HOUSTON — A guerra no Oriente Médio reforça a posição da América Latina como uma fronteira segura para investimentos em óleo e gás, mas o cenário de instabilidade global não é positivo para a indústria petrolífera, disse nesta terça-feira (24/3) a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, durante participação na CERAweek 2026, em Houston.
“[A América Latina], vocês podem ver agora, é um lugar muito seguro para se estar, certo? Então, esse é um ponto muito bom. A questão é que não creio que nada é realmente bom quando falamos de guerra. Penso que o que está acontecendo não é algo positivo para ninguém”, afirmou.
Ela destacou que o aumento da volatilidade dos preços internacionais do petróleo afeta o mercado brasileiro, dependente da importação de diesel.
“Passamos o ano todo oscilando abaixo dos US$ 60 [o barril] e, agora, estamos acima dos US$ 100. Não é bom quando está baixo demais, nem quando está alto demais. É preciso haver um equilíbrio… Não vejo isso como um problema exclusivo do Brasil. Acredito que a instabilidade, de modo geral, não é algo positivo”, completou.
A executiva citou, ainda, o aumento de custos da cadeia de fornecedores como um desafio para a indústria petrolífera no cenário atual.
Ela citou que descobertas menores, no pré-sal, são mais expostas a esse aumento de custos da cadeia.
“Se descobrirmos campos menores, fica proibitivo produzir”
Em painel dedicado a discutir as oportunidades na América Latina, a executiva destacou também que o Brasil tem um regime regulatório competitivo para atrair investimentos, bem como reservas de petróleo com índices de emissões de CO2 abaixo da média mundial.
Mas apontou alguns dos desafios internos do país. Citou especificamente as complexidades no licenciamento ambiental de novas fronteiras exploratórias, como a Bacia Foz do Amazonas.
Anjos defendeu a necessidade de abertura de nova fronteiras, para repor as reservas de óleo e gás do país. E que os fósseis ainda desempenham papel importante para o desenvolvimento de economias emergentes.
“Nossa energia per capta é baixa. Não há espaço para abrir mão de nenhuma fonte de energia. Pessoas precisam de energia. Qualidade de vida demanda energia”.
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