Geopolítica energética

Kremlin: medidas acertadas com EUA para comércio e energia dependem de remoção de sanções

Iniciativa prevê segurança marítima e facilitação de exportações de fertilizantes russos, dependendo da reconexão de bancos ao SWIFT e fim de restrições a navios

Três navios tanque petroleiros navegam em mar azul na cidade de Tessalônica, Grécia (Foto John Maravelakis/Unsplash)
Navios-tanque transportam petróleo próximo à cidade de Tessalônica, na Grécia (Foto John Maravelakis/Unsplash)

Rússia e Estados Unidos anunciaram os resultados de uma reunião entre grupos de especialistas dos dois países, com avanços em áreas como segurança marítima e exportações agrícolas — mas condicionados à retirada de uma série de sanções contra Moscou, segundo comunicado divulgado nesta terça-feira (25/3) pelo Kremlin.

Os pontos centrais do acordo, já tratados em nota anterior da Casa Branca, incluem a “Iniciativa do Mar Negro”, que prevê “a garantia da segurança da navegação no Mar Negro, a não utilização da força e a proibição do uso de embarcações comerciais para fins militares”.

Além disso, os EUA se comprometeram a “apoiar a restauração do acesso das exportações russas de produtos agrícolas e fertilizantes ao mercado mundial”, com facilitação de seguros, portos e pagamentos.

No entanto, o Kremlin deixou claro que essas medidas só entrarão em vigor após a remoção de sanções específicas, como a reconexão do Rosselkhozbank e outras instituições financeiras russas ao sistema SWIFT; a abertura de contas necessárias para transações internacionais; o fim das restrições a empresas exportadoras de alimentos, fertilizantes e produtos pesqueiros, bem como às seguradoras que trabalham com essas cargas; a liberação de navios com bandeira russa envolvidos no comércio desses produtos e a permissão para atracação em portos estrangeiros; além da suspensão de sanções sobre a entrega de equipamentos agrícolas e outros bens ligados à produção de alimentos.

O comunicado também destacou o entendimento sobre os ataques a instalações energéticas, com Rússia e EUA concordando em uma “proibição de ataques” por 30 dias, a partir de 18 de março de 2025, com possibilidade de extensão.

O acordo, porém, permite que uma das partes se retire caso a outra não cumpra os termos. Ambos os lados afirmaram que continuarão trabalhando por uma “paz estável e duradoura”.

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