Nova linha de negócios

Edge mira até 4 milhões de m³/dia com distribuição de GNL em pequena escala

Empresa do grupo Cosan inicia entrega para seu primeiro cliente no segmento de GNL B2B, no Triângulo Mineiro

CEO da Edge, Demétrio Magalhães durante a gas week 2025, promovida pela agência eixos em Brasília, em 8 de abril (Foto Laura Campos/eixos)
CEO da Edge, Demétrio Magalhães durante a gas week 2025, promovida pela agência eixos em Brasília, em 8 de abril (Foto Laura Campos/eixos)

A Edge iniciou as operações de seu projeto de distribuição de gás natural liquefeito (GNL) em pequena escala – o GNL B2B, a nova linha de negócios da comercializadora de gás natural do grupo Cosan.

O primeiro cliente da companhia é a LD Celulose, em Indianópolis, no Triângulo Mineiro, que substituiu o óleo combustível por GNL em suas operações.

A LD está situada a mais de 700 km de distância do Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP) – a fonte de suprimento do projeto off-grid da Edge.

A comercializadora tem contrato para fornecimento de um volume equivalente a 100 mil m³/dia de gás à LD Celulose e vem mantendo negociações com potenciais novos clientes.

A Edge estruturou o projeto com uma capacidade para 400 mil m³/dia na primeira fase, mas a empresa já planeja, a longo prazo, uma segunda fase – um novo modelo de negócios, com capacidade para venda de 3 milhões a 4 milhões de m³/dia.

“O GNL B2B é para nós uma nova avenida grande de crescimento”, afirma o CEO da Edge, Demétrio Magalhães.

Edge mira indústria e frota pesada

Dependendo das características da rota, a Edge estima que consegue chegar de forma competitiva com o GNL a clientes até 1,2 km de distância do TRSP – o que permite à empresa fornecer gás até o Centro Oeste.

Magalhães conta que a companhia mira dois mercados potencias: clientes industriais que estão hoje desconectados da malha de gasodutos e que têm interesse em substituir combustíveis mais poluentes como óleo combustível, diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP); e o desenvolvimento do uso do gás na frota de caminhões.

“A mobilidade é um setor alvo, sem dúvida… O desafio é desenvolver a infraestrutura. Não acredito numa solução única para toda a frota pesada, mas o GNL vem para ser mais uma solução, para compor o crescimento da demanda do setor de transportes”, comenta Magalhães.

Um caminhão a GNL, cita o executivo, consegue percorrer longas distâncias – uma autonomia de 1 mil km.

Em 2024, Edge e a Virtu GNL chegaram a fechar um pré-contrato para viabilizar a instalação de um corredor de transporte pesado a gás do Porto de Santos rumo ao Centro-Oeste – mas o acordo ainda não se converteu em contrato firme. 

As negociações envolviam, na ocasião, um potencial de fornecimento de 150 mil m3/dia de GNL, em gás natural equivalente, a partir do TRSP.

Escala demandará novo modelo logístico

A primeira fase de desenvolvimento do negócio de GNL small-scale da Edge envolve um arranjo logístico inédito no Brasil.

Carretas criogênicas são transportadas por uma balsa até o FSRU (navio regaseificador), onde são abastecidas diretamente, a 3 km da costa.

Cada balsa tem capacidade para transportar até dez carretas (cada uma com capacidade para cerca de 36 mil m³ de gás natural).

A Edge adquiriu, para isso, uma frota própria de 21 tanques – que já estão operando.

Os cavalos mecânicos são da Transportadora Contatto, parceira que faz o transporte terrestre. A logística da balsa, por sua vez, fica a cargo da Tranship.

Para a segunda fase, no futuro, a Edge planeja um novo modelo logístico – o que passa pela instalação de tancagem de GNL e transferência de cargas para os tanques por meio de navios FSU (unidades flutuantes de armazenamento).

“Acreditamos que, a partir de 2028, já tenhamos uma oferta maior para atender esse mercado potencial”

“O desafio não é a demanda, o desafio é infraestrutura”, completou.

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