CERAWeek 2026

Corina Machado é ovacionada por executivos em Houston ao prometer privatizar petróleo da Venezuela

Líder da oposição na Venezuela, Maria Corina Machado espera ascender ao poder com apoio de Trump e promete entregar o petróleo mais barato para as petroleiras na região

HOUSTON — A ativista venezuelana Maria Corina Machado foi ovacionada pela plateia de executivos na CERAWeek 2026, em Houston, nesta terça (24/3), após prometer que a Venezuela vai reconquistar a confiança de longo prazo de empresas de petróleo, gás natural e mineração, após a queda de Nicolás Maduro

Corina Machado liderava os esforços da oposição no exterior para derrubar o regime chavista. Dois meses após a captura de Maduro pelos EUA, ela tem afirmado que vai retornar ao país, agora, governado por Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente que caiu nas graças de Donald Trump.          

“Nosso potencial exige muitos recursos, estimamos em mais de US$ 150 bilhões nos próximos 10 anos. É o tipo de compromisso de longo prazo e larga escala que as empresas presentes nesta sala estão preparadas para assumir, quando houver condições adequadas”, afirmou Corina Machado no evento. 

Sob aplausos, falou em um regime de contratos estáveis e flexíveis para investidores. Ela prometeu a criação de um órgão regulador para o setor de óleo e gás, autônomo e independente, além da “menor participação governamental do Hemisfério” e “respeito à propriedade privada”.

As participações governamentais são um termo do setor para designar toda a arrecadação incidente sobre a receita da produção de óleo e gás nos regimes de contratação de empresas públicas e privadas. 

Machado reconheceu que a Venezuela tem um alto prêmio de risco, mas disse que o atual governo quer alterar esse cenário e lembrou que o risco exploratório é muito baixo, dadas as grandes reservas de petróleo.

“O estado venezuelano vai sair do caminho e construir a rota para dar as condições para que o mercado de óleo e gás no país se torne totalmente privado”, afirmou, prometendo também privatizações no futuro. 

Ela lembrou que no contexto da atual guerra no Oriente Médio a Venezuela pode ser um parceiro para investimentos em uma região mais estável. 

PDVSA falida e criminosa 

Para Machado, a estatal PDVSA está “falida” e se tornou uma “organização criminosa”. Em mais uma mensagem alinhada com o capital privado, defendeu a venda da estatal do país como mais um passo dessa agenda de reformas: “vai ser necessário reduzir o tamanho [da PDVSA] até que possamos privatizar”, disse. 

Ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Machado é uma das principais líderes da oposição ao governo de Nicolás Maduro, que foi derrubado pelo governo dos EUA em janeiro. Apesar de não ter um papel oficial, ela vem se colocando como uma voz importante na articulação do atual governo de Delcy Rodriguez, que assumiu após a queda de Maduro. 

Machado prometeu em mais de um momento que o país terá eleições “em breve”. “A Venezuela será livre e democrática”, disse. 

Reformas primeiro, dinheiro depois   

Em debates na conferência, analistas ressaltaram que os grandes investidores só devem retornar ao país após as eleições. 

Na visão do vice-presidente da S&P Global, Daniel Yergin, as atividades no curto prazo podem aumentar devido ao interesse de operadores menores, que aceitem os riscos que a Venezuela ainda oferece, mas os grandes players do setor demonstram ressalvas em assumir compromissos com um governo interino

A pesquisadora sênior adjunta do Centro de Política Energética Global, Luisa Palacios, ressaltou que a construção de novas instituições no país vai levar tempo, mas que precisa começar desde já. 

Ela lembrou que as exigências dos investidores tendem a ser mais altas no começo da abertura e que vai ser necessário ter regras transparentes para avançar nesse processo. “A História importa”, afirmou. 

Palacios ressaltou que o fortalecimento das instituições precisa ser um processo interno e não impulsionado por outros países. 

O ex-diretor da PDVSA e atual associado do Baker Institute, Luis Pacheco, também lembrou que vai ser necessário mitigar o risco de corrupção. 

Pacheco afirmou ainda que a mudança de governo criou uma grande expectativa, que ainda não foi concretizada. “Os próximos passos ainda não estão claros”, disse.

Assista a cobertura da eixos diretamente de Houston:

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