A atual fase do conflito envolvendo o Irã reforçou uma realidade que já vinha se desenhando no mercado global de energia: segurança de suprimento voltou a ser prioridade central.
Em um ambiente de maior tensão geopolítica, com riscos para rotas críticas, oferta de gás e disponibilidade de GNL, o Brasil precisa acelerar projetos capazes de ampliar a produção doméstica e reduzir sua exposição à volatilidade externa.
Nesse contexto, o projeto Sergipe Aguas Profundas – SEAP assume importância ainda maior.
Mais do que um grande projeto de produção offshore, ele se consolida como um ativo estratégico para o país em um momento em que o gás natural volta a ser tratado não apenas como fonte de energia, mas como instrumento de segurança econômica, competitividade industrial e estabilidade de abastecimento.
A dependência de GNL importado pode se tornar um fator de vulnerabilidade em cenários de crise internacional.
Ao contrário do petróleo, o mercado de gás é menos flexível, mais dependente de infraestrutura dedicada e mais sujeito a interrupções logísticas e contratuais.
Quando há choque geopolítico relevante, o custo do gás sobe, a previsibilidade do suprimento cai e os países mais dependentes da oferta externa ficam mais expostos. Por isso, ampliar a produção nacional deixou de ser apenas uma agenda de expansão do setor energético e passou a ser uma necessidade estratégica.
É exatamente nesse ponto que o SEAP se destaca. O projeto representa uma das iniciativas mais relevantes para elevar a oferta de gás brasileiro, diversificar a matriz de suprimento e fortalecer a infraestrutura energética nacional.
Sua contribuição potencial vai além do volume produzido: o SEAP pode ajudar a reduzir a dependência externa em um insumo essencial tanto para a geração elétrica quanto para a indústria.
Essa dimensão industrial é especialmente importante no caso dos fertilizantes.
O gás natural é matéria-prima fundamental para a produção de nitrogenados, e o Brasil ainda apresenta elevada dependência de importações nesse segmento. Em um cenário internacional pressionado por conflitos, custos logísticos e restrições de oferta, essa vulnerabilidade tende a se agravar.
Assim, projetos capazes de ampliar a disponibilidade doméstica de gás ganham papel decisivo não apenas para a energia, mas também para a competitividade do agronegócio, para a segurança alimentar e para a redução da exposição do país a choques externos.
O SEAP, portanto, deve ser visto como um projeto com alcance muito mais amplo do que o de um empreendimento convencional de upstream.
Ele pode se tornar um dos principais vetores de fortalecimento do mercado brasileiro de gás, com impacto direto sobre o abastecimento, sobre a indústria e sobre o planejamento energético de longo prazo.
Trata-se de um projeto com capacidade de reposicionar o Brasil em um momento em que o mundo volta a valorizar produção doméstica, resiliência logística e segurança de suprimento.
Além disso, o SEAP tem um peso regional relevante. Ao impulsionar a oferta de gás no Nordeste e ampliar a integração da produção offshore à malha de escoamento e processamento, o projeto contribui para desconcentrar a oferta nacional e criar novas bases para desenvolvimento industrial.
Isso significa geração de investimentos, dinamização de cadeias produtivas, fortalecimento da infraestrutura e criação de condições mais favoráveis para novos empreendimentos intensivos em gás.
No cenário atual, a mensagem é objetiva: o Brasil precisa de mais gás nacional, mais previsibilidade de oferta e menos dependência de mercados internacionais sujeitos a choques geopolíticos.
O SEAP surge como uma das respostas mais relevantes a esse desafio. Seu avanço interessa não apenas ao setor de petróleo e gás, mas ao país como um todo.
Em um mundo mais instável, projetos como o SEAP deixam de ser apenas oportunidades de expansão produtiva. Passam a ser parte de uma estratégia nacional de segurança energética, competitividade industrial e soberania econômica.
Laércio Oliveira é senador de pelo PP/SE
Marcelo Menezes é secretário executivo de Desenvolvimento Econômico de Sergipe
