CERAweek 2026

ExxonMobil envia time para monitorar Venezuela e mantém Brasil no radar

HOUSTON — A ExxonMobil enviou esta semana uma equipe à Venezuela, para monitorar oportunidades de investimento no país. Durante participação na CERAWeek 2026, em Houston, o presidente da divisão de Upstream da companhia, Dan Ammann, disse nesta quarta-feira (25/3) que vê progressos sendo feitos no marco legal venezuelano e que também mantém o Brasil e Guiana no radar, na América Latina.

Segundo ele, a Exxon continua a avaliar oportunidades de negócios no Brasil, depois de 2025 marcado pelo início da produção de Bacalhau, no pré-sal da Bacia de Santos, e pela aquisição de um pacote de concessões exploratórias na Bacia Foz do Amazonas.

“Temos oportunidades adicionais de exploração que estamos buscando por lá [no Brasil]”, disse.

Na Venezuela, o executivo vê um potencial enorme de recuperação da produção local, mas cita que não será uma trajetória de curto prazo.

A companhia enviou uma equipe ao país, justamente, para avaliar as condições para eventuais investimentos.

“O que pretendemos avaliar é, obviamente, a situação atual dos recursos ali existentes. E, o que é ainda mais importante ou igualmente importante: qual é o estado da infraestrutura no local? Quanto investimento será necessário para promover uma melhoria realmente significativa?”

“Acreditamos que, sem dúvida, existem algumas medidas de curto prazo que podem ser adotadas para gerar um aumento incremental na produção, partindo do patamar atual; no entanto, tentar restaurar a produção — que hoje está abaixo de 1 milhão de barris por dia — e elevá-la de volta ao seu nível anterior, de 3 milhões de barris por dia, exigiria, provavelmente, centenas de bilhões de dólares em investimentos ao longo de um período de tempo muito extenso”.

Exxon vê progressos na Venezuela

O potencial de recursos do páis caribenho é inegável, mas segundo Ammann, “é indispensável que haja um cenário de fundo extremamente estável e convidativo” para atrair investimentos.

“O desafio, é claro, reside em saber: existe o ambiente adequado? Existe a estrutura correta do ponto de vista do regime fiscal, com cláusulas de estabilidade e disposições sobre arbitragem?”

“Eu diria que houve algum progresso nessa frente. Foram implementadas algumas reformas e alterações na lei de hidrocarbonetos. Acredito, porém, que ainda há mais a ser feito para que seja possível viabilizar um investimento verdadeiramente significativo e de longo prazo”.

Exxon prioriza reposição de reservas

Ammann destacou que olhar para a América Latina é influeciado, em certa medida, pelo sucesso exploratório da companhia na Guiana.

A Exxon tem, atualmente, quatro FPSO’s em operçaão no país, onde já superou a marca de 900 mil barris/dia. A previsão é iniciar a operação de uma quinta unidade ainda este ano – o plano da petroleira, sibmetido ao governo da Guiana. inclui oito plataformas.

“Ao olharmos atentamente para o horizonte, vislumbramos oportunidades adicionais. Ainda temos grandes porções do bloco exploratório que permanecem inexploradas devido à disputa de fronteira com a Venezuela. Há muita margem de manobra… O caso ainda tramita na Corte Internacional de Justiça e esperamos que haja uma resolução — esperemos — mais cedo ou mais tarde”. disse.

O aumento dos investimentos na América Latina faz parte da estratégia da companhia de se manter ativa na busca de reposição de reservas.

“Continuamos a atuar de forma muito ativa em todo o mundo, mantendo-nos muito alinhados com a estratégia de expandir nossa base de oportunidades de recursos. O desafio, então, reside em determinar a cadência ideal para desenvolver esses recursos e colocá-los em produção”, comentou.

Ele questionou a estratégia de alguns de seus pares globais que optaram por reduzir investimentos em óleo e gás nos últimos anos.

“É, de certa forma, interessante e até um tanto chocante em si mesmo, considerando o cenário de uma equação de demanda amplamente conhecida. Há muitas empresas em nosso setor — alguns de nossos pares — que perderam isso de vista e, na verdade, concentraram-se em reduzir a produção em um contexto de demanda crescente”, disse.

“É justamente esse foco que nos orienta: sabemos que haverá esgotamento de reservas; sabemos que há um crescimento da demanda a longo prazo; e sabemos que haverá volatilidade em torno desse crescimento da demanda… É, portanto, esse raciocínio que impulsiona nossa equação de investimentos”, complementou.

Assista a cobertura da eixos diretamente de Houston:

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