As taxas médias à vista de afretamento para superpetroleiros (VLCCs, em inglês) alcançaram máximas históricas com a interrupção na navegação no Estreito de Ormuz devido à guerra no Oriente Médio, indica a Moody’s. As taxas de frete ultrapassaram os 350 mil dólares por dia.
Em 27 de fevereiro, véspera da deflagração do conflito, o valor era de 200 mil dólares por dia.
A Moody’s ressalta que as taxas são teóricas, pois foram registradas poucas reservas de petroleiros nos últimos dias.
Segundo a agência, se o conflito interromper o transporte marítimo por um período prolongado, as taxas altas devem prevalecer.
Haverá, ainda, um aumento nos ganhos das companhias marítimas com grandes operações de petroleiros. A Moody’s estima que as taxas elevadas mais do que compensarão a redução da demanda resultante de qualquer desaceleração econômica causada pelo conflito.
Entre as companhias marítimas que podem se beneficiar estão Mitsui O.S.K. Lines, Ltd., Nippon Yusen Kabushiki Kaisha e Stena AB.
Nesse cenário, também se beneficiariam empresas de fretamento, como a Navios Maritime Partners.
A companhia ressalta, no entanto, que trabalha como cenário de referência que o conflito será relativamente de curto prazo, a navegação pelo Estreito de Ormuz será retomada em grande escala e os estoques mitigarão um curto período de baixa ou de nenhuma oferta nova.
Assim, o mais provável é que as taxas dos petroleiros voltarão à normalidade com relativa rapidez.
Risco de derramamento de óleo
Segundo a Moody’s, existe a possibilidade de um ataque direto a um petroleiro resultar em um grande derramamento de óleo no estreito, o que tornaria a região temporariamente inavegável ou levaria a uma redução acentuada e prolongada dos volumes de tráfego, dependendo da gravidade do vazamento.
Desde o início do conflito, nove navios-tanque já foram atingidos por mísseis ou drones. Muitas companhias marítimas instruíram seus navios no Golfo Pérsico e com destino a essa região a se protegerem imediatamente.
Outro risco associado ao conflito é de uma grande queda do tráfego de navios no estreito, como ocorreu com o Mar Vermelho desde o fim de 2023, quando houve um ataque a navios comerciais no local.