A ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, anunciou nesta quinta (19/3) que irá reduzir o financiamento climático e a ajuda a países em desenvolvimento.
A justificativa é a necessidade de reorientar os recursos para a defesa e para fortalecer a economia devido à guerra dos Estados Unidos no Irã.
“A segurança nacional é o primeiro dever do governo e este país enfrenta a situação de segurança mais grave em uma geração”, disse durante discurso na Câmara dos Comuns.
De acordo como governo, os gastos com o clima serão de cerca de 6 bilhões de libras ao longo de três anos, abandonando o compromisso de estabelecer orçamentos quinquenais que viabilizam projetos de longo prazo.
No acordo anterior, o Reino Unido contribuiu com 11,6 bilhões de libras ao longo de cinco anos, isto é, cerca de 2,3 bilhões de libras por ano. (The Guardian)
Já a verba de 3 bilhões de libras para projetos de natureza e florestas foi cancelada.
O Reino Unido também está revisando seu apoio a países em desenvolvimento, reduzido em aproximadamente 14%, para algo na ordem de 2 bilhões de libras por ano.
Ainda segundo o jornal britânico Guardian, o orçamento de ajuda externa do Reino Unido foi reduzido para 0,3% do rendimento nacional bruto, com programas nas áreas da saúde, educação e assistência humanitária a serem cortados.
“Para nós, isso não é uma decisão ideológica. É uma escolha difícil diante de ameaças internacionais. E o Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças confirmaram que é nossa intenção retornar a 0,7% quando as circunstâncias fiscais o permitirem”, discursou Cooper.
A ministra afirmou que, embora o financiamento direto a outros países será reduzido, a exemplo de apoio bilateral a nações do G20, o compromisso com o desenvolvimento internacional continuará sendo parte central da política externa.
“É parte fundamental do nosso propósito moral lutar contra as doenças e a fome em escala global e apoiar aqueles que estão presos em crises causadas por conflitos ou mudanças climáticas“, comentou.
O foco será o apoio aos países e comunidades que enfrentam as maiores necessidades humanitárias – aqueles afetados por guerras e crises –, em que o governo destinará 1,4 bilhão de libras por ano.
O montante inclui os fundos destinados à Ucrânia, Palestina e Sudão. A ministra também anunciou que, tendo em vista a atual crise no Oriente Médio, o Líbano foi incluído, esta semana, na lista de países cujo financiamento estará totalmente protegido no próximo ano.
