CERAweek 2026

Guerra no Oriente Médio abre oportunidades para investimentos em GNL na América do Sul e África, dizem executivos da Shell e Chevron

Destruição parcial da infraestrutura do Catar pode incentivar diversificação geográfica de investimentos no setor

Navio-tanque Golar Mazo atracado em terminal de GNL (Foto Cortesia)
Navio-tanque Golar Mazo atracado em terminal de GNL (Foto Cortesia)

HOUSTON — A destruição parcial da infraestrutura de gás natural liquefeito (GNL) do Catar, um dos maiores exportadores globais da commodity, pode abrir espaço para atração de investimentos em liquefação em países da América do Sul e da África, na avaliação de executivos da Shell e da Chevron que participaram nesta segunda (23/3) da CERAweek 2026, em Houston.

O presidente da divisão de Gás Integrado da Shell, Cederic Cremers, disse que a nova guerra no Oriente Médio exigirá dos grandes players do setor a “construção de um portfólio global diversificado”.

Segundo ele, isso abre oportunidades não só para investimentos em países do Sul global, como também nos grandes produtores globais de GNL fora do Golfo Pérsico.

“A gente não pode esquecer da capacidade existente. Há muito gás ainda a ser produzido a partir de tie backs“, afirmou.

O presidente da Chevron na Austrália, Balaji Krishnamurthy, acrescentou que o conflito atual evidenciou o risco de se ter uma oferta de GNL tão concentrada.

EUA e Austrália, outros grandes exportadores de GNL, pode compensar parcialmente a queda na oferta do Catar.

O executivo citou, então, América do Sul (a Argentina, em particular) e África como fontes alternativas de gás.

“Podemos ver um aumento de projetos de FLNG [nessas regiões]”, completou.

A expectativa no mercado hoje é de que o aprofundamento da guerra no Oriente Médio e das tensões no Estreito de Ormuz poderá frear as aspirações de expansão das majors no Catar e nos Emirados Árabes Unidos (EAU) e redirecionar investimentos em GNL para outras regiões do planeta.

Suprimento

A escalada da guerra tem reforçado a necessidade de diversificação de rotas de fornecimento. E para países do Mediterrâneo, o conflito fortalece a tese de investimento no Corredor Vertical de Gás — iniciativa estratégica que visa conectar terminais de GNL da Grécia à Europa Central e do Leste.

A urgência por alternativas ganha ainda mais peso diante da dimensão dos impactos já registrados. Apenas o ataque a Ras Laffan, no Catar, destruiu 3% da capacidade mundial de produção, e cerca de 19% do suprimento global já foi afetado. E a capacidade global de suprimento de GNL sentirá os efeitos do conflito no Oriente Médio até a década de 2030, segundo analistas da S&P Global.

Assista a cobertura da eixos diretamente de Houston:

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