BRASÍLIA — A companhia de transmissão de energia ISA Cteep inaugurou na última quinta (23/3) o primeiro projeto de armazenamento de energia em baterias em larga escala do sistema de transmissão brasileiro.
Recém-energizado na Subestação Registro (SP), uma das responsáveis pelo abastecimento do litoral sul de São Paulo, o empreendimento atenderá cerca de dois milhões de pessoas.
Em uma área de cinco mil metros quadrados — o equivalente à metade de um campo de futebol –, mais de 180 racks de baterias com 30 MW de potência entregarão energia de 60 MWh por duas horas.
Segundo a Cteep, o sistema atuará nos momentos de pico de consumo local, durante o verão, como um reforço à rede elétrica.
Energizado em novembro do ano passado, no dia 31 de dezembro, às 19h21, o projeto já realizou a primeira descarga de energia armazenada no sistema de transmissão para reduzir o pico de carga e evitar a interrupção no fornecimento.
“Temos convicção de que esse empreendimento, além de ser um grande laboratório setorial, com capacidade de permitir que o país avance ainda mais em tecnologias e conexões de fontes renováveis, será um catalizador da nossa transição energética em direção a uma matriz energética 100% limpa”, afirmou Rui Chammas, diretor-presidente da ISA Cteep na inauguração.
Chammas aponta o armazenamento como a próxima fronteira tecnológica na transição energética, por permitir maior integração de fontes intermitentes, como solar e eólica, ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
“Embora sejam bastante benéficas, por não emitirem carbono, as novas fontes renováveis não são despacháveis — isto é, não podem ser acionadas a qualquer momento — como as hidrelétricas e as termelétricas. Essa intermitência cria desafios para a estabilidade e a segurança do sistema nacional”, observa.
O sistema da Cteep foi selecionado em uma chamada pública de armazenamento da Aneel lançada em 2016. O projeto pretende evitar o acionamento de geradores a diesel (uso equivalente de 350 mil litros do combustível).
A solução, além de menos poluente, não causa o mesmo ruído dos geradores e elimina o transporte de diesel para manter o contínuo abastecimento dos equipamentos.
A substituição do fóssil deve evitar, em dois anos de operação, a emissão de 1.194 toneladas de gases de efeito estufa.