Maior acordo entre blocos

Mercosul-UE reunirá cerca de 720 milhões de pessoas e PIB de mais de US$ 22 tri

'É um ganha-ganha', diz Geraldo Alckmin; blocos negociam cerimônia no próximo sábado (17/1), no Paraguai

Vice-presidente da República e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin (Foto Júlio César Silva/MDIC)
Geraldo Alckmin (PSB), vice-presidente da República e ministro do MDIC (Foto Júlio César Silva/MDIC)

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgaram nesta sexta (9/1) nota conjunta saudando a aprovação da assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), feita mais cedo pelo Conselho Europeu.

A autorização, contudo, ainda não significa a conclusão definitiva do processo, que se arrasta há 26 anos.

“A cerimônia de assinatura deverá ocorrer em data e local a serem acordados em conjunto entre os países do Mercosul e o lado europeu”, disseram MRE e MDIC. “O acordo integrará dois dos maiores blocos econômicos do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 22 trilhões”, frisaram.

“Trata-se do maior acordo comercial negociado pelo Mercosul e um dos maiores dentre aqueles pactuados pela União Europeia com parceiros comerciais.”

Próximos passos

As capitais da UE têm agora até as 17 horas desta sexta-feira (9) para apresentar qualquer objeção e formalizar a votação, conferindo respaldo político à aprovação dos embaixadores baseados em Bruxelas.

Segundo o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, isso permitirá que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o acordo com os parceiros do Mercosul na próxima semana.

Em seguida, o Parlamento Europeu também terá que aprovar o tratado. “Alguns deputados europeus querem que o tribunal superior da UE analise o acordo comercial latino-americano, o que poderia atrasar o processo (esta manobra já foi tentada sem sucesso no ano passado)”, explicou Barral.

Ele lembrou que a ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, afirmou que a batalha ainda não terminou e prometeu lutar por uma rejeição pelo Parlamento da UE, onde a votação será apertada. Grupos ambientalistas europeus também se opõem ao acordo, e a organização Amigos da Terra o classificou como um acordo “destruidor do clima”.

Do outro lado, o social-democrata alemão Bernd Lange, presidente da comissão de comércio do Parlamento, manifestou confiança de que o acordo será aprovado, sendo a votação em abril ou maio (o que parece otimista).

Uma vez aprovado pelo Parlamento, a parte comercial entra em vigor bilateralmente (com a ratificação de cada Estado Parte do Mercosul). Além disso, algumas seções do acordo (que vão além da política comercial) também precisarão ser votadas nos parlamentos nacionais da UE, conforme o procedimento constitucional de cada país”, completou Barral.

‘Ganha-ganha’

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), disse que o acordo comercial entre União Europeia (UE) e Mercosul vai fortalecer o multilateralismo, a sustentabilidade e os investimentos entre os blocos.

“Em um momento geopolítico difícil, de instabilidade, de conflitos, é fundamental para o mundo”, disse Alckmin, durante entrevista coletiva sobre o tema. “O acordo mostra que é possível construir o caminho de um comércio com regras, de abertura comercial e de fortalecimento do multilateralismo”, acrescentou.

Segundo o vice-presidente brasileiro, a expectativa é que o acordo seja assinado nos próximos dias.

Como mostrou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), os blocos negociam para que a assinatura ocorra no próximo sábado (17/1) no Paraguai.

Alckmin disse, ainda, esperar que a vigência do termo comece ainda este ano.

Ele explicou que o Congresso brasileiro ainda precisa aprovar uma lei validando o acordo. Se isso for feito no primeiro semestre, o país não vai depender dos outros membros do Mercosul, disse o vice-presidente.

Alckmin ainda destacou que o acordo Mercosul-UE será o maior do tipo no mundo e é relevante para o comércio brasileiro.

Segundo ele, o bloco europeu foi o primeiro ou segundo destino dos produtos vendidos por 22 estados do país e por 30% dos exportadores.

O acordo também deve promover investimentos e sustentabilidade. “É um ganha-ganha”, disse.

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