CERAweek 2026

Shell pode avançar com investimentos em gás na Venezuela ainda este ano, diz CEO

CEO Wael Sawan afirma que decisões finais podem sair em 2026 com marcos fiscais adequados. Projeto Dragon, que exportaria gás a Trinidad, está entre os ativos da companhia no país

HOUSTON — O CEO da Shell, Wael Sawan, disse nesta terça-feira (24/3) que a companhia tem condições de tomar decisões finais de investimento em projetos de gás natural na Venezuela ainda este ano, se o país sul-americano continuar com a reforma de seus marcos fiscais e regulatórios.

Durante participação na CERAweek 2026, em Houston, o executivo destacou que a capacidade de resposta da empresa a investimentos na Venezuela tende a ser mais rápida no gás do que no petróleo. E que a ideia é monetizar o gás venezuelano via ás natural liquefeito (GNL). 

“No setor de gás, estamos falando de um horizonte mais próximo — de dois a três anos (…) Poderíamos até mesmo estar em posição de tomar decisões finais de investimento em um ou dois projetos antes do final deste ano, caso nos sejam proporcionados os marcos fiscais e regulatórios adequados”, comentou.

A Shell mantém um projeto de gás offshore de longa data na Venezuela, o Dragon, mas que sofreu contratempos nos últimos anos. 

A intenção da Shell é exportar o gás para Trinidad & Tobago, onde a companhia produz GNL.

A retomada dos investimentos na Venezula acompanha a recente promulgação de uma lei venezuelana que abriu o setor de petróleo ao investimento privado, rompendo com um dos princípios fundamentais da gestão Chávez-Maduro

 Wael Sawan destacou ainda que a Shell mantém a confiança no mercado de GNL.

“Continuamos acreditando que a demanda por GNL crescerá bem até a década de 2040 e potencialmente até a década de 2050, sustentada pela natureza do GNL como um parceiro confiável para energias renováveis ​​e sistemas de energia, mas também, e crucialmente, em áreas como transporte e indústria”

“Estamos absolutamente focados em garantir que nosso GNL seja resiliente em termos de custos”, completou.

O desafio do venezuelano

A aposta da Shell na Venezuela ocorre em um momento em que o país busca reverter um histórico de baixa prioridade à exploração de gás, setor com enorme potencial, mas nunca priorizado, segundo análise de Edmar de Almeida, da PUC-Rio, ao estúdio eixos.

O país concentrou investimentos em petróleo e não dispõe de recursos para desenvolver reservas gasíferas nem construir dutos — para produzir gás, seria necessário um novo arcabouço regulatório, afirma Almeida.

No petróleo, embora Caracas divulgue reservas de 300 bilhões de barris, a Rystad Energy aponta volumes muito menores: 4 bilhões em reservas provadas e 23 bilhões em reservas descobertas. O tema voltou ao centro dos discursos de Donald Trump após a captura de Nicolás Maduro no início do ano.

Assista a cobertura da eixos diretamente de Houston:

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