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Acordo com a Índia em minerais críticos busca atrair processamento para o Brasil, diz Lula 

Brasil e Índia vão colaborar em minerais críticos e terras raras

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião restrita com o Primeiro-Ministro da República da Índia, Narendra Modi, na Sala Nilgiri da Casa Hyderabad. Nova Delhi — Índia. Foto: Ricardo Stuckert / PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião restrita com o Primeiro-Ministro da República da Índia, Narendra Modi, na Sala Nilgiri da Casa Hyderabad. Nova Delhi — Índia. Foto: Ricardo Stuckert / PR

NESTA EDIÇÃO. Lula e Modi fecham parceria em mineração, com foco em terras raras
 
Redata será um dos temas tratados por Lula com Trump. 
 
Indústria química é desafio para emissões na China.
 
Grupo J&F entra com pedido para autoimportar gás natural da Argentina.
 
ANP interdita unidade da Vibra Energia após explosão. 
 
Mudança no ICMS dos combustíveis em 2022 terá efeito duradouro na receita de estados.


EDIÇÃO APRESENTADA POR:

O Brasil e a Índia assinaram no sábado (21/2) um acordo para cooperação em minerais críticos e terras raras, durante a visita do presidente Lula (PT) ao país asiático. 

  • “Queremos atrair a cadeia de processamento dessa riqueza para o território brasileiro, sem fazer opções excludentes. O acordo que assinamos hoje com a Índia vai, exatamente, nessa direção”, disse Lula em declaração após o anúncio. 
  • “É um grande passo em direção a construir cadeias de suprimento resilientes”, afirmou o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, a jornalistas (Agência Brasil)

O saldo do encontro dos líderes na última semana rendeu seis acordos bilaterais

  • Nos últimos meses, o estreitamento das relações com a Índia passou também pelos segmentos da bioenergia e do petróleo. Relembre: Índia passa a ser segundo maior mercado para exportações de petróleo brasileiras.
  • “Juntamente com a Índia, queremos ser motores de um novo modelo de desenvolvimento. Transformamos os desafios da transição energética e da mudança do clima em oportunidades”, disse Lula. 
  • No entanto, não foi anunciado nenhum novo acordo nesses segmentos.

A diplomacia brasileira tem usado cada vez mais as amplas reservas minerais do país nas negociações internacionais

  • O Brasil tem a maior reserva mundial de nióbio, a segunda maior de grafite e terras raras, e a terceira de níquel.
  • Esse também é um dos temas previstos para o encontro entre Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump, em março. 

Os minerais críticos são estratégicos para a transição energética e para o aumento da capacidade de processamento de dados, em expansão em todo o mundo. Saiba mais em: Dados são o novo óleo: investimentos em data centers superam petróleo e gás em 2025.

  • O governo brasileiro tem indicado que quer atuar não apenas como fornecedor de matérias-primas, mas também desenvolver a tecnologia associada ao processamento desses minerais.
  • Em outra ponta dessa cadeia, o Brasil busca atrair também data centers, por meio de uma política de incentivos, o Redata. 
  • A medida provisória que institui o Redata perde a validade esta semana, mas o governo aposta que a discussão vai avançar por meio do projeto de lei 278/2026, protocolado pelo deputado José Guimarães (PT/CE) no começo do mês. 

Após uma pausa, estamos de volta. Abaixo, um breve resumo das principais notícias da semana de Carnaval. 



Diálogo com os EUA. O presidente em exercício e ministro, Geraldo Alckmin (PSB), disse que o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) será um dos temas tratados por Lula na reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para ocorrer em março.
 
Novas tarifas. Trump anunciou na sexta-feira (20) que assinará um decreto impondo uma nova tarifa global de 10% com base na Seção 122 da Lei de Comércio, horas após a Suprema Corte derrubar as tarifas adotadas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).

  • Por 6 votos a 3, a Corte concluiu que os termos da IEEPA não conferem ao Executivo poder para instituir tarifas. 

Ainda sobre os EUA. Uma coalizão de grupos de saúde e meio ambiente entrou com um processo, na quarta-feira (18), contra a determinação da Agência de Proteção Ambiental (EPA, em inglês) dos EUA de revogar a “constatação de perigo” em vigor desde 2009. 

  • A norma determinava que os gases de efeito estufa representam um risco para a saúde pública, servindo de fundamento para as regulamentações climáticas federais. 

Enquanto isso, na China. As emissões de CO2 da China caíram 1% no último trimestre de 2025, indicando que o maior emissor global pode ter alcançado uma redução de 0,3% no ano passado, mostra uma análise do Carbon Brief. 

  • A descarbonização é desafiada, no entanto, pela indústria química e dependência de combustíveis fósseis, como o carvão. 

Opinião: Até que ponto os investimentos chineses no Brasil podem fortalecer a capacidade produtiva e de inovação local?, escreve o pesquisador no Centro de Energia, Finanças e Desenvolvimento, Ricardo Kotz. 

Adesão plena à IEA. Os ministros dos países membros da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) confirmaram na quinta-feira (19) , por unanimidade, a decisão de iniciar o processo formal de adesão do Brasil à agência.

Gás argentino. O grupo J&F deu entrada num pedido de autorização junto ao governo argentino para autoimportar gás natural do país vizinho.

  • Petroleira independente do grupo, a Fluxus detém participação no campo Centenário, localizado na província de Neuquén. 

Sanção com vetos. O presidente Lula sancionou, na sexta-feira (13), a lei 15.348/2026, que cria o programa Gás do Povo e institui o Programa Nacional de Acesso ao Cozimento Limpo.

  • O governo vetou parcialmente o trecho que destina o valor recolhido em multas por descumprimento da iniciativa para o custeio da modalidade de gratuidade do programa. 

Mobilidade. A renovabilidade da matriz de transportes pode chegar a 85% em 2055, estima o Plano Nacional de Energia (PNE 2055). Os biocombustíveis convencionais, como etanol e biodiesel, podem responder por 43% da demanda do setor de transportes em 2055.

Acidente. A ANP interditou uma unidade da Vibra Energia em Volta Redonda (RJ), após uma explosão em um tanque de armazenamento de etanol no domingo (22). 

Preços. A cotação média do etanol fechou a semana encerrada no sábado (14/2) a R$ 4,65 o litro, alta de 0,22% na comparação com a semana anterior. O combustível não foi competitivo em relação à gasolina em nenhum estado brasileiro na semana do levantamento. 

Cotação do barril. O petróleo fechou perto da estabilidade na sexta-feira (20/2), acumulando ganhos na semana em meio a indicações de que os Estados Unidos se preparam para atacar o Irã.

  • O Brent para maio avançou 0,04% (US$ 0,03), a US$ 71,30 o barril. Na semana, o preço avançou 5,24%.
  • As cotações também são influenciadas pelos estoques nos EUA, que caíram 9,014 milhões de barris na semana encerrada em 13 de fevereiro.

Impostos. As mudanças promovidas pelo governo Bolsonaro no sistema de tributação dos combustíveis no ano eleitoral de 2022 alteraram o equilíbrio fiscal dos estados e vão continuar exercendo efeitos duradouros com a entrada em vigor do novo regime resultante da reforma tributária, segundo nota técnica da Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite).

Concessão da Enel SP. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) enviou ofício ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), e ao diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, solicitando a estimativa de prazo para a conclusão do processo de monitoramento da concessão da Enel São Paulo. 

  • A apuração pode culminar na declaração de caducidade do contrato

Apagão. Parte do Paraguai enfrentou um apagão na quarta-feira (18) à tarde devido a uma falha na transmissão da usina de Itaipu Binacional, segundo a Administração Nacional de Eletricidade (Ande). 

  • Do lado brasileiro, não foram registradas falhas no fornecimento.

Opinião: Estamos contratando novas térmicas no ponto mais caro do ciclo global, escreve o diretor de Regulação e Inovação da Serena, Bernardo Bezerra.
 

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