brasileiro. 
 
Chevron indica que pode começar a ampliar a extração de petróleo da Venezuela imediatamente. Trump vai suspender exportação do óleo venezuelano à Cuba
 
Lula sanciona Lei do Devedor Contumaz com vetos. 
 
Energia elétrica foi maior peso da inflação em 2025, segundo IBGE. 


EDIÇÃO APRESENTADA POR:

A aprovação pelo Conselho Europeu do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia na sexta (9/1) abre novas perspectivas de colaboração entre os blocos no setor de energia. Para o Brasil, há expectativa de impactos sobretudo nos segmentos de petróleo, minerais críticos, bioprodutos e etanol

  • A formalização da parceria ainda depende do aval do Parlamento Europeu
  • A expectativa é que a assinatura do acordo final ocorra no sábado (17/1)
  • A negociação levou mais de 25 anos e envolve cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 22 trilhões.

O petróleo é um dos principais itens da pauta de exportação do Brasil para a União Europeia. 

Indiretamente, o acordo também pode impactar o mercado de gás natural no Brasil, ao abrir novas perspectivas para a indústria química brasileira — grande consumidora de gás. 

Há, ainda, uma grande expectativa — sobretudo do lado europeu — de colaboração no segmento de minerais críticos, cruciais para a transição energética. 

  • A União Europeia já tem acordos nesse segmento com Chile e Argentina
  • Chile, Argentina e Bolívia detêm 65% das reservas mundiais de lítio, minério considerado essencial para a fabricação de baterias de veículos elétricos.
  • O Brasil também é considerado um fornecedor estratégico — com a maior reserva mundial de nióbio, a segunda maior de grafite e terras raras, e a terceira de níquel.
  • Vale a leitura: Europa vê urgência em acordo com Mercosul para fornecimento de minerais críticos

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o acordo também  prevê a elaboração de uma lista de produtos da bioeconomia que receberão tratamento mais favorável no mercado europeu. 

  • O acesso ao mercado europeu também será facilitado para outros bens produzidos segundo critérios de sustentabilidade, como o uso de energia limpa.  

Um dos principais pontos de discordância para o avanço do acordo, o agronegócio brasileiro também deve ser favorecido. Entretanto, foram estabelecidas cotas, que podem limitar as negociações. 

  • No caso do etanol, a cota de importação pela Europa prevê até 570,3 milhões de litros isentos para uso na indústria química e 200 mil toneladas com redução tarifária de um terço para outros usos, como combustível. 
  • Mesmo assim, a assinatura empolgou o mercado, que reagiu com a alta nas ações, na sexta, das empresas produzem etanol no Brasil (Globo Rural)

O avanço no acordo entre os blocos europeu e sulamericano também é visto como uma sinalização a favor do comércio internacional, do multilateralismo e da independência das regiões em relação aos Estados Unidos, logo após a invasão da Venezuela.

  • Para contexto: a Venezuela está suspensa do Mercosul desde janeiro de 2024


Preço do petróleo. A commodity fechou em forte alta na sexta-feira (9), em meio a tensões geopolíticas elevadas. Investidores também digeriram o principal relatório de emprego dos EUA.

  • O Brent subiu 2,18% (US$ 1,35), a US$ 63,34 o barril. Na semana, a alta foi de 4,06%. 

Petróleo venezuelano. A petroleira estadunidense Chevron pode começar a ampliar a extração de petróleo agora, disse um representante da empresa presente ao encontro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com executivos de grandes companhias de petróleo na Casa Branca na sexta-feira (9).

  • Em paralelo, os Estados Unidos apreenderam mais um petroleiro que tentou furar o bloqueio naval americano destinado a impedir a saída de petróleo sancionado da Venezuela. Este é o quinto navio interceptado nas últimas semanas.
  • Entretanto, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, disse que está em avaliação a retirada de parte das sanções econômicas impostas à Venezuela já na próxima semana. O objetivo é facilitar a venda de petróleo

EUA X Cuba. Trump afirmou em publicações nas redes sociais que “não haverá mais petróleo ou dinheiro indo para Cuba” e sugeriu que o governo cubano “faça um acordo antes que seja tarde demais”.

  • Em resposta, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou que o país tem “direito absoluto de importar combustível” de mercados dispostos a exportá-lo. 

Atratividade. O petróleo da Venezuela deve ser um dos primeiros a serem abandonados pelo mercado de refino na transição energética, disse o sócio da Leggio, Marcus D’Elia.

  • Isso porque o petróleo venezuelano é majoritariamente pesado e extra-pesado, com maior custo de extração e refino, além de originar uma gama menor de produtos e menor valor agregado. 

Autorização inédita. A Shell obteve a licença para operar como Empresa Brasileira de Navegação (EBN), o que a torna a primeira empresa internacional de óleo e gás a receber a autorização.

  • A companhia já iniciou a operação de um navio tanque aliviador, que será utilizado no transporte de óleo por cabotagem. 

Sanção da Lei do Devedor Contumaz. O presidente Lula (PT) sancionou, com cinco vetos, a Lei Complementar 225, que cria o Código de Defesa do Consumidor e tem como destaque a tipificação do devedor contumaz

  • A nova lei, aprovada pelo Congresso em dezembro, caracteriza devedor contumaz como “o sujeito passivo, na condição de devedor principal ou de corresponsável, cujo comportamento fiscal se caracteriza pela inadimplência substancial, reiterada e injustificada de tributos“. 

Opinião: Em cenário de tensões geopolíticas, Brasil precisa utilizar habilidade negocial da diplomacia e seus diferenciais estruturais para a transição energética, escreve o diretor de Energia Sustentável e Bioeconomia do Instituto E+ Transição Energética, Clauber Leite.

Sem quórum. A primeira reunião do Fórum Nacional de Transição Energética (Fonte) do ano, na quarta-feira (7), foi marcada pela falta de quórum

  • Dos 87 integrantes com direito a voto, apenas 38 compareceram na reunião remota, número insuficiente para deliberar sobre a pauta, que buscava aprovar o regimento interno. 
  • O Fonte é um dos instrumentos para elaboração do Plano Nacional de Transição Energética (Plante). 

Expansão do SIN. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima a necessidade de R$ 73,6 bilhões em investimentos em obras ainda não autorizadas ou licitadas no Sistema Interligado Nacional (SIN) até 2032.

  • Do investimento total projetado, R$ 43,0 bilhões (58%) são para linhas de transmissão, e R$ 30,6 bilhões (42%) para subestações.  

Energia pesa na inflação. A energia elétrica residencial foi a maior vilã da inflação no ano de 2025. Por outro lado, os alimentos ajudaram a deter o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no ano, segundo o IBGE. 

  • A energia elétrica subiu 12,31% em 2025, subitem de maior impacto individual, uma contribuição de 0,48 ponto porcentual para a inflação de 4,26% registrada no ano.
  • Apenas em dezembro, a energia elétrica residencial caiu 2,41%, registrando o maior impacto negativo individual do mês (-0,10 ponto porcentual).

Opinião: O modelo da conta de luz não acompanhou o crescimento exponencial da geração distribuída nem as mudanças no perfil do consumidor, e isso causa um desequilíbrio em todo o sistema, escrevem o gerente de Planejamento e Inteligência de Mercado da Abradee e coordenador do P&D Governança de Sandboxes Tarifários, Lindemberg Reis, e o assessor de comunicação, Lucas Santin.

Newsletter comece seu dia

Inscreva-se e comece seu dia bem informado sobre tudo que envolve energia