Macaé Energy 2026

História ensinou que diversificação de fontes é a chave para lidar com choques externos, diz Heloísa Borges

Heloísa Borges diz que país precisa estar preparado para navegar entre diferentes futuros possíveis e não depender de uma única fonte ou origem

A História já ensinou que é necessário ter uma diversificação de fontes, recursos e origens no planejamento energético para lidar com choques globais. A avaliação é da diretora de Estudos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Heloísa Borges.

Para ela, o atual conflito no Oriente Médio reforça uma lição já conhecida pelo setor energético: a importância de não colocar todos os ovos na mesma cesta.

“Até a história ensinou a gente que, do ponto de vista do planejamento energético, o ideal é a gente ter uma diversificação de fontes, de recursos e de origens”, afirmou.

Em entrevista ao estúdio eixos durante a Macaé Energy 2026, na quarta (18/3), a diretora reforçou também o papel estratégico que o gás natural importado cumpre nesse sentido.

Segundo Borges, a opção pela importação ocorre não por dependência, mas como parte de um portfólio que garante segurança ao sistema.

Assista na íntegra acima!

“O gás importado vem para compor um portfólio para a segurança energética do Brasil”, explicou Heloísa Borges, destacando que as importações trazem oportunidade e flexibilidade para a indústria nacional, além de pressão competitiva sobre o gás produzido no país.

“E é por isso que a gente não vai abrir mão do gás importado. A gente continua trabalhando com o governo argentino na integração energética”, reforçou.

Ela destacou que os biocombustíveis também são parte essencial dessa estratégia, além de reduzir a dependência de um combustível importado.

Para Borges, com a Lei do Combustível do Futuro e as novas misturas de etanol e biodiesel, o país reforça essa vocação.

Diante do agravamento do cenário pelo bloqueio de Ormuz, da disparada no preço do diesel nos postos e do receio de falta do produto, a diretora indicou tranquilidade quanto ao abastecimento interno.

“A população brasileira não precisa ficar preocupada, não vai faltar combustível no Brasil”, assegurou.

Ela reconheceu, porém, que o impacto nos preços é inevitável diante da magnitude do choque externo.

De acordo com Borges, enquanto o conflito entre Rússia e Ucrânia tirou 8 bilhões de litros de diesel do mercado global, a atual crise no Estreito de Ormuz afeta uma oferta de 20 bilhões de barris equivalentes de diesel.

Principais pontos da entrevista

  • Demanda por gás natural: em todos os cenários do PNE, consumo quadruplica, com biometano como diferencial para descarbonização;
  • Biometano como diferencial entre cenários: na transição acelerada, entra volume equivalente ao do gás natural, potencializando a descarbonização;
  • Papel das importações de gás: não por dependência, mas por oportunidade e flexibilidade, trazendo pressão competitiva;
  • Fertilizantes como âncora de demanda: aproveitam gás nacional e reduzem dependência externa, objetivo do Plano Nacional de Fertilizantes;
  • Biocombustíveis como vantagem competitiva: Brasil na fronteira tecnológica, com programas como E35, B25 e novas frentes.

Veja a cobertura do estúdio eixos direto da Macaé Energy:

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