A Edge iniciou as operações de seu projeto de distribuição de gás natural liquefeito (GNL) em pequena escala — o GNL B2B, a nova linha de negócios da comercializadora de gás natural do grupo Cosan.
O primeiro cliente da companhia é a LD Celulose, em Indianópolis, no Triângulo Mineiro, que substituiu o óleo combustível por GNL em suas operações.
A LD está situada a mais de 700 km de distância do Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP) — a fonte de suprimento do projeto off-grid da Edge.
A comercializadora tem contrato para fornecimento de um volume equivalente a 100 mil m³/dia de gás à LD Celulose e vem mantendo negociações com potenciais novos clientes.
A Edge estruturou o projeto com uma capacidade para 400 mil m³/dia na primeira fase, mas a empresa já planeja, a longo prazo, uma segunda fase — um novo modelo de negócios, com capacidade para venda de 3 milhões a 4 milhões de m³/dia.
“O GNL B2B é para nós uma nova avenida grande de crescimento”, afirma o CEO da Edge, Demétrio Magalhães.
Edge mira indústria e frota pesada
Dependendo das características da rota, a Edge estima que consegue chegar de forma competitiva com o GNL a clientes até 1,2 km de distância do TRSP — o que permite à empresa fornecer gás até o Centro Oeste.
Magalhães conta que a companhia mira dois mercados potencias: clientes industriais que estão hoje desconectados da malha de gasodutos e que têm interesse em substituir combustíveis mais poluentes como óleo combustível, diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP); e o desenvolvimento do uso do gás na frota de caminhões.
“A mobilidade é um setor alvo, sem dúvida… O desafio é desenvolver a infraestrutura. Não acredito numa solução única para toda a frota pesada, mas o GNL vem para ser mais uma solução, para compor o crescimento da demanda do setor de transportes”, comenta Magalhães.
Um caminhão a GNL, cita o executivo, consegue percorrer longas distâncias — uma autonomia de 1 mil km.
Em 2024, Edge e a Virtu GNL chegaram a fechar um pré-contrato para viabilizar a instalação de um corredor de transporte pesado a gás do Porto de Santos rumo ao Centro-Oeste — mas o acordo ainda não se converteu em contrato firme.
As negociações envolviam, na ocasião, um potencial de fornecimento de 150 mil m³/dia de GNL, em gás natural equivalente, a partir do TRSP.
Escala demandará novo modelo logístico
A primeira fase de desenvolvimento do negócio de GNL small-scale da Edge envolve um arranjo logístico inédito no Brasil.
Carretas criogênicas são transportadas por uma balsa até o FSRU (navio regaseificador), onde são abastecidas diretamente, a 3 km da costa.
Cada balsa tem capacidade para transportar até dez carretas (cada uma com capacidade para cerca de 36 mil m³ de gás natural).
A Edge adquiriu, para isso, uma frota própria de 21 tanques — que já estão operando.
Os cavalos mecânicos são da Transportadora Contatto, parceira que faz o transporte terrestre. A logística da balsa, por sua vez, fica a cargo da Tranship.
Para a segunda fase, no futuro, a Edge planeja um novo modelo logístico — o que passa pela instalação de tancagem de GNL e transferência de cargas para os tanques por meio de navios FSU (unidades flutuantes de armazenamento).
“Acreditamos que, a partir de 2028, já tenhamos uma oferta maior para atender esse mercado potencial”
“O desafio não é a demanda, o desafio é infraestrutura”, completou.
