Preço da gasolina

Impacto econômico da guerra do Irã ainda é incerto, mas pode afetar inflação, diz Fed

Presidente do Fed de Richmond disse que aumentos nos preços da gasolina podem deslocar outros tipos de consumo

Posto do Distrito Federal ajusta preços do diesel S10 e S500, em 4 de junho de 2018 (Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Posto do Distrito Federal ajusta preços do diesel S10 e S500, em 4 de junho de 2018 (Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Richmond, Tom Barkin, afirmou que ainda não tem clareza sobre os impactos econômicos da guerra envolvendo o Irã, mas destacou que choques nos preços de energia podem afetar a inflação e o comportamento do consumidor nos Estados Unidos.

Em entrevista à Bloomberg TV nesta quinta-feira (5/3), Barkin disse que aumentos nos preços da gasolina continuam sendo um fator relevante para o sentimento das famílias e podem reduzir outros gastos.

“Os preços da gasolina ainda importam para o sentimento e podem deslocar outros tipos de consumo”, afirmou.

Barkin ressaltou que, em tese, choques de curto prazo nos preços de energia tendem a ser temporários.

“Os manuais diriam para olhar além de choques de curto prazo”, disse. Ainda assim, destacou que o Fed acompanhará a evolução desses efeitos antes de definir qualquer resposta.

“O Fed seguirá decidindo juros reunião a reunião. Se os preços da gasolina estiverem mais altos, isso é inflacionário e teremos de decidir por quanto tempo isso vai durar.”

O dirigente também avaliou que os dados recentes de inflação trouxeram alguma incerteza sobre o progresso do processo desinflacionário.

Ele argumentou que os números recentes “levantam dúvidas sobre se o Fed já terminou sua luta contra a inflação”.

Por outro lado, Barkin apontou sinais positivos na economia. Segundo ele, empresas têm ampliado investimentos em produtividade, o que ajuda a sustentar margens corporativas mesmo diante de pressões como tarifas.

“Estamos vendo empresas investirem em produtividade”, disse, observando que um crescimento de produtividade de 2,8% “ainda é um número bastante bom”.

Barkin reiterou que a política monetária segue em território modestamente restritivo, embora a demanda permaneça sólida.

O dirigente também defendeu que o banco central tenha “uma presença menor nos mercados”.

Por Isabella Pugliese Vellani e Pedro Lima

Inscreva-se em nossas newsletters

Fique bem-informado sobre energia todos os dias