HOUSTON – O secretário do Departamento de Estado dos EUA, Caleb Orr, deixou claro nesta terça (24/3) que o governo de Donald Trump quer os adversários dos EUA longe da América Latina. Diretamente envolvido nas negociações sobre acesso a reservas de terras raras no Brasil, Orr participou de um painel que tratou de investimentos no Brasil, durante a CERAWeek, em Houston.
Em meio a corrida global pela exploração dos recursos, Orr afirma que a região não pode virar um ‘quintal’ de países desalinhados com os Estados Unidos, em uma clara contrariedade da administração de Trump à competição com capital chinês por projetos de energia e infraestrutura.
“Queremos garantir que a América Latina não se torne um ‘quintal’ para os adversários dos EUA e acreditamos que o investimento no setor energético também desempenha um papel fundamental nesse contexto”, disse.
Caleb Orr é secretário assistente de Assuntos Econômicos, de Energia e Empresariais do Departamento de Estado, pasta comandada por Marco Rubio, político republicano e de ascendência cubana.
Rubio é o principal quadro do governo Trump envolvido na relação com países latino-americanos, marcadas pelo aumento da hostilidade desde a abdução de Nicolás Maduro na Venezuela e o recrudescimento do bloqueio energético a Cuba.
“Queremos que a América Latina seja nossa amiga, e queremos que ela vença”, acrescentou Orr. Ele recentemente esteve no Brasil, dando continuidade às conversas sobre investimentos em minerais críticos, após a aproximação entre Lula e Trump.
Na CERAWeek, dividiu o palco com dois brasileiros: a consultora Clarissa Lins, presidente da Catavento, e o diretor da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Pietro Mendes. Ambos ressaltaram que o Brasil é um país aberto para investimentos estrangeiros, mas de qualquer origem.
Competição ‘dólar a dólar’ com a China
“Os Estados Unidos estarão competindo, dólar a dólar, com a China, inclusive no que diz respeito aos investimentos com apoio governamental”, disse Orr, promovendo a ideia que o governo Trump está disposto a ampliar o orçamento público americano destinado a financiar não apenas a industrialização, mas também infraestrutura em países “parceiros”.
“Dado que o Hemisfério Ocidental constitui o nosso principal teatro estratégico, haverá um volume considerável de capital do governo dos EUA atuando em parceria com o capital privado para ser investido na região”, disse.
No debate, Clarissa Lins lembrou que a região é rica em petróleo, gás natural, biocombustíveis e minerais, e que os EUA têm muito a contribuir com o conhecimento sobre como gerir tal diversidade de recursos.
“Como um país que precisa crescer e ampliar o consumo de energia, não podemos negar qualquer empresa que queira investir no Brasil”, afirmou.
No entanto, ressaltou que o Brasil ainda precisa expandir o consumo energético e, por isso, não pode descartar investimentos e comércio com diferentes parceiros – lembrou que o consumo de energia per capita no Brasil ainda é 20% mais baixo do que a média global.
Pietro Mendes foi na mesma linha: “os investimentos dos EUA são muito benéficos para o nosso país, mas consideramos que precisamos receber investimentos de qualquer empresa que deseje investir no Brasil”, disse.
Ele destacou que o Brasil tem estabilidade regulatória e respeita contratos. E citou a importância do planejamento energético e das parcerias regionais para ampliar a segurança energética.
Usou como exemplo a ampliação das importações de gás natural da Argentina como um pilar importante para ampliar a disponibilidade interna de gás, incluindo para a produção de petroquímicos e fertilizantes. “Precisamos trabalhar juntos para ampliar a segurança energética”, disse.
Assista a cobertura da eixos diretamente de Houston: