Nova impulso em 2026

Com destaque para petróleo e renováveis, investimentos da Noruega no Brasil crescem 200% e somam US$ 14 bi

Em meio a um comércio global turbulento, a cônsul-geral da Noruega destaca o Brasil como parceiro estratégico confiável e previsível

Cônsul-geral da Noruega no Rio de Janeiro, Mette Tangen (Foto Luciana Sposito/Divulgação)
Cônsul-geral da Noruega no Rio de Janeiro, Mette Tangen (Foto Luciana Sposito/Divulgação)

RIO — Os investimentos estrangeiros diretos (IED) da Noruega no Brasil alcançaram um estoque de cerca de US$ 14 bilhões em 2024, representando um avanço de 200% em uma década. 

O movimento, puxado sobretudo por petróleo e gás, energias renováveis e pelo setor marítimo, deve manter a trajetória de crescimento, impulsionado pela busca norueguesa por parcerias estáveis em um cenário internacional marcado por incertezas geopolíticas e comerciais.

Os dados constam do Relatório de Investimentos e Comércio entre Noruega e Brasil 2025, apresentado pela cônsul-geral da Noruega no Rio de Janeiro, Mette Tangen, na terça (13/11). 

Segundo o documento, cerca de 300 empresas norueguesas atuam no país, das quais 160 empregam localmente, somando mais de 34 mil empregos diretos. 

Juntas, essas companhias contribuem com aproximadamente US$ 5,1 bilhões (R$ 27 bilhões) para o PIB brasileiro, considerando efeitos diretos e indiretos.

“O comércio internacional está passando por incertezas geopolíticas e pressão sobre as cadeias globais. Nesse cenário, parcerias econômicas estáveis e previsíveis fazem toda a diferença. E é por isso que a relação entre Noruega e Brasil é interessante”, afirmou Tangen. 

“A parceria é sólida, baseada em confiança e previsibilidade (…) Em um mundo mais incerto e fragmentado, ela está bem posicionada”. 

Energia no centro da relação

Em 2024, os novos fluxos de IED da Noruega somaram US$ 3,8 bilhões, refletindo o andamento de grandes projetos, com destaque para o setor de energia. 

Somente projetos em renováveis receberam US$ 1,8 bilhão em investimentos noruegueses desde 2023.

A Equinor é o principal expoente no país. No upstream, a empresa mantém parceria com a Petrobras no Campo de Roncador, na Bacia de Campos, já em produção. 

Outro carro-chefe, o Campo de Bacalhau, na Bacia de Santos, iniciou produção em outubro de 2025. 

Com capacidade planejada de 220 mil barris/dia, investimento total de US$ 8 bilhões (40% da Equinor) e uso de tecnologias avançadas para redução de emissões, Bacalhau será o primeiro campo do pré-sal desenvolvido e operado integralmente por uma empresa estrangeira e o maior campo internacional da Equinor. 

A companhia estima que seus investimentos no Brasil vão atingir US$ 25 bilhões até 2030, no acumulado desde sua chegada no país.

Renováveis

A Hydro Rein se consolidou em energia solar, enquanto a Statkraft ampliou sua presença com novos projetos e aquisições.

Em 2024, a Statkraft inaugurou o Complexo Eólico Ventos de Santa Eugênia, seu maior parque fora da Europa, e concluiu a aquisição da Enerfín, adicionando três complexos eólicos e projetos solares ao portfólio. 

“A transição energética é um eixo central da relação Noruega–Brasil”, disse a cônsul.

Além disso, “as empresas usam as condições favoráveis do país para alcançar suas metas globais de redução de emissões”. 

Tangen ponderou, porém, que o setor elétrico enfrenta desafios, como curtailment e restrições de rede, o que pode levar a um período de acomodação dos investimentos em renováveis até maior clareza regulatória.

Janela de oportunidade

Com a revisão de políticas de estímulo à transição energética nos Estados Unidos, que incluem disputas judiciais envolvendo projetos de eólicas offshore, a cônsul vê oportunidades para o Brasil atrair mais capital norueguês.

“O Brasil tem todas as oportunidades de ganhar nesse cenário, desde que ofereça condições favoráveis”, afirmou.

Offshore e setor marítimo

Questionada sobre oportunidades de negócios em eólicas offshore, Tangen afirmou que as empresas acompanham de perto, mas aguardam sinais regulatórios do governo brasileiro para a realização dos primeiros leilões. 

“Há um acordo da Equinor com a Petrobras nesse sentido. As empresas estão se posicionando (…) As empresas estão aguardando. Por enquanto nenhuma tem planos concretos”, disse.

O relatório também aponta potencial de novos investimentos no setor marítimo, especialmente diante da expectativa de novas fronteiras de exploração de óleo e gás, que podem demandar frotas e serviços especializados.

“A tendência é de crescimento orgânico. A maioria das empresas quer aumentar o volume de empregados e investimentos”, afirmou a cônsul.

Fundo soberano e comércio bilateral

O Fundo de Pensão do Governo da Noruega (NBIM) — um dos maiores fundos soberanos do mundo, financiado por receitas do petróleo — tinha US$ 5,8 bilhões investidos no Brasil ao final de 2024, distribuídos em mais de 110 empresas. 

O país é o principal destino do NBIM na América Latina. A Petrobras foi a maior participação do fundo no Brasil, com US$ 1,0 bilhão, equivalentes a 1,3% do capital da estatal.

No comércio bilateral, as exportações norueguesas somaram US$ 2,1 bilhões em 2024, enquanto as importações do Brasil alcançaram US$ 2,4 bilhões. O intercâmbio cresce de forma consistente há cinco anos. 

A expectativa é de novo impulso com a ratificação do acordo Efta–Mercosul, ainda em 2026. 

“O comércio tende a melhorar com o acordo. Estamos bem animados”, disse Tangen.

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