Consórcio

Cade aprova projeto de terminal de GLP em Pecém

Empreendimento da Ultragaz e da Supergasbras recebeu aval do órgão antitruste, apesar de oposição de consórcio do terminal de GLP em Suape

Fortescue anuncia decisão antecipada de investimento ((EID) em planta de hidrogênio verde no Complexo do Pecém, no Ceará; decisão final está prevista para 2025. Na imagem: Vista do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Foto: Gladison Oliveira)
Vista do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Foto: Gladison Oliveira)

LYON (FR) — A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (SG/Cade) aprovou, na terça-feira (1/4), a criação de uma joint venture entre Ultragaz e Supergasbras (SGB) para construção e operação de terminal para importação de gás liquefeito de petróleo (GLP) no Porto do Pecém, no Ceará.

O projeto em Pecém é similar ao desenvolvido pelas empresas Oiltanking Logística (OTLB), Queiroz Participações (GEQ) e Copa Energia no Porto de Suape, em Pernambuco, aprovado pelo órgão antitruste em fevereiro de 2024.

  • Em Pecém, o consórcio é formado por Ultragaz e Supergasbras. O terminal tem capacidade de armazenamento estimada em 123.800 m³, e o custo previsto para implantação é de R$ 1,1 bilhão, com conclusão prevista para 2028. 
  • Em Suape, o consórcio é formado por Oiltanking Logística, Queiroz Participações e Copa Energia. A iniciativa receberá cerca de R$ 1,2 bilhão em investimentos ao longo de três anos e poderá armazenar 120 mil m³ de gás.

Na época em que o consórcio de Suape era analisado pelo Cade, a Supergasbras se opôs à aprovação da operação, com o argumento de que ela poderia provocar fechamento de mercado, diminuindo a competitividade entre as distribuidoras de GLP e reforçando a posição do consórcio na região Nordeste. 

Neste ano, a distribuidora, junto à Ultragaz, recorreu novamente ao órgão com o argumento de que o mercado de oferta do gás será impactado pela construção do terminal em Suape.

As companhias que compõem a sociedade em Pernambuco também se opuseram ao processo do Ceará. A GEQ entrou como terceira interessada no caso e afirmou que o empreendimento pode afetar a competição no setor, incluindo direitos e interesses da distribuidora como concorrente e cliente do futuro terminal.

Já a Copa Energia defendeu que os mesmos critérios e parâmetros da operação em Suape fossem aplicados em Pecém, tais como a instituição de um operador independente no terminal e garantias contra “possíveis práticas discriminatórias e privilégios para players específicos”. 

A companhia ainda argumentou que a criação do terminal reforçaria ainda mais a verticalização do mercado, uma vez que Supergasbras e Ultragaz já possuem consórcios de compartilhamento de estruturas de envase e carregamento a granel de GLP.

Atualmente, a principal infraestrutura de importação do gás no país é o navio-cisterna da Petrobras, em Suape.

Na análise da Superintendência-Geral do Cade, a construção do terminal de GLP em Pecém “se traduz em aumento de capacidade de importação, de forma que pode permitir o aumento da oferta de GLP”.

O órgão também entendeu que o empreendimento não arrefece a concorrência no mercado de distribuição, e que a estrutura de governança proposta endereça de maneira satisfatória as preocupações concorrenciais.

A aprovação pela Superintendência-Geral do Cade é definitiva, caso a decisão não seja levada ao tribunal por um dos conselheiros. Empresas afetadas também podem recorrer.

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