A estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) afirmou, nesta segunda-feira (15/12), que foi alvo de um ciberataque para interromper suas operações.
Em comunicado, a empresa acusou os Estados Unidos de liderarem o ataque e rejeitou o que classificou como uma “ação deplorável, orquestrada por interesses estrangeiros em cumplicidade com fatores apátridas”.
Segundo a PDVSA, o ataque teve impacto limitado e não comprometeu a produção. “As áreas operacionais não foram afetadas, sendo um ataque ao sistema administrativo”, informou a estatal, acrescentando que a continuidade da produção foi mantida por meio da adoção de “protocolos seguros”, o que permitiu preservar o abastecimento do mercado interno e cumprir compromissos de exportação.
No texto, a companhia associa o episódio à “estratégia pública do governo dos Estados Unidos de se apoderar do petróleo venezuelano pela força e pela pirataria” e afirma que não se trata de um caso isolado.
“Não é a primeira vez que o governo dos EUA, aliado a setores extremistas, tenta afetar a estabilidade nacional”, diz o comunicado.
A PDVSA é a principal fonte de divisas da Venezuela e considerada a espinha dorsal da economia do país, que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo e produz cerca de um milhão de barris por dia.
A denúncia ocorre em meio à escalada de tensões entre Caracas e Washington. O episódio foi divulgado dias após o presidente Donald Trump afirmar que forças americanas apreenderam um navio petroleiro próximo à costa venezuelana.
Militares dos EUA têm sido mobilizados para operações contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas em águas internacionais do Caribe e do Pacífico, ações que já deixaram mais de 80 mortos.
O governo americano sustenta que o envio de tropas busca combater cartéis de drogas latino-americanos. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por sua vez, afirma que o verdadeiro objetivo das operações é pressioná-lo a deixar o poder.
Por Pedro Lima
