Guerra comercial

PL da Reciprocidade é carta na manga para o agro, diz presidente da FPA

Lupion cita dificuldade na negociação de décadas para entrada de etanol de milho dos EUA no Brasil e cotas de açúcar de cana em solo americano

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion, durante evento com produtores do setor sucroalcooleiro, em Brasília, em 2/4/2025 (Foto Divulgação Orplana/Cana Summit)
Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion (PP/PR), em evento com o setor sucroalcooleiro, em Brasília (Foto Divulgação Orplana/Cana Summit)

BRASÍLIA – O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion (PP/PR), afirmou em evento com produtores do setor sucroalcooleiro, nesta quarta (2/4), que o PL da Reciprocidade Econômica aprovado pelo Senado é uma carta na manga para o setor produtivo se preparar para lidar com imposições de barreiras, seguindo o exemplo de outros concorrentes na exportação de commodities.

Ele aponta que o setor de etanol pode ser um dos grandes afetados pela política de imposição de tarifas adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Apesar da obstrução da pauta provocada por parlamentares que pedem a anistia aos condenados pelo 8 de janeiro, o Senado aprovou ontem (1º/4) a Lei da Reciprocidade Econômica.

O projeto de lei chega à Câmara para tramitação em regime de urgência e será relatado por Arnaldo Jardim (Cidadania/SP).

É uma resposta à política de relações comerciais dos EUA. Lupion afirmou que a aprovação é consequência de um processo para impor a reciprocidade que começou quando produtores brasileiros enfrentaram dificuldade de acesso ao mercado da União Europeia, sob alegação de infração a questões ambientais.

“A questão do etanol é algo que [os Estados Unidos] sempre nos exigiu muito. A entrada do etanol de milho aqui e a gente, em contrapartida, querendo aumentar a cota do açúcar de cana lá. É uma negociação que já ocorre há anos e nunca prosperou, ainda mais agora, que o Brasil é um grande produtor de etanol de milho. Pode ter alguma coisa nesse sentido [sobre as tarifas], mas acredito que virá algo em relação às commodities”, afirmou Lupion.

Lupion citou o grande volume do comércio bilateral entre os dois países e como a guerra comercial de Trump pode influenciar, inclusive, no desenvolvimento da infraestrutura do agro, com impactos sobre o ferro, aço e alumínio, usado em estruturas de armazenagem.

“O ponto positivo, talvez, se é que tem algo de positivo, é sair o anúncio de diversos países ao mesmo tempo, não ficar uma coisa específica de um país só. Então, o governo Trump tem feito dessa maneira, tem sido extremamente agressivo nas medidas para chamar para a mesa para negociar”, disse o deputado.

Questionado se o Brasil poderia se beneficiar de alguma forma pelo tarifaço do presidente norte-americano, Lupion ponderou que depende do que está por vir. Segundo ele, a briga comercial com a China abriu oportunidades para o agro brasileiro, sobretudo nesse período de safra.

“Dia da libertação”

Trump anuncia, às 17h desta quarta, os países e produtos que serão tarifados e em que intensidade. A data de hoje vem sendo chamada pelo presidente como “dia da libertação” e tem gerado apreensão nos mercados globais e entre líderes mundiais.

O tarifaço foi anunciado em janeiro, sob a alegação, por parte do republicano de que os EUA saem perdendo nas relações comerciais, sobretudo em situações em que não há reciprocidade, ou seja, produtos norte-americanos são taxados para entrar em determinados países, enquanto itens dessas nacionalidades entram nos EUA com taxas reduzidas.

A Casa Branca já manifestou que as taxas devem ser, em média, de 20% e afetar petróleo, bebidas alcoólicas, etanol, plásticos e produtos agropecuários. Automóveis serão tarifados em 25%.

Agro na COP30

O deputado Pedro Lupion afirmou que o agro vê como uma oportunidade de mostrar o Brasil como um país produtor e espera mostrar experiências bem sucedidas e métodos produtivos sustentáveis adotados pelo produtor brasileiro. 

“Ninguém no mundo preserva o mínimo de 20% para produção agropecuária, nós fazemos. Então, a gente tem muito o que mostrar e espero que a COP não seja só discurso ideológico, só político, só ONG, e que a gente consiga mostrar de fato o que o Brasil faz”, apontou.

Citou, ainda, reuniões com embaixadores europeus na última semana e reclamou sobre “os dedos apontados” para o agronegócio na véspera da COP30, que será sediada em Belém, no Pará.

“A COP que ocorrerá aqui no Brasil não pode ser chamada de COP da floresta. Para nós, é a COP na floresta de um país produtor de biocombustíveis, produtor de alimentos e que tem uma responsabilidade socioambiental que nenhum outro país no mundo tem.

Ainda de acordo com o presidente da FPA, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) firmou uma parceria com a Embrapa e será montada uma estrutura específica para o agro, em Belém, para apresentar iniciativas e métodos produtivos sustentáveis.

“[O agro brasileiro] cumpre uma legislação ambiental super exigente e que lugar nenhum do mundo cumpre. Ninguém no mundo preserva o mínimo de 20% [de vegetação nativa] para produção agropecuária e nós fazemos. Então temos muito para mostrar”, completou.

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