Os preços da molécula do gás natural no Brasil devem se manter entre US$ 7 e US$ 8 o milhão de BTU, em linha com o patamar do fim de 2025, estima a Wood Mackenzie.
A projeção leva em consideração o valor pago pelas distribuidoras e um patamar de preços do petróleo no mercado internacional em torno de US$ 60 por barril do tipo Brent – o principal indexador dos contratos de gás no Brasil.
A consultoria destaca que as estruturas de preços, no país, devem continuar a seguir o referencial da Petrobras – agente dominante e formador de preços.
A expectativa é que o mercado brasileiro entre este ano numa fase de excesso de oferta, se confirmado um cenário hidrológico médio.
“O crescimento lento da demanda, aliado ao aumento da produção doméstica e dos volumes de importação, criará um desequilíbrio entre oferta e demanda”, cita o relatório recém-publicado pela Wood Mackenzie sobre tendências do mercado de gás do Cone Sul.
Um giro pelo Cone Sul
A expectativa, segundo a consultoria, é que as exportações bolivianas para o Brasil devem ultrapassar o patamar de 10 milhões de m³/dia em 2026.
E que a Argentina representará “uma importante fonte adicional para as importações brasileiras de gás”.
O relatório destaca, ainda, que a Argentina está avançando rapidamente com seus dois grandes projetos de exportação de gás natural liquefeito (GNL): o da Southern Energy, previsto para 2027; e o Argentina LNG, da YPF (em parceria com a ENI e a Adnoc), que deve ter uma decisão final de investimento (FID) em meados do ano e que mira as primeiras exportações em 2030.
Na Bolívia, por sua vez, a expectativa gira em torno da agenda de reformas do novo governo de Rodrigo Paz, que busca investimento privado para conter declínio das reservas de gás no país.
A YPFB anunciou, no fim de 2024, pela primeira vez em seis anos, o seu certificado de reservas provadas e confirmou, oficialmente, o declínio de seus volumes nos últimos anos
Ao todo, a companhia possuía 4,5 TCF (trilhões de pés cúbicos) em 31 de dezembro de 2023, uma queda de 58% em relação a 2017.
Rodrigo Paz estabeleceu uma agenda de reformas para o setor e prioriza a promulgação de uma nova lei de hidrocarbonetos para incentivar o investimento privado. O governo também planeja reduzir os subsídios para o mercado interno.
