Crise internacional

EUA apreendem dois petroleiros ligados à Venezuela

Uma embarcação da Marinha britânica deu suporte às forças dos EUA; Rússia condenou ação

Interceptação do navio Marinera (ex-Bella 1), no Atlântico Norte, por violar o bloqueio e as sanções dos EUA contra a Venezuela. (Foto EFE/Comando europeu dos EUA/X)
Interceptação do navio Marinera (ex-Bella 1), no Atlântico Norte, por violar o bloqueio e as sanções dos EUA contra a Venezuela. (Foto EFE/Comando europeu dos EUA/X)

RIO — Os Estados Unidos divulgaram, na quarta-feira (7/1), a apreensão de dois navios petroleiros associados ao escoamento de petróleo da Venezuela, em operações no Atlântico Norte e no Caribe.

As ações no mar ocorrem após uma operação surpresa dos EUA que resultou na captura do agora ex-presidente Nicolás Maduro — atualmente detido em uma prisão em Nova York aguardando julgamento.

Um dos navios apreendidos, o Marinera — também chamado de Bella I — navegava sob bandeira russa e foi interceptado em águas internacionais entre a Escócia e a Islândia, supostamente a caminho de portos russos no Mar Báltico ou no Ártico.

Segundo o governo americano, a embarcação violou sanções dos EUA ao tentar operar no transporte de petróleo associado à Venezuela. 

A Casa Branca afirmou ainda que o navio foi considerado “apátrida” após içar uma bandeira falsa durante a perseguição naval que durava mais de duas semanas. 

O Ministério da Defesa do Reino Unido confirmou que as Forças Armadas britânicas prestaram “apoio operacional previamente planejado” à operação americana, incluindo o uso de bases militares. 

Uma embarcação da Marinha britânica deu suporte às forças dos EUA, enquanto a Força Aérea Real (RAF) forneceu vigilância aérea. Londres, no entanto, destacou que não participou diretamente da abordagem do navio.

O Ministério dos Transportes da Rússia confirmou que forças americanas abordaram o Marinera em águas internacionais e alegou que a embarcação havia recebido autorização temporária para navegar sob bandeira russa na véspera de Natal. 

“Nenhum Estado tem o direito de usar a força contra embarcações devidamente registradas sob a jurisdição de outros países”, afirmou Moscou, acrescentando que o contato com o navio foi perdido.

Outro petroleiro no Caribe

Além do Marinera, os militares americanos informaram a detenção de um segundo petroleiro, o M Sophia, descrito como parte da chamada “frota fantasma” — navios que operam com bandeiras de conveniência, nomes alterados e transponders desligados para burlar sanções. 

A embarcação foi interceptada em águas internacionais no Caribe e estaria envolvida em “atividades ilícitas”, sendo agora escoltada para os Estados Unidos.

Segundo a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, as duas abordagens foram conduzidas pela Guarda Costeira dos EUA em operações “meticulosamente coordenadas” antes do amanhecer. 

Ela afirmou que “ambas as embarcações — o navio-tanque Bella I e o navio-tanque Sophia — haviam atracado por último na Venezuela ou estavam a caminho do país”.

No caso do Marinera (Bella I), a autoridade destacou que a embarcação chegou a mudar de bandeira e pintar um novo nome no casco na tentativa de escapar da perseguição.

“Os criminosos do mundo estão avisados. Vocês podem correr, mas não podem se esconder. Nunca recuaremos em nossa missão de proteger o povo americano e interromper o financiamento do narcoterrorismo onde quer que o encontremos, ponto final”,  escreveu a secretária no X.

O futuro do petróleo venezuelano

As apreensões ocorreram poucas horas antes do secretário de Estado, Marco Rubio, detalhar em Washington um plano de três etapas para o futuro da Venezuela.

Segundo ele, os Estados Unidos pretendem apreender e vender entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo venezuelano — o equivalente a cerca de dois meses de produção do país — com Washington controlando a destinação dos recursos, e não as autoridades interinas de Caracas.

Rubio afirmou que essa primeira etapa visa estabilizar o país. A segunda prevê garantir acesso “justo” ao mercado venezuelano para empresas americanas, ocidentais e outras. 

A terceira, descrita apenas como uma fase de “transição”, incluiria a integração de partidos de oposição.

 “Não estamos improvisando. Sentimos que estamos avançando de maneira muito positiva”, disse o secretário.

A estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) confirmou pela primeira vez que negocia a venda de petróleo bruto aos Estados Unidos, afirmando que utiliza modelos “estritamente comerciais”, semelhantes aos adotados com empresas internacionais como a Chevron.

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