HOUSTON — O governo dos Estados Unidos está empenhado em fazer o que estiver ao seu alcance para eliminar as vulnerabilidades do país no setor de minerais críticos, seja internamente, seja em outros países, disse nesta quinta-feira (26/3) o vice-secretário de Energia do Departamento de Energia dos EUA, James Danly, durante a CERAWeek 2026, em Houston.
Ele classificou o setor de minerais críticos como um dos segmentos da economia que enfrentam barreiras ao desenvolvimento e que exigem a intervenção do Estado “para ajudar a consolidar a capacidade produtiva nacional antes que ela seja sufocada ainda em sua fase embrionária”.
“Acredito que esteja se consolidando um consenso generalizado de que as vulnerabilidades nas cadeias de suprimentos de minerais críticos são inaceitáveis”, afirmou.
“O Departamento de Energia, em colaboração com outras agências federais, está empenhado em fazer o que estiver ao nosso alcance para eliminar essas vulnerabilidades e, quando necessário, estimular o desenvolvimento de capacidade produtiva pelo setor privado, seja em território nacional ou em nações parceiras”, complementou o vice-secretário.
Insumos essenciais para baterias, turbinas eólicas, semicondutores, equipamentos eletrônicos e tecnologias associadas ao avanço da inteligência artificial (IA), os minerais críticos estão na mira de disputas geopolíticas e se tornaram moeda de troca em acordos comerciais nos últimos anos.
No Brasil, o governo Lula (PT) tem sido incisivo na defesa desses recursos como estratégia de soberania, especialmente em meio às investidas do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre esse mercado.
No Congresso, o relator do projeto de lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania/SP), promete apresentar seu parecer até o dia 10 de abril e incluir menções ao urânio no novo marco legal.
Mais energia para data centers
James Danly também comentou sobre os esforços dos EUA para escalar sua capacidade de geração e transmissão de energia, para atender ao rápido crescimento da demanda por eletricidade — provocada, em especial, pelo boom de investimentos em ‘hyperscales’ [centros de dados de grande escala].
Ele destacou que o setor de energia vive uma “transição extremamente rápida” e que desafia a capacidade de expansão da infraestrutura necessária.
“Antigamente, levávamos dez anos para construir uma fundição de alumínio ou algo semelhante, e a concessionária de energia tinha tempo de sobra para alinhar tudo o que fosse necessário para o cliente. Agora, porém, é uma questão de meses até que uma instalação entre em operação. Portanto, trata-se de uma mentalidade totalmente diferente”, disse.
O foco, segundo ele, portanto, deve se concentrar em eliminar obstáculos ao investimento privado, mas “naqueles casos em que as alavancas políticas se mostrarem úteis, superar os desafios de mercado que dificultam esse desenvolvimento”.
Gás e nuclear no foco
Ele citou, ainda, que os EUA estão “empenhados em obter o máximo possível de energia despachável a partir da geração existente”, por meio da modernização do parque atual de termelétricas; em em acelerar a expansão da capacidade de geração com base no gás natural e nuclear.
“Obviamente, haverá uma enorme quantidade de geração a gás natural sendo construída, pois esse processo é rápido. Naturalmente, isso possui uma restrição: está, pelo menos parcialmente, vinculado à localização do sistema de gasodutos; mas é, sem dúvida, uma maneira de atender à demanda de carga de imediato”.
Em paralelo, os EUA apostam nos pequenos reatores modulares (SMRs). Danly ponta que há desafios para atingir a meta, como restrições de mão de obra e na cadeia de suprimentos.
“Mas a verdade é que o sinal de demanda é real. A energia nuclear traz a promessa de fornecer eletricidade confiável e despachável… A esperança é levar o maior número possível desses reatores à criticidade até o dia 4 de julho, e a situação parece realmente muito promissora. Aquele plano de concluir a prototipagem em um ano era uma meta de ambição impressionante. E parece que estamos no caminho certo para alcançá-la”.
Ele citou que, do lado da transmissão de energia, os EUA enfrentam gargalos no licenciamento, mas que o governo tem trabalhado para otimizar o sistema existente, por meio do “recondutoramento” — substituição de fios antigos por fios com condutores mais avançados que permitem uma maior capacidade de transferência na mesma linha.
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