O presidente do Conselho Europeu, António Costa, classificou como “muito preocupante” a decisão unilateral dos Estados Unidos de suspender as sanções às exportações de petróleo da Rússia.
Em postagem no X nesta sexta-feira (13/3), Costa afirmou que o alívio das restrições pelos EUA afeta a segurança europeia e aumenta os recursos russos para travar a guerra contra a Ucrânia.
“A crescente pressão econômica sobre a Rússia é decisiva para que [Moscou] aceite uma negociação séria em busca de uma paz justa e duradoura”, disse.
Na quinta-feira (12/3), o Departamento do Tesouro estadunidense autorizou a Rússia a vender cerca de 128 milhões de barris de petróleo em até 30 dias, suspendendo temporariamente as sanções ao petróleo russo, em um esforço para acalmar os mercados e conter as consequências econômicas da guerra contra o Irã, que fez os preços do petróleo bruto dispararem.
Após a autorização, a Rússia afirmou que os EUA estão “reconhecendo o óbvio”: que o mercado global de energia não pode “permanecer estável” sem o petróleo russo.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que a autorização é para “ampliar o alcance global da oferta existente”.
“O aumento temporário nos preços do petróleo é uma interrupção de curto prazo que resultará em um enorme benefício para nossa nação e economia a longo prazo”, completou.
Decisão de Trump é criticada por líderes europeus
A União Europeia também tem um acordo político para proibir integralmente as importações de gás natural russo, tanto por gasodutos quanto na forma de gás natural liquefeito (GNL).
As sanções são uma forma de pressão para o fim da guerra contra a Ucrânia.
Na quarta-feira (11/3), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que não é o momento de aliviar as sanções europeias contra a Rússia e defendeu a manutenção do teto de preços do petróleo russo como forma de estabilizar os mercados e limitar as receitas de Moscou.
A decisão do governo de Donald Trump preocupa líderes europeus, pelos efeitos que pode ter sobre a Ucrânia.
De acordo com a Reuters, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, criticou a decisão de Trump ao afirmar que qualquer suspensão de sanção fortalece a posição da Rússia, que utilizará o lucro com as vendas de óleo em armas para a guerra contra a Ucrânia.
“Somente essa flexibilização dos EUA poderia prover para a Rússia cerca de US$ 10 bilhões para a guerra”, comentou.
A medida também foi alvo de críticas do presidente da França, Emmanuel Macron, que disse que não há justificativa para a suspensão das sanções e que “se Moscou pensou que a guerra no Irã daria um respiro à Rússia, ela está enganada”.
Já o chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que a Europa foi pega de surpresa com a decisão e que seis dos sete membros do G7 (Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) expressaram contrariedade à flexibilização.
“Atualmente, há um problema de preço, não de quantidade. Portanto, eu gostaria de saber quais outros motivos levaram o governo estadunidense a essa decisão”, disse.
Com informações da Agência Estado
