O desenho final das regras do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) não é “uma solução perfeita”, mas tem o mérito de destravar o certame, avalia a diretora Comercial da Origem Energia, Flavia Barros.
“Então, em suma, acho que não houve uma solução perfeita, mas a solução que se tem… É imperativo que esse leilão ocorra este ano”, disse Barros, ao participar da gas week outlook 2026, em São Paulo, na terça-feira (24/2). Assista à íntegra!
Ela comentou também sobre o susto do mercado com a divulgação dos preços-teto do leilão, que vieram abaixo das expectativas do mercado, mas que a correção dos valores “deu um pouco mais de conforto” para os desenvolvedores de térmicas novas — como a própria Origem.
A executiva analisou, ainda, as mudanças recentes na sistemática do LRCAP, como a flexibilização das regras que permitirão às termelétricas contratarem apenas a capacidade de saída no sistema de gasodutos de transporte, com descontos nos contratos de longo prazo.
A medida, segundo ela, pode ajudar a evitar picos nas tarifas dos gasodutos — decorrentes de um eventual fracasso na contratação de térmicas conectadas. Mas pode ter impactos sobre o funcionamento do sistema.
“Isso pode mandar algumas sinalizações erradas em relação a investimentos que precisam ser feitos, a gargalos que vão ser criados”, afirmou a diretora.
Origem mira portfólio mais flexível e estocagem
A Origem tem planos de participar do LRCAP com um projeto termelétrico abastecido com gás próprio, produzido pela companhia no Polo Alagoas, mas não só.
Flávia Barros comenta que a empresa pretende complementar o seu portfólio de suprimento com fontes múltiplas e flexíveis.
E reforçou a intenção da Origem de associar o seu projeto termelétrico ao serviço de estocagem que a companhia espera começar a operar no segundo semestre.
É a grande aposta da companhia para lidar com o comportamento flexível do despacho térmico.
“A nossa solução, ela tenta mesclar um pouco de gás firme que vai vir do nosso portfólio, o gás de produção. Ela eventualmente vai usar GNL, então vai ser um portfólio que vai dar origem a uma outra visão em relação a fontes de molécula e especificamente em relação ao uso de estocagem para poder balancear e atender a flexibilidade que uma planta dessa precisa”, disse.
Principais assuntos tratados pela diretora da Origem:
- Infraestrutura como pré-requisito: expansão da malha de transporte e interiorização para integrar produção e demanda;
- Players com infraestrutura própria se posicionam melhor para oferecer flexibilidade e preços descolados do GNL;
- Desenho do LRCAP: excelente ponto de partida, mas ausência de contratação firme distorce sinais de investimento;
- Empacotamento de dutos revela necessidade urgente de infraestrutura de estocagem para balanceamento;
- Participação da Origem no leilão: térmica integrada com gás firme, GNL e estocagem;
- Financiamento via mercado de capitais com apetite por projetos de opcionalidade e portfólio integrado.